Inovação em OPME/DMI: da necessidade clínica ao valor em saúde

Gestão de dispositivos médicos é muito mais do que negociar preços ou autorizar procedimentos. É acompanhar a tecnologia ao longo de toda a jornada do cuidado da necessidade clínica ao desfecho do paciente.
07 de outubro, 2026

Quando começa a gestão de uma órtese, prótese, material especial ou dispositivo médico implantável? Se a resposta for apenas no momento da negociação com o fornecedor, parte importante do processo já aconteceu.

Essa foi uma das provocações levadas por Débora Soares ao espaço de Materiais do 7º Encontro Técnico Mercosul. A apresentação propôs compreender a gestão de OPME/DMI como um ciclo que começa na identificação da necessidade clínica e passa por evidência, avaliação tecnológica, incorporação, padronização, autorização, aquisição, utilização e rastreabilidade antes de chegar ao desfecho.

Esse olhar muda, inclusive, o significado de inovação. Uma tecnologia pode ser nova, porque acaba de chegar ao mercado, ou inovadora, porque oferece uma abordagem diferente das disponíveis. Mas isso não significa automaticamente que ela agregue valor e ou que seja a melhor alternativa. Na apresentação, o valor aparece associado ao benefício relevante entregue em relação aos recursos empregados.

A particularidade dos dispositivos médicos torna essa análise ainda mais necessária. Diferentemente de um medicamento, cujo uso pode ser definido por molécula, dose, protocolo e indicação, o desempenho de um dispositivo médico também depende da técnica utilizada, do operador, da curva de aprendizagem do médico, das características do paciente e da própria estrutura disponível para o procedimento.

Por isso, acompanhar o que acontece depois da autorização passa a ser parte da gestão. Qual dispositivo foi utilizado? Em qual paciente? Houve complicação, reoperação ou reinternação? Qual foi o desfecho? A rastreabilidade permite identificar o produto; transformar esses registros em informação sobre resultados permite aprender com aquilo que foi incorporado.

O mesmo raciocínio vale para o custo. O preço pago pelo material é uma variável importante, mas não resume o impacto financeiro do cuidado. Tempo cirúrgico, permanência hospitalar, complicações, reoperações, reinternações, reabilitação e resultado clínico também compõem o custo real de um episódio assistencial.

A padronização, portanto, não precisa significar restrição ou escolha automática pela alternativa mais barata. No modelo apresentado, ela envolve critérios clínicos, evidência, equivalência tecnológica, alternativas disponíveis, negociação, possibilidade de exceções justificadas e monitoramento dos resultados.

A discussão aponta para uma mudança de perspectiva: sair de uma gestão concentrada na compra para uma gestão da tecnologia ao longo de todo o cuidado. Como sintetizou a apresentação, o futuro da gestão de OPME/DMI passa por transformar inovação em valor.

O 7º Encontro Técnico Unimed Mercosul foi realizado nos dias 10 e 11 de setembro de 2026, no CentroSul, em Florianópolis, reunindo equipes técnicas e lideranças do Sistema Unimed em sete espaços temáticos para dois dias de debates, formação e troca de experiências. A 8ª edição está prevista para os dias 23 e 24 de setembro de 2027, novamente no CentroSul, em Florianópolis.






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