Revista Ampla | Edição 53
Mais do que diversão: médica encontra na literatura o caminho para expansão de si mesma Karina Kanashiro Sensibilidade A médica oncologista Marilene Madsen nem se lembra de quando a literatura começou a fa- zer parte da vida dela. Quando questionada sobre isso, a resposta é simples: “Passei a minha vida lendo”, afirma. “Parte de minha juventude vivi em um conservatório. Escrevia cartas e pequenas histórias que se perderam no tempo. O mundo real era apartado, pois a música e a lei- tura me levavam a outros lugares. Deixei isso tudo pela medicina, foi outro mergulho em diferentes águas”, conta. O caminho de volta para a literatura aconteceu depois da passagem de Marilene por uma companhia de teatro- dança. Com o objetivo de praticar exercícios, ela começou então a dançar. Gostou e ficou. Trabalhava de dia e en- saiava à noite, trabalho que resultou na participação em cinco divertidos espetáculos lúdicos. “Foi uma curtição! Até que o nosso mentor foi embora para a Espanha e o grupo se desfez. Passou a febre de artista e recomecei a escrever aos poucos, com o objetivo de publicar há qua- tro anos”, confessa. Os textos iniciais foram “bobagens, fantasias”, diz Marilene. O primeiro escrito considerado pela médica foi “A espada de Dâmocles”, publicado pela revista do Gra- ciosa Country Club. A vida corrida, dividida entre o consultório médico e as salas de cirurgia, não impediu Marilene de continuar escrevendo. Ela já tem dois livros publicados, o primeiro é chamado “Terceiro fator - O segredo Drull”, e foi elabora- do em coautoria com Celito Bonetti, artista piracicabano. “Levamos dois anos de e-mails e muita diversão, criando um planeta, um povo, cidades, sociedades, ma- pas, romances e desastres. É um livro bastante comple- xo”, assegura. O segundo é um livro de contos, que tem o título de “Contos Impossíveis”. São histórias contadas por um olhar feminino e revistas pelo lado masculino. Segundo Marilene, o resultado ficou interessante e marca a di- ferença entre homens e mulheres. “Nesse momento de confusão de gêneros, ilustra que há pensares peculiares a cada um”, avalia. Marilene garante que não há uma temática fechada para seus textos. Para ela, o ser humano é rico, seus sen- timentos borbulham, suas atitudes direcionam sua vida. “Isso é o que faço: conto suas angústias, suas dores, suas alegrias, suas contradições”, complementa. Além disso, a médica se mostra bastante aberta so- bre seu estilo de escrita. Segundo ela, mudar de opinião e direção sempre deve ser possível e não nos cabe ficar plantados em nossas “certezas”. Contadores de histórias, como o catalão Ildefonso Falcones e a italiana Elena Ferrante, estão entre os favo- ritos de Marilene, que hoje em dia tem sido bem seleta com suas leituras. “Um amigo me disse uma vez: ‘Se começo a ler deter- minado livro e não gosto ou não me interessou o assunto, deixo-o de lado. A vida é curta e há muitos livros para se- rem lidos. Leio o que me dá prazer’. Eu nunca fazia isso, HOBBIES E MANIAS 8 AMPLA ABRIL-JUNHO 2019
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