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Hepatites virais: perguntas e respostas

Hepatites virais: perguntas e respostas

Confira os sintomas, as causas e as maneiras de prevenção das hepatites A, B, C, D e E

Hepatites virais: perguntas e respostas

22 Julho 2021

Existem muitos vírus que podem causar hepatites, concentrados, principalmente, em cinco variações da doença: A, B, C, D e E. No geral, as hepatites causam diferentes tipos de inflamação no fígado, com maior ou menor intensidade, sendo que as mais letais são as três primeiras.

O combate a essas doenças do fígado parte da prevenção e do diagnóstico precoce, logo nos primeiros sintomas – ou na falta deles, como veremos. Para auxiliar, criamos uma série de perguntas e respostas, abordando diversos detalhes da doença. Saiba mais:

 

1 - Afinal, o que acontece quando alguém está com hepatite?

Nosso fígado tem funções essenciais para a manutenção do corpo. Ele filtra o sangue bombeado pelo coração, para retirar impurezas e substâncias nocivas, que são eliminadas nas fezes e na urina. Álcool, drogas e alguns medicamentos são “filtrados” pelo órgão.

Ele também é o órgão responsável por produzir a bile, líquido que auxilia o sistema digestivo a quebrar as moléculas dos alimentos, além de armazenar a energia de tudo que consumimos.

Quando o organismo desenvolve algum tipo de hepatite, acontece uma inflamação no fígado, mais frequentemente causada por processos infecciosos, com intensidade que pode variar de acordo com a causa. Sendo assim, as células do órgão são destruídas, prejudicando seu funcionamento.

Por isso, os principais sintomas, como veremos a seguir, envolvem mudanças na coloração da pele e de dejetos corporais, que estão diretamente ligados à atuação do fígado no corpo.

 

2 - Qual é a diferença entre hepatite viral e não viral?

As hepatites virais, como o próprio nome indica, são causadas por vírus. As mais comuns no Brasil são as causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda o D, mais frequente na região Norte do Brasil, e o E, mais comum na Ásia e na África.

As hepatites não virais podem ser decorrentes do uso de alguns medicamentos, drogas ilícitas e consumo de álcool, e resultar em doenças como cirrose hepática e até mesmo câncer, além de variações das doenças do fígado.

 

3 - Quais são as vacinas para hepatite viral?

Até o momento, as variações A e B possuem vacinas disponíveis. Na vacina exclusiva para hepatite B, a imunização acontece em três etapas, com espaçamento de um, três e seis meses entre cada dose. Já a vacina para a hepatite A é fornecida para crianças a partir dos 12 meses de idade e adultos portadores de doenças crônicas no fígado.

A vacina para hepatite B previne a contaminação pelo vírus HVB e é indicada para todos que desejam estar imunizados, mas é obrigatória para profissionais que tenham qualquer tipo de contato com sangue e fluídos corporais, como é o caso de profissionais da saúde, por exemplo.

 

4 - Como a hepatite A é transmitida e quais são os sintomas?

O vírus pode ser transmitido por meio do consumo de (ou contato com) água ou alimentos contaminados ou contato direto pessoa a pessoa. Como falamos, é uma das variações mais comuns no Brasil, principalmente em áreas em que as condições de saneamento básico e higiene são precárias.

Mesmo em casos em que não há sintomas, as pessoas infectadas podem contaminar outras. Esse tipo de hepatite é totalmente curável, mas há casos em que é desenvolvida uma complicação, chamada de hepatite fulminante, que pode levar à morte. O diagnóstico acontece através de exames de sangue laboratoriais.

Quando há sintomas, os mais comuns são:

  • Cansaço
  • Tontura
  • Enjoo
  • Vômitos
  • Febre
  • Dor abdominal
  • Icterícia (pele e olhos amarelados)
  • Urina escura e fezes claras

A prevenção é feita por meio de vacina disponível no SUS, para crianças com menos de cinco anos e adultos portadores de doenças crônicas do fígado, como hepatites B ou C, e cirrose. Também é recomendada a vacinação para adultos não vacinados e que desconhecem o histórico de doença prévia, antes de viagens para áreas conhecidamente endêmicas.

Algumas atitudes, como lavar sempre as mãos, consumir apenas água tratada, evitar contato com enchentes ou locais onde haja esgoto a céu aberto também são maneiras de se prevenir.

 

5 - Como a hepatite B é transmitida e quais são os sintomas?

A hepatite B é uma infecção causada pelo vírus HVB, e a transmissão ocorre quando alguém não imunizado entra em contato com sangue, sêmen ou outros fluidos corporais de uma pessoa infectada, por meio do contato sexual desprotegido, compartilhamento de agulhas e objetos cortantes contaminados, como lâminas de barbear ou alicates de unha. O contágio também pode ocorrer da mãe para o bebê durante gravidez, parto e amamentação.

Para muitas pessoas, a hepatite B é uma doença de curta duração. Para outras, pode se tornar uma infecção crônica de longo prazo que pode levar a problemas de saúde sérios e fatais, como cirrose ou câncer de fígado.

Nem todas as pessoas recentemente infectadas apresentam sintomas, mas, para quem apresenta, a manifestação da doença pode incluir:

  • Fadiga
  • Falta de apetite
  • Dor de estômago
  • Náuseas
  • Coloração amarelada na pele e olhos

A melhor maneira de prevenir a hepatite B é fazer a vacinação em três doses, respeitando o tempo de descanso entre uma e outra. Além disso, são importantes o uso de preservativos em relações sexuais e atitudes como não compartilhar objetos cortantes de uso pessoal, como alicates de unha, agulhas, seringas e materiais usados para colocação de piercings ou agulhas de tatuagem.

 

 

6 - Como a hepatite C é transmitida e quais são os sintomas?

A hepatite C, que é a mais letal e frequente, é causada pelo vírus HCV. A transmissão costuma acontecer por meio do contato com sangue contaminado, em situações como compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas, recém-nascido de mãe infectada, relações sexuais desprotegidas, tatuagens ou piercings com instrumentos não esterilizados, além de objetos pessoais contaminados (lâmina de barbear, escova de dentes, monitores de glicose).

A doença causada por esse vírus age de maneira silenciosa e manifesta sintomas apenas quando está em fase avançada – quando há insuficiência do fígado. Os mais frequentes são:

  • Inchaço nas pernas
  • Aumento do abdome
  • Olhos amarelados

Quando o diagnóstico é feito corretamente, o tratamento costuma durar menos de seis meses. Depois desse período, a doença pode evoluir para um estágio crônico, dificultando o combate. Por ser comum, os órgãos de saúde recomendam que toda pessoa acima dos 40 anos faça os exames de detecção, ao menos, uma vez ao ano, que analisam as enzimas do fígado e detectam a presença da doença.

 

7 - Como a hepatite D é transmitida e quais são os sintomas?

Este é o tipo menos comum no Brasil (com casos mais frequentes na região Norte do país). A hepatite D, conhecida como “hepatite delta”, é uma infecção hepática causada pelo vírus da hepatite D (HDV), e também é transmitida por contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas contaminadas.

Ela ocorre apenas em pessoas que também estão com hepatite B (coinfecção) ou que foram infectadas com o vírus da hepatite B (superinfecção). Quando em fase aguda, não apresenta sintomas, ou manifesta alguns como:

  • Febre
  • Urina escura
  • Fezes esbranquiçadas
  • Coloração amarelada da pele e dos olhos

Quando evolui para hepatite crônica, praticamente não há sintomas. Mas, assim como as demais, pode causar câncer e cirrose.

Ainda não existe vacina para prevenir a hepatite D, mas a vacinação em três etapas do tipo B auxilia na prevenção, além dos cuidados básicos vistos nas perguntas anteriores (não compartilhar objetos cortantes, agulhas, praticar sexo com proteção, etc). O diagnóstico é feito por exame de sangue e o tratamento acontece com o uso de medicação injetável.

 

8 - Como a hepatite E é transmitida e quais são os sintomas?

Há poucos casos desta variação no Brasil, prevalecendo em regiões da África e Ásia. É causada pelo vírus HEV, presente em locais com saneamento básico comprometido.

Outras maneiras de infecção envolvem consumo de água contaminada por fezes de pessoas infectadas com o vírus ou alimentos contaminados, como carne crua ou mal cozida, principalmente de origem animal (ex: carne de porco) e mariscos.

Os sintomas são similares aos das demais citadas. O que difere é a intensidade da infecção, que pode ser aguda e de curta duração (entre 2 e 6 semanas), ou fulminante, que ocorre com mais frequência em gestantes.

 

9 - Acredito que estou com hepatite, onde posso buscar ajuda?

Cada tipo de hepatite tem um diagnóstico. Na maioria dos casos, testes de sangue auxiliam na detecção da doença e demandam outros exames específicos para entender de qual variação se trata.

Por isso, é recomendado que o teste para hepatite seja feito anualmente, a partir dos 40 anos. Ou sempre que houver contato com algum agente de risco, como ao realizar uma tatuagem, por exemplo. Se houver suspeita de contato com sangue contaminado, o paciente deve buscar atendimento com um profissional de confiança o mais breve possível.

Na maioria dos casos, as hepatites virais têm cura com medicamentos. Quanto antes o diagnóstico for feito, melhores são as chances de não deixar a doença evoluir para um caso crônico.

 

10 - Hepatite é comorbidade para COVID-19?

Adultos de qualquer idade com certas condições médicas subjacentes, incluindo pessoas com doença hepática (como hepatite B ou hepatite C), podem ter maior risco de desenvolver formas graves da COVID-19.

Quem estiver recebendo atendimento para hepatite B ou C deve seguir com o tratamento normalmente, a menos que orientado de outra forma por seu médico e manter os cuidados recomendados pela OMS, como uso de máscara, higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, distanciamento físico e evitar aglomerações.

Alguns dos grupos em risco de hepatite viral ou doença grave causada por hepatite viral também podem estar em risco aumentado de doença grave se infectados pelo vírus da COVID-19, nestes casos, a recomendação do médico assistente é fundamental, especialmente sobre a questão da vacinação e outras medidas preventivas.

Manter o tratamento correto e praticar as medidas sanitárias são as melhores maneiras de manter o sistema imunológico protegido.

 

Fontes: Ministério da Saúde, CDC, Tudo sobre o fígado


Texto: Agência Babushka | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil


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