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Impactos da pandemia na saúde mental das mulheres

Impactos da pandemia na saúde mental das mulheres

Entenda as implicações da pandemia na saúde das mulheres e como é possível melhorar a qualidade de vida em isolamento

Impactos da pandemia na saúde mental das mulheres

13 Maio 2021

Uma reunião de trabalho está acontecendo no computador, no espaço de trabalho improvisado em casa. Ao fundo, os outros participantes conseguem ouvir o choro de uma criança, que eventualmente será amparada pela mãe, que está na reunião. O horário indica que está chegando a hora do almoço, mas ainda não foi possível organizar o prato do dia. A criança segue chorando, e a vida segue acontecendo. Tudo ao mesmo tempo.

Para muitas mulheres, esse cenário faz parte da rotina desenvolvida durante a pandemia no país. Os afazeres da maternidade seguiram e o trabalho doméstico não sofreu diminuição na carga horária. Pelo contrário: equilibrar a vida profissional e pessoal, junto com a casa e, por vezes, os filhos, sem contar a educação a distância das crianças, o cuidado redobrado com a higienização de tudo e a preocupação constante com a infecção pelo novo coronavírus aumentaram a carga mental das mães durante a pandemia.  

Quais são os impactos que essa carga tem na saúde mental e física das mulheres?

É possível minimizar os efeitos negativos na vida das mulheres mesmo neste contexto? Vamos abordar esses e mais tópicos a seguir.

 

Como o trabalho não remunerado atinge mais as mulheres

Efeitos do isolamento social na saúde

Maternidade durante a pandemia

Melhorando a qualidade de vida em casa

 

Como o trabalho não remunerado atinge mais as mulheres

Acordar, preparar o café, organizar tudo o que precisa e ir para o trabalho. Após 8, 9 ou 10 horas, sem contar o trânsito, a jornada remunerada é substituída pela jornada em casa. Lavar, cozinhar, organizar e várias outras tarefas tornam as novas diretrizes da noite. Esse terceiro, quarto e até quinto turno é considerado parte do trabalho não remunerado desempenhado pelas mulheres.

A pandemia liberou o tempo perdido em trânsito para as mães que passaram a trabalhar remotamente, mas multiplicou o tempo em casa. De acordo com um levantamento do IBGE realizado em 2019, as mulheres dedicam quase o dobro do tempo na realização de atividades domésticas e cuidados com filhos e outras pessoas do que os homens.

Sintomas como ansiedade, depressão e estresse se tornaram mais comuns em mulheres do que em homens durante a pandemia. Outro estudo, realizado pela Universidade de São Paulo (USP,) mostra que as mulheres apresentam maior sofrimento psíquico e emocional, por conta das condições sociais em que vivem – jornadas de trabalho e cuidados em casa, educação dos filhos e manutenção da família.

Todos esses fatores, incluindo a própria pandemia da COVID-19, acabam gerando um aumento na carga mental das mulheres, que pode até ser invisível para os que estão de fora, mas causa grande sofrimento para quem experimenta. Não apenas mental, mas físico, também.

 

Efeitos do isolamento social na saúde

O cenário de isolamento social afeta vários aspectos de saúde das pessoas em geral. Com as questões sociais e culturais que vimos anteriormente, esse peso acaba recaindo mais sobre as mulheres, podendo representar um risco maior para a saúde delas.

O medo de sair de casa e o distanciamento social também contribuem para um “relaxamento” nas consultas e exames preventivos das mulheres. A melhor maneira de prevenção para câncer de colo de útero e mama é a manutenção dos exames preventivos, como o Papanicolau, e deve ser agendado normalmente, de acordo com a periodicidade para cada faixa etária. Lembrando que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura.

Com mais tempo em casa e menos saídas, inclusive para fazer as compras de mercado, torna-se difícil manter uma vida ativa. O sedentarismo tem como consequência o aumento de peso corporal, que afeta negativamente várias questões de saúde. Nas mulheres, outros fatores de risco tornam esse ganho de peso mais perigoso, como para as que estão em recuperação de câncer de mama.

Uma pesquisa recente desenvolvida com pacientes em recuperação de câncer de mama mostrou que a falta de exercício físico acarretou em uma piora na saúde geral, incluindo piora nos sintomas de COVID-19 (para as que contraíram o vírus e desenvolveram a doença).

Estar distante de outras pessoas também influencia no aumento de sintomas de ansiedade, estresse e depressão. Mulheres que são mães, por exemplo, apresentam altos níveis de estresse por conta do convívio diário em reclusão, o que impacta também na saúde dos filhos, que sentem o nervosismo da mãe.

Por isso, a internet se tornou uma grande aliada na manutenção das relações interpessoais. Existem diversos grupos de apoio em redes sociais que promovem encontros virtuais para troca de experiências, sobre maternidade, trabalho, saúde e outros tópicos.

 

Maternidade durante a pandemia

Enquanto os afazeres em casa e no trabalho não param, existe um ponto extra para as mães durante a pandemia: o cuidado com os filhos. A relação entre maternidade e a pandemia da COVID-19 é um dos vários fatores que podem aumentar a carga mental das mulheres, além do medo constante da contaminação – própria e dos pequenos.

Com a pausa das atividades presenciais escolares e em creches, as crianças sofrem junto com as mães a mudança de realidade em casa, pois ainda precisam de atenção constante, mas competem com uma lista extensa de afazeres da mãe. Tudo isso pode levar a um quadro de esgotamento mental, também conhecido como burnout

 

Responsabilidade compartilhada

Cada família é única, mas algumas atitudes gerais podem auxiliar no cuidado com os filhos durante a pandemia. Para isso, companheiros e outros adultos integrantes da família devem ter responsabilidade semelhante na educação da criança.

Se for uma mãe “solo”, é muito importante ter uma rede de apoio com pessoas confiáveis e dispostas a ajudar, sem esquecer dos cuidados necessários (em caso de visitas presenciais), para evitar possíveis contaminações.

Para as mães que trabalham, separamos algumas dicas práticas que podem auxiliar no relacionamento com os filhos em casa:

  • Estipule horários para cada atividade: a criança pode ser estimulada, desde cedo, a seguir a organização do dia. Se agora é hora de assistir à aula, então a brincadeira deve acontecer mais tarde.
  • Preze pela alimentação em família: temos uma relação afetiva com a comida. Por mais que a rotina às vezes consuma até altas horas, o momento de almoçar ou jantar deve ser preservado para aproveitar em família, sem interrupções ou telas.
  • Crie códigos educativos: uma boa ideia pode ser amarrar um lenço na maçaneta da porta para que as crianças saibam que devem evitar abrir a porta ou chamar para brincar.

As consultas de acompanhamento, tanto da criança quanto da mãe, devem ser mantidas, mas, se possível, utilizando outras modalidades, como a telemedicina. Agora, mais do que nunca, a saúde precisa estar em primeiro lugar. 

 

Melhorando a qualidade de vida em casa

Após a jornada de trabalho, o apoio em casa, o cuidado e a educação das crianças, a sensação de ter corrido uma maratona ao fim do dia é inevitável. Apesar de estarmos mais evoluídos enquanto sociedade, diversos fatores tornam essa pressão ainda maior para as mulheres.

Mas estar em isolamento social não pode ser um empecilho para que as mulheres possam ter momentos de prazer e autocuidado. Para ajudar na qualidade de vida, separamos dicas que podem ser úteis na hora de rever o cotidiano e promover um espaço mais saudável em casa.

  • Mexa-se: experimente frequentar grupos de ioga, treino funcional, pilates ou outra atividade física do seu interesse, de preferência com orientação de um profissional on-line. Como vimos, o sedentarismo é um grande risco para a saúde;
  • Faça planos: pensar em um mundo sem pandemia parece algo distante, mas pode ajudar a manter o otimismo. O que você mais gostaria de fazer quando tudo isso acabar?
  • Na medida do possível, tenha um momento só seu: faça algo que lhe permita viver algumas horas só suas, como assistir a um filme, uma série, ou tomar um banho relaxante com aquele produto de beleza com um aroma que você adora
  • Não hesite em buscar ajuda: lidar com tudo sozinha pode ter um resultado negativo para a sua saúde mental. Existem diversas opções de psicoterapia a distância, por meio de videochamada, com profissionais qualificados

 

Ficar em casa sempre que possível ainda é uma das principais formas de prevenção contra a COVID-19. Mas, dentro do possível, existem maneiras de transformar o ambiente em um espaço saudável para corpo e mente. A qualidade de vida é essencial para a saúde como um todo.

 

Fontes: USP, Plan International,


Texto: Agência Babushka | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil


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