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Voltar Medicina moderna e afeto redefinem a luta contra o câncer de mama

Medicina moderna e afeto redefinem a luta contra o câncer de mama

Oncologista aborda avanços no tratamento e importância do cuidado integrado
Texto: Giselle Torres Biaco/Coord. Marketing
29 de outubro, 2026

Nenhum diagnóstico precisa ser enfrentado sozinho. À medida que a ciência avança com tratamentos mais eficazes e menos invasivos, é preciso compreender também a importância da prevenção, do diagnóstico no tempo certo e de uma rede de apoio fortalecida para acolher quem passa por esse momento.

O médico oncologista Dr. Felipe Osório Costa, Diretor Técnico do setor de Oncologia da Unimed Rio Pardo, fala sobre os mais recentes avanços no tratamento do câncer de mama e a importância desse cuidado integrado.

Como a cirurgia e o tratamento do câncer de mama evoluíram nos últimos anos para se tornarem menos agressivos?

Dr. Felipe - O procedimento cirúrgico tem sido cada vez voltado para preservação da mama, quando possível, além de técnicas de reconstrução com objetivo de garantir uma boa estética para a mulher e menor mobilização dos gânglios da axila. O objetivo, além do estético, é evitar problemas que eram comuns no passado (como inchaço do braço, dificuldade para movimentação e impacto nas atividades diárias).

Em relação à continuidade do tratamento, quando indicado quimioterapia, atualmente dispomos de esquemas com menos efeitos colaterais e menor agressividade, especialmente em relação ao controle de náuseas e vômitos. A paciente consegue passar pelo período de tratamento de uma forma menos perturbadora.

O que são as terapias-alvo e a imunoterapia?

Dr. Felipe - São os tratamentos que a gente chama de sistêmicos. Existe o tratamento local, que são a cirurgia e a radioterapia, e existem os tratamentos que vão agir no corpo como um todo, seja a partir de medicamentos por via oral que serão absorvidos pelo intestino e vão para a corrente sanguínea, ou diretamente na corrente sanguínea/intramuscular.

No passado havia muita dependência da quimioterapia. Ela ainda é muito importante, porém trata-se de um tratamento mais indiscriminado que age tanto sobre as células do câncer quanto sobre as células normais.

A terapia-alvo procura bloquear proteínas importantes para o crescimento das células do câncer de mama, então ela é bem mais específica, tem menos efeitos colaterais e muitas vezes é associada à melhor resultado, o que nos possibilita o uso por mais tempo. Na neoplasia de mama, temos desde o tratamento hormonal até bloqueios de outras proteínas específicas (exemplo, a proteína HER2) com excelentes resultados, e isso é muito esperançoso.

Sobre a imunoterapia, o que acontece é o seguinte: o nosso sistema imune consegue agir contra substâncias estranhas, sejam microrganismos como vírus e bactérias, sejam células tumorais. Mas a célula tumoral tem uma forma de evitar essa ação do nosso sistema imune normal. A imunoterapia age justamente sobre isso, ela bloqueia essa forma do câncer fugir do ataque imune e a nossa imunidade consegue agir sobre o câncer de mama. É um tratamento bastante importante num tipo específico que não é dependente de hormônio e nem da proteína HER2. A gente usa bastante a imunoterapia, com bons resultados.

Qual é a diferença nas chances de cura entre um câncer de mama descoberto no estágio inicial e outro no estágio avançado?

Dr. Felipe - O diagnóstico precoce é muito importante. Às vezes a gente vê mulheres que notam o nódulo, mas estão lá cuidando do companheiro que está debilitado e ela vai deixando para depois, com medo de ser um câncer, com medo do que esse tratamento vai ser. Mas sempre o melhor é a gente se conhecer, saber o que está acontecendo e não ter medo de falar ou de buscar ajuda.

Em várias situações, com o diagnóstico precoce, pode-se ter uma chance de cura excelente, superior a 90%, 95%. Mas essa chance diminui bastante se ele for feito numa fase mais avançada da doença. Às vezes diagnosticamos quando o tumor já está além da mama e do gânglio da axila. Por isso devemos incentivar as mulheres a fazer o diagnóstico precoce e os exames de rastreamento (mamografia, eventualmente ultrassom de mama/ressonância), por orientação do médico.

O estado emocional e psicológico da paciente afeta a eficácia do tratamento clínico? Se sim, como familiares e amigos podem ajudar?

Dr. Felipe - Além de todos esses avanços técnicos que a ciência nos traz, a gente tem na nossa vida esse equilíbrio entre razão e emoção, que nos impacta diretamente. Todos nós temos inúmeros fatores pessoais que podem interferir no nosso emocional – criação de filhos, trabalho, cuidado dos idosos, momentos importantes de angústia, e o diagnóstico de câncer de mama é um momento desses difíceis. Envolve muita variação, tristeza, angústia, ansiedade, e é muito importante que a pessoa tenha com quem conversar, seja familiar ou amigo, que possa dizer sobre suas emoções, elaborar sobre elas, se equilibrar. Além da rede de apoio pessoal, é fundamental também o apoio do profissional da psicologia durante todo o tratamento.

Muitas vezes, a pessoa com fé, que tem uma rede de apoio, que está bem cuidada e não está solitária, pode ter resultados melhores. E ela pode passar pelo longo processo do tratamento acompanhada, o que vai diminuir muito a carga de sofrimento, aliada à doença.

No serviço de Oncologia da Unimed Rio Pardo, a humanização é um diferencial que tem sido motivo de muitos elogios por parte dos pacientes em tratamento. O que o senhor poderia dizer sobre o assunto?

Dr. Felipe - Na Unimed temos um serviço multidisciplinar bastante completo. Além dos oncologistas Dra. Nathália e eu, temos a enfermeira Graziele, a técnica em enfermagem Patrícia, a assistente administrativa Sandra na recepção, que é a primeira pessoa que recebe o paciente e tem uma importância enorme nesse acolhimento. E demais profissionais de saúde que ajudam muito no tratamento: psicóloga Larissa, nutricionista Danilo, farmacêutico Ricardo, fisioterapeuta Rafael e assistente social Amanda, que ajuda as pessoas com seus direitos e benefícios.

Todos nós procuramos entender a dimensão da doença na vida da pessoa e da família, como é que isso acaba afetando cada um dentro da sua individualidade, da forma como cada um vê seus medos, suas angústias, sua esperança. Falar, deixar uma impressão positiva quando ela existe, de que apesar do tratamento difícil e desgastante existe a cura, ou que vai valer a pena porque é um momento de estarmos juntos com as pessoas.

A humanização é uma questão muito da empatia, do carinho, da compaixão pelo próximo, e isso é muito presente em todos nós, da equipe. E é sempre uma troca: a gente se doa, temos as nossas vidas e as nossas famílias, mas também somos muito “alimentados” pelos familiares, pelos pacientes que nos incentivam e isso é muito bonito. A pessoa que, mesmo numa situação de precisar de ajuda, também consegue nos ajudar.

Nosso objetivo, sempre quando possível, é de curar as pessoas com a menor sequela possível depois do tratamento, e que ela siga sua vida muito bem.

Notas técnicas:
Resp. Técnico da Oncologia – Dr. Felipe Osório Costa, Médico, CRM/SP: 104096; RQE: 53431 (Oncologia Clínica)
Dra. Nathalia Beatriz Lellis Lustosa, Médica, CRM/SP: 193023; RQE: 149509 (Oncologia Clínica)


 


 

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