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Amamentação e COVID-19: como conciliar?

Amamentação e COVID-19: como conciliar?

Veja os cuidados para amamentar se estiver doente e o que fazer caso precise suspender a amamentação e queira retomar depois

Amamentação e COVID-19: como conciliar?

3 Setembro 2020

O aleitamento materno é a melhor forma de nutrir o bebê, mesmo em tempos de COVID-19. Amamentar nem sempre é fácil. Quando a mãe adoece, o desafio é ainda maior e requer muito apoio.

O que fazer quando a mãe está com COVID-19? Dependendo da gravidade, é possível prosseguir ou suspender a amamentação temporariamente e retomar depois. O apoio de profissionais de saúde e familiares ajuda muito nesse processo, mas a decisão final é da mãe.

 

Fluxo de decisão sobre amamentação e COVID-19

Suspensão temporária e retomada do aleitamento: ordenha e relactação

Situações em que a amamentação é contraindicada

 

Fluxo de decisão sobre amamentação e COVID-19

mãe amamenta bebê

A forma de conduzir o aleitamento varia conforme a gravidade e a possibilidade de implementar medidas de higiene e segurança. Nesse sentido, algumas questões importantes devem ser feitas:

A mãe está com COVID-19, mas bem disposta?

Não há, até o momento presente, evidências científicas de transmissão do novo coronavírus por meio do leite materno de mãe contaminada. Os estudos iniciais também apontam para um baixo risco de infecção por COVID-19 entre bebês.

Considerando esses pontos, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) consideram que os benefícios do aleitamento materno superam o risco de contaminar o bebê.

A amamentação e o contato pele a pele reduzem significativamente o risco de morte em recém-nascidos e mães. As vantagens para a saúde e o desenvolvimento são imediatas e permanecem ao longo da vida. A amamentação também reduz o risco de câncer de mama e de ovário na mãe.

Por isso, o aleitamento materno segue sendo fortemente indicado, mesmo entre as mães com suspeita ou confirmação de COVID-19, desde que a mãe se sinta bem clinicamente e disposta para amamentar.

Porém, alguns cuidados são necessários: a mãe precisa usar máscara e higienizar as mãos antes de amamentar. Caso tenha espirrado ou tossido sobre o peito, é importante higienizar a área das mamas também. Com esses cuidados, é possível manter o aleitamento materno e proteger a criança.

Se a mãe contaminada não se sentir à vontade em amamentar diretamente, pode extrair o leite (ordenha) para oferecer ao bebê por um cuidador saudável. Falaremos sobre essas técnicas logo abaixo.

Importante: a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) ressalta que os estudos ainda são iniciais e que as orientações poderão ser revistas conforme novas evidências científicas.

E quando o estado da mãe for grave, ela estiver debilitada e não conseguir amamentar? 

Caso seja o desejo da mãe, é possível optar pela suspensão temporária da amamentação e posterior retomada:

  1. Se for possível extrair o leite materno através de ordenha, ele poderá ser oferecido ao bebê em um copinho. Quando a mãe estiver recuperada, pode retomar a amamentação direta no peito.
  2. Se não for possível retirar leite, o pediatra indicará o alimento apropriado para o bebê. Depois da recuperação, se a mãe estiver disposta, é possível tentar o processo de relactação.

 

Suspensão temporária e retomada do aleitamento: ordenha e relactação

bombas de retirar leite materno

Por COVID-19 ou por qualquer outro fator debilitante, é possível fazer a suspensão temporária da amamentação e retomar depois da recuperação. A ordenha e a relactação podem ajudar muito nesse processo. Você conhece essas técnicas?

 

Ordenha

A ordenha é útil para aliviar o desconforto provocado por uma mama muito cheia e manter a produção de leite. A recomendação é que seja feita de 8 a 12 vezes por dia, com bombinhas manuais ou elétricas ou por processo totalmente manual.

Seja qual for o método de extração, são necessários os seguintes cuidados para oferecer o leite ordenhado da mãe ao bebê:

  • Utilizar recipiente de vidro esterilizado para receber o leite, preferencialmente vidros de boca larga com tampas plásticas, que possam ser submetidos à fervura por no mínimo 15 minutos
  • Usar touca ou um pano limpo para prender os cabelos
  • Evitar falar, espirrar ou tossir durante a ordenha
  • Usar máscara ou pano limpo para cobrir a boca 
  • Lavar as mãos e os braços até a altura dos cotovelos com bastante água e sabão
  • As unhas devem estar limpas e, de preferência, curtas
  • Lavar as mamas apenas com água; o uso de sabonetes ou álcool deve ser evitado, pois ressecam os mamilos e os predispõem a fissuras
  • Secar as mãos e as mamas com toalha individual ou descartável
  • Posicionar o recipiente onde será coletado o leite materno próximo ao seio

 

Como fazer a ordenha manual de leite materno?

  • Procurar uma posição confortável, relaxante. Pensar no bebê pode auxiliar na ejeção do leite
  • Massagear delicadamente a mama com a ponta dos dedos, com movimentos circulares, da aréola (o círculo que envolve o mamilo) em direção à base da mama
  • Manter o corpo inclinado, com o tórax curvado sobre o abdome, para facilitar a saída do leite e aumentar o seu fluxo
  • Posicionar os dedos da mão em forma de “C”, com o polegar na aréola acima do mamilo e o dedo indicador abaixo do mamilo na transição aréola-mama, em oposição ao polegar, sustentando o seio com os outros dedos
  • Usar preferencialmente a mão esquerda para ordenhar a mama esquerda e a mão direita para a mama direita, ou as duas mãos simultaneamente (técnica bimanual)
  • Fazer leve pressão do polegar e do dedo indicador, um em direção ao outro, e leve pressão em direção ao peito. Pressão muito forte pode bloquear os ductos de leite
  • Após a pressão, soltar. Repetir essa manobra tantas vezes quanto necessárias
  • A princípio, o leite pode não fluir, mas depois de pressionar algumas vezes, o leite começa a pingar e pode fluir em jorros, conforme a resposta hormonal (ocitocina)
  • Desprezar os primeiros jatos; assim, melhora a qualidade do leite pela redução dos contaminantes microbianos
  • Mudar a posição dos dedos ao redor da aréola para que todas as áreas da mama sejam esvaziadas
  • Iniciar a ordenha da outra mama quando o fluxo de leite diminuir
  • Alternar a mama e repetir a massagem e o ciclo várias vezes
  • Lembrar que ordenhar leite de peito adequadamente leva mais ou menos 20 a 30 minutos, em cada mama, especialmente nos primeiros dias, quando apenas uma pequena quantidade de leite pode ser produzida 
  • Podem ser ordenhados os dois seios simultaneamente 
  • Rotular o frasco com a data da coleta 
  • Guardar imediatamente o frasco na geladeira ou freezer, em posição vertical

Fonte:  Guia de atenção à saúde do recém-nascido - Ministério da Saúde

 

Movimentos de ordenha manual
1- Massagem com movimentos circulares, da aréola em direção à base da mama. 2- Mão em forma de “C”. 3- Expressão da mama.

Veja mais dicas de como armazenar o leite materno

Como oferecer o leite ordenhado ao bebê

O leite ordenhado deve ser oferecido à criança de preferência utilizando-se copo, xícara ou colher. Assim, evita-se a “confusão de bicos”, que pode atrapalhar a retomada do aleitamento no peito.

  • Melhor não esperar a fome do bebê chegar para oferecer o leite. Ele precisa estar desperto e tranquilo no colo, sentado ou semissentado
  • Encoste a borda do copo (ou colher) no lábio inferior do bebê e deixe o leite materno tocar a boquinha. O bebê fará movimentos de lambida do leite, seguidos de deglutição
Importante: nunca despeje o leite na boca do bebê. Isso pode provocar engasgo e aspiração.
O leite ordenhado pode ser conservado em geladeira por 12 horas e no freezer ou congelador por 15 dias. Descongele, de preferência, dentro da geladeira. Uma vez descongelado, aqueça em banho-maria fora do fogo. Antes de oferecer à criança, o leite deve ser agitado suavemente para homogeneizar a gordura.

Relactação

O leite secou, mas a mãe quer voltar a amamentar depois de recuperada? Se não foi possível ordenhar ou se a ordenha não foi suficiente para manter a produção, é possível tentar a técnica de relactação.

Nesse método, usado também por mulheres que adotam recém-nascidos, a sucção do bebê desencadeia um reflexo hormonal (prolactina e ocitocina), que estimula a descida do leite.

As chances de sucesso da relactação variam e tendem a ser maiores em casos em que o bebê ficou menos tempo sem mamar. É fundamental transmitir tranquilidade e confiança para a mãe que tenta o processo, pois o estresse e a cobrança podem atrapalhar o trabalho dos hormônios.

Para promover a sucção e a relactação, uma sonda é fixada junto à mama da mãe, com o orifício na altura do mamilo. Na outra ponta da sonda, fica armazenado o leite artificial, que flui conforme o bebê suga.

O método também pode ser feito com o leite da própria mãe, se ela ainda tiver armazenado. Nesse caso, se chama translactação.

A quantidade de leite deve ser combinada com o pediatra, de forma a não saciar a criança completamente (para que ela continue sugando o mamilo), mas se mantenha bem nutrida. O médico também pode sugerir à mãe medicamentos que estimulem a produção de leite durante o processo de relactação.

Importante: a relactação é uma tentativa que requer muito apoio, tanto para dar certo, tanto para o caso de não funcionar.

 

Situações em que a amamentação é contraindicada

mãe e bebê na cama

São poucas as situações em que o Ministério da Saúde recomenda interromper totalmente a amamentação: é o caso de mães infectadas pelo HIV e pelo HTLV1 e HTLV2 (vírus da leucemia humana T-cell), pois existe o risco de transmissão pelo leite materno. Também no caso de criança portadora de galactosemia, doença rara em que ela não pode ingerir leite humano ou qualquer outro que contenha lactose, e de alguns medicamentos, especialmente os usados contra o câncer, incompatíveis com a amamentação.

Por isso, converse sempre com seu médico. Na maioria dos casos, se for da vontade da mãe e tiver uma rede apoio ajudando, é possível fazer a suspensão apenas temporária. 

O recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é que a criança receba exclusivamente o leite materno até os seis meses. E depois disso, como complemento, até os dois anos de idade. Mas existem situações e casos individuais que devem ser conversados com o médico de confiança.


Texto: Agência Babushka | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Fonte: Ministério da Saúde, SBP, UFGD, Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil


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