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Voltar Canetas para diabetes e obesidade: indicações, diferenças e efeitos colaterais
A utilização de medicamentos injetáveis de controle do diabetes para a perda de peso, as chamadas canetas, tem se tornado cada vez mais popular em todo o mundo. Algumas já foram inclusive liberadas no Brasil para serem utilizadas com fins de emagrecimento.
“Não acho uma droga ruim para obesidade e para pacientes não diabéticos, mas tem que ter acompanhamento porque tudo tem efeito colateral. Existem exames para acompanhar e até mesmo para fazer o desmame da medicação de maneira segura e fácil. Não é do jeito como as pessoas têm feito, comprando na farmácia e aplicando do jeito que elas acham”, declara Dra. Thais Ribeiro Mingorance Tozini (CRM-SP 149751), médica cooperada da Unimed Rio Pardo.
Diabetes & Obesidade
Dra. Thais explica que as canetas são medicações criadas inicialmente para o diabetes Mellitus tipo 2, mas lembra que obesidade e diabetes andam juntas. “Ambas vêm de um tecido adiposo doente, inflamatório, que muitas vezes é resultado de genética e/ou estilo de vida. Quando o paciente está obeso, se ele não está diabético está pré-diabético.”
São medicações que agem em cinco receptores diferentes e proporcionam rápida melhora clínica. “Reduzem gordura hepática e triglicérides com efeito termogênico em tecido adiposo marrom, por isso acabam diminuindo o tecido visceral. E são agonistas de GLP1, ou seja, melhoram a saciedade, permitindo cumprir dietas e cardápios de forma muito melhorada”, diz.
Liraglutida
A primeira medicação injetável para o diabetes foi a liraglutida (Victoza e Saxenda). “É uma classe de medicação menos potente para resistência às insulinas de grau mais leve, usamos mais em diabéticos para melhorar o perfil glicêmico e a resistência à insulina em perfil hepático, renal e intestinal.”
Entretanto, Dra. Thais explica que, em razão do efeito colateral das medicações como refluxo e náuseas, elas passaram a ser administradas em doses menores aos pacientes. “Dessa forma a gente descobriu que não mexia muito em glicose, mas que perdia peso. E aí começou toda a história do efeito emagrecedor da medicação. Infelizmente pessoas começaram a utilizar sem prescrição médica, mas não era essa a indicação. A Saxenda é usada hoje mais para diabetes tipo 2 e não tem nenhuma indicação para emagrecimento.”
Semaglutida
A semaglutida é uma liraglutida melhorada. “Melhorando as duas cadeias químicas de ramificação final da Saxenda, a gente teve um produto de liberação lenta e três vezes mais potente, que foi a semaglutida (Ozempic, Wegovy, Rybelsus). É uma medicação bem mais elaborada, o que muda são as doses e associações; o paciente diabético normalmente usa associações, doses maiores, já os não diabéticos usam pequenas doses para perda de peso”, diz a médica.
Ela explica que Wegovy e Ozempic são canetas que, dependendo da dose, podem ser usadas para tratar obesidade graus 1 e 2. “Em razão da segurança cardiovascular e renal, estudos aprovam a utilização da Wegovy por pacientes acima de 12 anos e por pacientes com sobrepeso (em poucas doses), o que não quer dizer que não tenha efeito colateral.”
Tizerpatida
O treinamento mais recente, de acordo com a médica, foi sobre a tizerpatida (Mounjaro), que foi aprovada e talvez chegue no Brasil entre janeiro e fevereiro. “É uma medicação que age não só no estômago, mas também em via intestinal, e nesse sentido pode vir com um pouco menos de efeito colateral, necessitando de acompanhamento médico. Ela melhora o efeito de náusea, por isso o paciente consegue suportar doses maiores e ter perdas de peso maiores. É indicada apenas para pacientes com obesidade 3 (pacientes com IMC acima de 40).”
Uso liberado no Brasil
As canetas liberadas no Brasil para serem utilizadas em tratamentos de obesidade, resistência à insulina, pré-diabetes e diabetes tipo 2 são: Saxenda, Ozempic, Wegovy e Mounjaro. “São medicações estratégicas porque não mexem no sistema nervoso central, melhoram saciedade e resistência à insulina, seguras para hipertenso e renal crônico e são grandes trunfos para perda de peso. Todas as canetas pertencem praticamente à mesma classe medicamentosa, mas o que vai diferir são os efeitos colaterais e as doses programadas”, diz a médica.
Dentre os efeitos colaterais que podem ocorrer estão o aumento da amilase (podendo levar à pancreatite), alteração de alguns disruptores lipídicos, potencialização de efeitos gástricos. “São medicações que precisam de acompanhamento médico. Temos outras medicações para obesidade diferentes do mecanismo de ação das canetas, por isso é preciso analisar o perfil metabólico do paciente, dentre outras análises. São várias perguntas que precisamos responder e que vamos construindo com o paciente, para entender qual medicação se encaixa no perfil.”
Medicações contínuas
Dra. Thais lembra que, mesmo entendendo cada tipo de obesidade e seu perfil de medicação (caneta ou não), a obesidade é uma doença crônica como hipertensão e diabetes, e as medicações são contínuas. “Normalmente os pacientes utilizam a caneta continuamente, se a gente tira é por outra medicação que corrige resistência à insulina, mas são tratamentos contínuos.”
Estilo de vida
A médica ressalta a importância da mudança no estilo de vida, paralelamente à medicação. “O grande braço importante de cada perfil de obesidade, seja ela qual for, é o exercício físico e a dieta. A mudança do estilo de vida ajuda muito a medicação, que sozinha não faz milagre!”