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Dezembro Laranja – Quando uma mancha na pele deve preocupar?

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil
Texto: Dr. Jhonatan Presotto
08 de dezembro, 2025
Dr. Jhonatan Presotto - Dermatologista (CRM 33572 RQE 35660)

 

Todos os anos, no mês de dezembro, a campanha Dezembro Laranja reforça um alerta essencial: o câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, responsável por cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados. Apesar da alta incidência, a boa notícia é que ele também é o tipo mais prevenível e com maiores chances de cura, desde que diagnosticado precocemente.

E é justamente aí que entra a dúvida que mais escuto no consultório:

                “Doutor, quando uma mancha na pele deve realmente me preocupar?”

A seguir, explico de forma simples e objetiva os sinais que todos precisam observar.

Por que o Dezembro Laranja é tão importante?

                Vivemos em um país tropical, com alta exposição solar durante todo o ano e índices elevados de radiação ultravioleta. A combinação de sol intenso com hábitos culturais — como lazer ao ar livre, esportes, praias e piscinas — torna nossa população especialmente vulnerável.

                O objetivo do Dezembro Laranja é incentivar:

            ✔ prevenção

            ✔ detecção precoce

            ✔ conscientização sobre riscos

            ✔ mudança de comportamento

Afinal, o que é uma “mancha suspeita”?

                Embora a maioria das manchas da pele seja benigna, algumas merecem atenção especial. Em dermatologia, olhamos principalmente para manchas novas, pintas que mudam e lesões que não cicatrizam.

1. Quando a pinta muda de aparência

Uma das regras mais úteis é a do ABCDE do Melanoma:

                • A – Assimetria: uma metade diferente da outra

                • B – Bordas irregulares: contorno “denteado” ou mal definido

                • C – Cor variável: tons de preto, marrom, vermelho, branco ou azul na mesma lesão

                • D – Diâmetro maior que 6 mm: embora melanomas possam ser menores

                • E – Evolução: qualquer mudança em semanas ou meses (crescimento, coceira, sangramento)

                Se um desses critérios está presente, a pinta deve ser avaliada por um dermatologista.

2. Mancha que coça, descama ou sangra sem motivo

                Lesões que irritam continuamente ou sangram ao simples toque podem indicar desde infecções até câncer de pele não melanoma.

3. Feridas que não cicatrizam em 4 semanas

                Esse é um dos sinais mais típicos dos carcinomas de pele. Uma ferida que abre e fecha repetidamente, ou que simplesmente nunca cicatriza, precisa ser examinada.

4. Manchas rosadas ou peroladas que crescem lentamente

                São comuns no carcinoma basocelular, o tipo mais frequente e menos agressivo — mas que deve ser tratado para não invadir estruturas profundas.

Quem tem maior risco?

Alguns grupos merecem atenção redobrada:

                • Pessoas de pele clara, ruivas ou loiras

                • Quem tem muitos sinais (nevos)

                • Histórico pessoal ou familiar de câncer de pele

                • Profissionais que trabalham ao ar livre

                • Usuários frequentes de bronzeamento artificial (proibido no Brasil, mas ainda praticado ilegalmente)

                • Pacientes imunossuprimidos

E as manchas comuns? Quando não se preocupar?

                Nem toda mancha é motivo de alerta. Melasmas, sardas, lentigos solares e hiperpigmentações pós-inflamatórias são extremamente comuns no Brasil.

                A diferença é que essas manchas não mudam de forma acelerada e costumam ter comportamento estável. Ainda assim, apenas o dermatologista pode confirmar o diagnóstico seguro.

A importância de consultar um dermatologista regularmente

                O exame dermatológico anual — o famoso check-up da pele — é uma das medidas mais eficazes para salvar vidas. Em pacientes de alto risco ou com múltiplas pintas, o acompanhamento pode ser semestral, muitas vezes utilizando dermatoscopia digital e mapeamento corporal.

                A qualquer sinal suspeito, o dermatologista pode indicar uma biópsia, procedimento simples, rápido e que esclarece o diagnóstico com precisão.

Prevenção: o melhor tratamento começa antes do problema

Pequenas atitudes diárias fazem grande diferença:

                • Usar filtro solar todos os dias, inclusive nos dias nublados

                • Reaplicar o protetor a cada 2–3 horas em exposição contínua

                • Usar chapéus, roupas com proteção UV e óculos escuros

                • Evitar o sol entre 10h e 16h

                • Não buscar o “bronzeado perfeito”: ele é, na verdade, um sinal de dano celular

                • Ensinar crianças desde cedo a importância da proteção solar

                • Nunca ignorar mudanças na pele

Mensagem final

                O Dezembro Laranja nos lembra que o autocuidado é uma forma de amor por nós mesmos e por nossa família. Uma simples mancha pode ser apenas um detalhe — ou o sinal inicial de algo que conseguimos tratar com facilidade, se detectado no momento certo.

                Portanto, fique atento, examine sua pele e não hesite em procurar um dermatologista ao notar qualquer alteração.

                Cuidar da pele é cuidar da vida.

 

Dr. Jhonatan Presotto - Dermatologista (CRM 33572 RQE 35660)

Atuação em Estética Avançada, Tricologia e Medicina Integrativa

Formação complementar em Nutrição Esportiva

Fellowship em Fisiologia Metabólica

Foco em Saúde Integral, Performance Humana e Longevidade Saudável

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