Revista Digital Ampla #50
O maior desafio para o futuro da profissão médica é o resgate da Dignidade | CONSULTA 12 | AMPLA • JUL/AGO/SET 2018 "A medicina do futuro permitirá diagnósticos cada vez mais precisos e tratamentos personalizados com aplicativos que monitoram sinais vitais e emi- tem diagnósticos, aos quais profissionais de saúde têm amplo acesso a dados sobre o estado físico de seus pacientes, e já conseguem saber quais doenças terão ao longo da vida, com a possibilidade de tratá-las. A telemedicina já é uti- lizada em todo o mundo, de forma segura e legalizada, estando de acordo com as normas médicas internacionais. É um processo avançado para monitoramen- to de pacientes, troca de informações e análise de resultado de exames. Facilita o acesso a especialistas, ampliando a assistência ao paciente, principalmente em áreas remotas. No Brasil, hoje é muito utilizada para emissão de laudos de exames à distância e teleconsultas entre médicos. Pode ser feita uma consulta diretamente entre médico e paciente, porém, no Brasil essa prática ainda não está sendo viabilizada. A Internet das coisas (do inglês Internet of things - loT) está muito presente no mundo da saúde, possibilitando a integração de uma grande variedade de dispositivos médicos à rede de comunicação para a troca e coleta de informações. Aplicativos móveis, por exemplo, podem se conectar a smartwatches para obter e relacionar dados sobre nosso corpo. A medicina do futuro será preventiva e terapêutica. Os cuidados não serão mais focados na enfermidade e sim, em descobrir as doenças antes que elas aconteçam, focan- do na qualidade de vida do paciente. Com exames e diagnósticos cada vez mais precisos, os médicos poderão antecipar: pelas predisposições genéticas pode- -se saber, por exemplo, o risco de o paciente desenvolver determinada doença. Como vimos, as mudanças trazidas pela medicina do futuro devem reinventar a profissão de médico, porém, esses avanços podem trazer também muitos impactos negativos à sociedade em geral, causando discussões acerca da re- lação custo-benefício. O arsenal tecnológico propicia ao médico a tentação de investigar “todas” as doenças, “cobrir todas as possibilidades”. Isso torna muito dispendioso para o sistema público de saúde, para os planos de saúde e para o próprio paciente. Além da própria questão econômica que acarreta, a aquisição exagerada das inovações para desumanização da relação médico-paciente. Ocorre que a saúde e a qualidade de vida são direitos de todos, portanto, é dever do médico utilizar-se dos meios tecnológicos como formas coadjuvantes para promover saúde ou mesmo evitar o aparecimento de enfermidades, não abolindo o contato médico-paciente, mas que mantenha a ética e o bom senso para não “superdiagnosticar” o paciente, gerando tratamentos desnecessários. O desafio da medicina do futuro é combinar todas as inovações e recursos tec- nológicos com o respeito aos princípios éticos. O diálogo e o exame clínico são indispensáveis na missão médica hoje e no futuro." Cooperada e médica de Família e Comunidade da Unimed Foz do Iguaçu e médica auditora e técnica pelo Programa Mais Atenção à Saúde (MAS) Especialidade em clínica médica médico cooperado da Unimed Cianorte e coordenador do CAS Dra. Monique da S. Calixto Sarraff Dr. Inácio Emanuel Casella Gagliardi
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