Voltar O futuro da saúde passa pela inteligência artificial, dados de qualidade e valor humano

O futuro da saúde passa pela inteligência artificial, dados de qualidade e valor humano

Painel reúne lideranças da medicina, tecnologia, arquitetura e gestão pública para discutir os caminhos da transformação digital no setor de saúde.
Texto: Agência Unimed de Notícias
07 de agosto, 2025

Em uma mesa de debates multidisciplinar, realizada no dia 6 de agosto durante a Convenção Técnica Unimed 2025, especialistas de diferentes áreas refletiram sobre o impacto da inteligência artificial (IA) na reinvenção da saúde. Moderada por Gualter Ramalho, diretor de Mercado e Marketing da Unimed do Brasil, a atividade integrou os painéis voltados à Comunicação, Marketing, Experiência do Cliente e Estratégias de Mercado, e propôs uma discussão ampla sobre o tripé da nova saúde: IA, dados e valor.

Geber Ramalho, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), abriu o debate destacando que a IA é uma tecnologia disruptiva, capaz de transformar profundamente os modelos assistenciais. Segundo ele, para que seu uso seja eficiente, é preciso superar três níveis de desafio: técnico, cultural e ético. A dificuldade de integração entre sistemas e a correta interpretação dos dados ainda são barreiras importantes. Além disso, é necessário desmistificar a IA como substituta de profissionais, e sim entendê-la como aliada. “Não é a IA que vai substituir você, mas o profissional que sabe utilizá-la com estratégia”, destacou.

 

A fala encontrou eco em Marcelo Loureiro, médico especializado em cirurgia robótica, que reforçou que a adoção de tecnologias como essa é um caminho sem volta, vindo na esteira da cirurgia minimamente invasiva. Para ele, o Brasil já conta com estrutura e expertise suficientes para avançar nessa direção, desde que os investimentos em IA sejam encarados como prioridade estratégica. A importância dos dados também foi destacada por Dênio Mariz, superintendente de Recursos Próprios da Unimed João Pessoa. Ele defendeu que os dados, antes considerados meramente estratégicos, hoje se tornam habilitadores de informação e inteligência. “A IA se alimenta da qualidade dos dados; sem isso, não há transformação real”, afirmou.

Maurício Cerri, superintendente de Inovação e Novos Negócios da Unimed do Brasil, trouxe ao debate as iniciativas promovidas pela Confederação para fomentar o uso responsável da IA no Sistema Unimed, como o Programa Nacional de Inteligência Artificial, que capacita cooperados e colaboradores em todo o país. Complementando essa perspectiva, Paulo Magnus, presidente da MV, defendeu que a tecnologia deve sustentar o modelo de uma “saúde sem portas”, com dados integrados e fluxos otimizados, capazes de qualificar o atendimento, inclusive em cenários de urgência e emergência. Para ele, essa integração ampla é viável e está cada vez mais próxima com o avanço da IA.

 

Finalizando o painel, Lauro Miquelin, arquiteto, trouxe uma abordagem humanizada ao discutir o conceito de hospital do futuro. Para ele, o design inteligente deve ser capaz de promover bem-estar e qualidade de vida, mesmo em contextos de vulnerabilidade. A diversidade de perspectivas reforçou a mensagem central do debate, sintetizada por Gualter Ramalho no encerramento: “Precisamos construir um ecossistema de saúde que una inteligência artificial, qualidade de dados e colaboração entre áreas, sempre com ética, estratégia e sensibilidade humana”.