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SP começa a testar nesta terça imunização da chinesa Sinovac

SP começa a testar nesta terça imunização da chinesa Sinovac

SP começa a testar nesta terça imunização da chinesa Sinovac

22 Julho 2020

O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta segunda (20) a chegada de 20 mil doses da vacina contra o novo coronavírus que serão usadas no estudo experimental, comandado no Brasil pelo Instituto Butantan, para testar sua eficácia.

Segundo o ele, os testes começaram já nesta terça-feira (21), no Hospital das Clínicas. Participarão 890 voluntários, todos profissionais da saúde.

"Os pesquisadores do Hospital das Clínicas vão analisar os voluntários em consultas agendadas a cada duas semanas. A estimativa é de concluir todo o estudo da fase três de testes em até 90 dias", afirmou Doria.

O hospital será um dos 12 centros, espalhados nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e em Brasília, usados pelo Instituto Butantã para o estudo da eficácia da vacina criada pela farmacêutica privada chinesa, a Sinovac.

Os profissionais de saúde participantes receberão material para acompanhamento de possíveis sintomas, com explicações sobre o estudo do qual participam e passo a passo diário dos procedimentos.

Dos 9 mil voluntários selecionados para 0 programa de testes, metade receberá a vacina e a outra, placebo, explica Esper Kallas, infectologista do Hospital das Clínicas.

"Nossa ideia é capturar qualquer pessoa que porventura entre em contato com o vírus e desenvolva sintomas da Covid-19. As pessoas, portanto, para participar, deveriam ser aquelas que estão sob risco de contrair a Covid-19", explicou ele, sobre a escolha de selecionar apenas médicos da linha de frente do combate à pandemia.

Kallas explicou ainda que todos os voluntários serão acompanhados por uma equipe de profissionais, em um período de um ano,segundo o plano atual.

Presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que está com alta expectativa para a eficácia da vacina.

"[Se ela funcionar], poderemos ter essa vacina disponível para a população já no início do próximo ano. E quando falo disponível, isso quer dizer que no nosso acordo coma Sinovac, nós temos acesso a 120 milhões de doses vacinais, que seria suficiente para vacinarmos 60 milhões de brasileiros", afirmou.

Kallas explica que, caso outras vacinas venham a ser aprovadas, antes ou depois da Sinovac, elas também poderão ser usadas para o combate à pandemia.

Disse também que ainda não há previsão para a aplicação das doses na população, uma vez que a eficácia do composto ainda precisa ser comprovada. Só então será definido um plano de ação para a vacinação em massa da população, não só do estado, mas de todo o país.

"É natural a gente imaginar que tenhamos dois grupos principais, aqueles que estão sob risco de desen volvimento de doença mais grave, e o segundo, aquele núcleo de pessoas que é mais responsável pela manutenção da transmissão do vírus na comunidade".

De acordo com o infectologista, ainda faltam mais estudos que digam, com precisão, quem compõe este grupo vetor do vírus e por que.

"O andamento da epidemia tem conseguido destrinchar quais são as pessoas mais responsáveis pela transmissibilidade do vírus, mas essa informação a gente não domina completamente", ponderou.

A vacina da Sinovac, empresa com a qual o governo de São Paulo tem parceria, é apenas uma das muitas em desenvolvimento no mundo.

Um estudo publicado na revista científica Lancet nesta segunda deu indícios de que o composto, criado pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZenac, pode ser eficiente e seguro no combate ao novo coronavírus.

Anvisa planeja dar aval a mais um teste de vacina no Brasil

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) avalia mais dois pedidos de autorização para estudos clínicos de vacinas contra a Covid-19 no Brasil. A previsão é que um deles, em etapa final de análise, receba aval já nos próximos dias. Duas pesquisas já tiveram autorização para serem conduzidas no Brasil: a desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca e a do laboratório chinês Sinovac. Assim, o Brasil pode ter mais um terceiro teste em breve. A agência não divulgou os nomes das empresas que fizeram os pedidos por questões de sigilo.


Fonte: Folha de S.Paulo