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Artigo - Inovação em Goiás e desafios

Artigo - Inovação em Goiás e desafios

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O Estado de Goiás mantém-se num perfil tradicional; a cultura e as práticas de modo geral assim caminham. Tradicional com características conservadoras em que as práticas burocráticas predominam; uma cultura que se mantém na ordem social como um todo, também na escola onde o ensino tende a ser tradicional, onde o aulismo resiste e se repete; o mesmo podendo se dizer do ensino superior e mesmo da pós-graduação que pouco tem de inovadora; no geral, a tradicional metodologia de releitura se mantém, indo pouco além, com honrosas e distintas exceções.

Embora tenha sido assim, vale destacar que em alguns momentos o espírito empreendedor foi marcante. A mudança da capital para Goiânia foi um desses momentos, embora Pedro Ludovico Teixeira tivesse que usar os recursos de poder para impor a transferência da capital.

O fato mereceu um interessante comentário do escritor Pedro Gomes em seu livro O Pito Aceso, lançado na época, diz das descrenças a qualquer melhoramento do Estado, de promessas que se evaporavam após a eleição; para ele, após Goiânia: “Goiás, ficção geográfica, apesar de sua extraordinária riqueza inexplorada, passará a ter lugar de projeção, não entre os pequenos, mas entre os maiores Estados do Brasil.

Na sequência tem-se Coimbra Bueno (1947-1951), com muitas ideias e propostas, mas sem base política nem recursos para implementar o que propunha, considerado visionário, foi um defensor da ideia de Brasília. No ambiente de Brasília, do governo JK, Goiás pensa em planejamento; governo de Juca Ludovico (1956-1959) cria a secretaria e, na continuidade José Feliciano (1959-1961) prepara o Plano Mauro Borges.

No governo MB acontece mudança/inovação na administração pública goiana. Ele enfrenta o ambiente tradicional da política com adoção de alianças com outros partidos, além de seu PSD. Apesar das resistências e dificuldades de financiamento de seus projetos, Mauro Borges deixou sua marca na modernização da administração pública goiana. Além de repensar o campo como os combinados Agro Urbanos, criou importantes autarquias - Metago, Idago, Iquego, Ipasgo, caracterizando um governo empreendedor. Depois dele, ações inovadoras existiram, isoladas. Destaque-se a criação da Secretaria de Ciência e Tecnologia e do respectivo conselho, no governo Maguito Vilela (1995-1998).

Agora o mundo apresenta-se outro. O desenvolvimento tecnológico deu outra dinâmica, trazendo exigências e novos condicionamentos. Forçosamente, saímos do mundo da disciplina para a interdisciplinaridade. O comportamento das forças que movem a economia tem forçado e exigido a integração e, neste sentido, o que pode ser visto como internacionalização.

A inovação tem se tornado o principal fator do processo de crescimento da economia mundial, daí apresentar-se como elemento estratégico para a busca de uma nova ordem, ou no mínimo, manter-se vivo e presente num ambiente mundial de disputas e confrontos, mas também de possibilidades. Embora a cultura tradicional mantenha-se forte no Brasil e em Goiás, a exigência de criar ambientes que favoreçam o empreendedorismo e a inovação mostra-se como alternativa, de se integrar e participar desta ordem planetária modulada pela tecnologia e pelo conhecimento.

É nesta perspectiva que entendo o lançamento do programa de inovação e tecnologia dias atrás pelo governo goiano e denominado Inova Goiás. O programa propõe um novo estilo de desenvolvimento econômico que se refletiria na melhoria dos serviços prestados à comunidade pelo setor público. Além disso, o programa Inova Goiás estabelece ações indutoras à criação de ambientes inovadores e contempla um conjunto de ações com objetivo de aumentar a competitividade do Estado de Goiás com uma previsão de aporte de recursos que ultrapassariam R$ 1.5 bilhões até 2018.

Além desse montante de recursos de diversas origens, o programa projeta a instalação polos de excelência em diferentes áreas de negócio e distribuídos em regiões do Estado, procurando atender às especificidades da economia local/regional. Na proposta, esses polos terão conexão com uma rede de institutos tecnológicos, com vistas à formação profissional e tecnológica.

Em sua proposição, o Inova Goiás recorre à discussão da tríplice hélice como forma de agregar forças e condições para a implementação de ações e suporte à efetivação do programa. Na sua formulação teórica, a tríplice hélice propõe a conjugação de esforços de três atores do sistema de inovação - governo, setor empresarial e instituições de ensino superior, procurando como resultado a integração destes setores no desenvolvimento de pesquisas e projetos de ciência e tecnologia.

Nesta direção e na aposta do Inova Goiás, o setor empresarial liderado pela Fieg, com seu núcleo de inovação e as instituições de ensino superior, com seus núcleos de inovação tecnológica e incubadoras de empresas, devem se associar na efetivação do necessário ecossistema de inovação para que a pesquisa se desenvolva e ocorra a transferência de tecnologia e de conhecimento.

O Inova Goiás apresenta-se ousado, considerando-se a conjuntura brasileira de crise, também por tentar sobrepor à cultura tradicional um dinamismo empreendedor, necessário, mas de dificuldades e de impasses no cotidiano. Resta apostar na vontade política e no empreendedorismo do governo.
 
Itami Campos, cientista político, é pró-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão, UniEvangélica (itamicampos@gmail.com)

Fonte: O Popular - 20/09/15


Rosane Rodrigues da Cunha