Telecirurgia robótica realizada pela Unimed JP é transmitida para o maior congresso de urologia oncológica do mundo

Cirurgia foi realizada com internet de baixo custo, a mesma utilizada em residências
Texto: Agência Unimed de Notícias
24 de abril, 2026

A Unimed João Pessoa realizou na sexta-feira passada (17), em parceria com a Edge Medical e o Grupo Bhio Supply, mais uma telecirurgia inédita nas Américas: a primeira prostatectomia radical do continente com transmissão ao vivo para o maior evento da área de urologia oncológica do mundo, realizado no WTC, em São Paulo.


A prostatectomia radical é o principal tratamento para o câncer de próstata localizado e consiste na remoção total do órgão. O paciente, um homem de 56 anos, foi operado no centro cirúrgico do Hospital Alberto Urquiza Wanderley, com o robô situado em João Pessoa e os consoles compartilhados entre a capital paraibana e São Paulo, a uma distância de 2.771 quilômetros.


O procedimento, com duração de pouco mais de duas horas, foi realizado com internet de baixo custo - a mesma utilizada em residências - e apresentou um delay de apenas 53 milissegundos (0,05 segundos). Na prática, não houve diferença perceptível entre os comandos dos cirurgiões localizados em João Pessoa e São Paulo e a execução do movimento dos braços do robô. O paciente evolui bem no pós-operatório.


"Notabiliza-se uma ruptura de fronteiras, a consolidação da telecirurgia como uma nova era da cirurgia: a era da cirurgia digital inclusiva", destacou o diretor de Mercado e Marketing da Unimed do Brasil e presidente da Unimed João Pessoa, Gualter Lisboa Ramalho, anestesiologista que integrou a equipe do procedimento.
Ele ressaltou que o Hospital Alberto Urquiza Wanderley se consolida como a maior referência em telecirurgia do país e uma das principais das Américas. "Já são seis cirurgias realizadas, todas em caráter inédito", afirmou. O robô utilizado - modelo MP 1000, da Edge Medical - é o primeiro dessa tecnologia no Sistema Unimed e o segundo instalado no Brasil e nas Américas.


A equipe de cirúrgica urológica foi formada pelos médicos Rafael Mourato, Leandro Tavares e Artur Paludo, enquanto a anestesia ficou sob a responsabilidade de Gualter Ramalho e de Larissa Oliveira, médica residente do Centro de Ensino e Treinamento (CET) credenciado pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA).


O console remoto, em São Paulo, foi operado pelo cirurgião André Berger. "A gente conseguiu fazer uma cirurgia oncologicamente adequada, preservadora. Esse paciente, provavelmente, vai manter a função erétil, vai manter a continência urinária", afirmou o médico. O evento contou com a parceria da Edge Medical, Bhio Supply e Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).


COBERTURA NO ROL DA ANS


A prostatectomia radical robótica foi a primeira cirurgia robótica aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) para o SUS, em agosto do ano passado. Posteriormente, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu o procedimento no rol de cobertura obrigatória, com vigência a partir de 1 de abril de 2026.


Entre os principais benefícios da cirurgia robótica e da telecirurgia estão maior precisão, segurança, recuperação mais rápida, menor dor pós-operatória, redução do tempo de internação, menor sangramento e menor risco de infecção. "A visão 3D ampliada e os instrumentos articulados permitem uma dissecação mais refinada, especialmente em planos anatômicos delicados. Além disso, há menor sangramento intraoperatório e melhores desfechos de continência urinária e função erétil", explicou Rafael Mourato.


O cirurgião Artur Paludo destacou que a técnica já está consolidada há mais de duas décadas. "Os benefícios da cirurgia minimamente invasiva são amplamente comprovados: maior precisão, menor sangramento, menor inflamação e dor, além de recuperação mais rápida e melhores resultados funcionais", afirmou.


Leandro Tavares, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), reforçou o impacto do avanço. "A telecirurgia representa um salto decisivo rumo à inclusão tecnológica, à democratização do acesso e à excelência dos resultados cirúrgicos".


CONGRESSO INTERNACIONAL


A transmissão ao vivo foi acompanhada por especialistas de diversos países durante o 17º Congresso Internacional de Uro-Oncologia, principal congresso mundial de urologia oncológica, que reuniu líderes globais da área de 15 a 18 de abril. Gualter Ramalho afirmou que o procedimento colocou definitivamente João Pessoa e o Sistema Unimed no centro das discussões sobre o futuro da cirurgia digital.

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