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As falhas de segurança cibernética e de privacidade no setor de saúde não começam nos servidores de tecnologia, mas nas reuniões em que as decisões de gestão são tomadas ou adiadas. Essa foi a mensagem central do advogado, Encarregado de Proteção de Dados e CEO da HDPO e PROTEGON, João Gonçalves, na palestra "Segurança e Privacidade na Saúde: o risco não é tecnológico, é decisório".
"A tecnologia é o lugar onde o incidente aparece. A decisão é o lugar onde ele nasce. Decisão é a matéria-prima do trabalho de quem dirige uma cooperativa", afirmou.
Segundo o palestrante, cenários de crise, como a queda do sistema de pronto atendimento ou a indisponibilidade de prontuários, costumam ser resultado de escolhas anteriores, como o adiamento de testes de backup, a contratação de fornecedores sem avaliação de riscos ou a falta de um plano claro de contingência assistencial.
João Gonçalves lembrou ainda que, embora o dado de um beneficiário circule por múltiplos sistemas, consultórios, laboratórios e empresas parceiras, para a sociedade e para os órgãos reguladores existe apenas um responsável: a Unimed. "Para a beneficiária, a nuvem, o prestador ou a inteligência artificial não existem. Existe o nome na carteirinha. Quando algo dá errado em qualquer ponto da linha, a marca afetada na imprensa, no processo e na regulamentação é uma só", alertou.
Para transformar a conformidade em rotina de gestão, ele defendeu que é preciso dar autonomia, recursos e acesso direto à diretoria para o Encarregado de Proteção de Dados, avaliar previamente os fornecedores e incluir cláusulas rígidas de privacidade nos contratos, realizar testes constantes de restauração de dados e manter planos de atendimento assistencial em papel para casos de indisponibilidade de sistema. Também é fundamental estabelecer regras claras para o uso de e-mails, aplicativos de mensagem e ferramentas de Inteligência Artificial no dia a dia e usar o caderno do Programa Nacional de Governança em Proteção e Privacidade de Dados do Sistema Unimed como um painel de acompanhamento contínuo.
"Segurança da informação protege o dado, o dado protegido protege a pessoa. A pessoa protegida confia, e a confiança é o que permite conectar e cuidar com resultado", concluiu.
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