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Você sofre com o suor excessivo?

Você sofre com o suor excessivo?

Você sofre com o suor excessivo?

16 Março 2010

O suor é necessário para o controle da temperatura corpórea, especialmente durante o exercício ou sob temperaturas mais elevadas do ambiente. A hiperatividade das glândulas sudoríparas leva à perspiração excessiva. Esta condição é conhecida como hiperidrose.

 

A hiperidrose é relativamente freqüente, com incidência relatada entre 0,5 a 1% da população. Não se tratando de doença grave quanto a risco de vida, mas trata-se de situação extremamente desconfortável, que causa profundo embaraço social e transtornos de relacionamento e psicológicos no portador, que freqüentemente se isola socialmente e adquire hábitos procurando esconder o seu problema. Curiosamente, por diversos fatores, uma pequena parcela dos pacientes tem o seu problema resolvido e tratado de forma eficaz e duradoura. Você fica sabendo mais sobre a hiperidrose e os tratamentos na entrevista com o médico especialista no assunto, Antonio Wanderley.

 

O que é hiperidrose?

Suor excessivo principalmente nas mãos, pés, axilas e face. Este distúrbio atinge cerca de 0,5 a 1% da população mundial, causando desconforto que pode alterar o comportamento psicossocial do indivíduo.

 

O distúrbio tem cura?

Sim. O tratamento comumente empregado pelos dermatologistas, neurologistas e endocrinologistas que medicam estes pacientes com tranqüilizantes, antidepressivos ou cremes para uso local, não tem o resultado esperado, tendo efeitos apenas paliativos. Os cirurgiões plásticos tentaram a ressecção da pele com as glândulas sudoríparas da região exilar, o que não funcionou devido ao inconveniente da retração cicatricial da pele e limitação dos movimentos do membro superior. Mais recentemente foi usado o Botox através de injeções repetidas, a cada quatro meses, mas com resultados insatisfatórios e temporários. O tratamento definitivo da hiperidrose é a ressecção da cadeia da cadeia simpática, pequeno segmento do sistema nervoso autônomo responsável pelo estímulo às glândulas sudoríparas. Esta cirurgia é denominada Simpatectomia Torácica.

O tratamento é novo? Dá  certo?

A cirurgia é antiga, realizada desde a década de 40, mas não teve grande divulgação porque era realizada através de toracotomia ampla (grande incisão) que envolvia risco e cicatriz indesejável. A novidade foi a incorporação da Videotoracoscopia, na última década, tendo proporcionado grande divulgação da Simpatectomia, especialmente para tratar a  hiperidrose, por ser tratada através de mini-incisões e breve período de internações. Os resultados são bastante compensadores. A Simpatectomia Torácica Endoscópica promove resolução permanente da hiperidrose das mãos e axilas em 95 ou 100% dos casos. A redução da sudorese nos pés é observada em 50 ou 70% dos pacientes.

 

Quem pode fazer a simpatectomia?

Todos os pacientes que se sentirem prejudicados pela intensidade da  hiperidrose podem procurar um Cirurgião Torácico para avaliação pré-operatória. A cirurgia é contra indicada nos portadores de insuficiência respiratória ou cardíaca grave, diabete descompensado, obesidade extrema e seqüela de doença pleural.

 

Como é feita a cirurgia?

É realizada sob anestesia geral, sendo feita duas mini-incisões (cerca de 5 mm ) sob a axila. Através da primeira, é usado um micro câmera, que permite visualização ampliada da cadeia simpática; através da segunda, é usado instrumental para a dissecção e ressecção do segmento nervoso.

 

Como é a pós-operatório?

O paciente acorda na sala de recuperação, já com as mãos secas, sendo encaminhado à unidade de internação, onde ingere líquidos no mesmo dia e recebe alta no dia seguinte.

 

Quais os efeitos colaterais ou complicações?

Um efeito colateral que pode ocorrer é das mãos ficarem muitas secas, especialmente durante os primeiros meses, o que pode ser tratado com o uso de creme hidrante. Outro efeito colateral que pode acontecer é a sudorese compensatória, principalmente nas costas e no abdome. Tais efeitos são bem tolerados, desaparecendo com o tempo. As complicações são em menor número que as da cirurgia convencional, podendo requerer utilização de dispositivos de drenagem torácica pôr 1 a 2 dias. A síndrome de Horner, ou quebra da pálpebra e uma pupila menor (mais fechada), sem prejuízo da visão, tem incidência próxima de 0% com a utilização de videotoracoscopia, podendo ainda ser transitória.

 

Qual o profissional indicado para tratar a hiperidrose?

Um médico com título de especialista em Cirurgia Torácica e que tenha habilitação em Videotoracoscopia, o que pode ser verificado o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (WWW.sbet.org.br). Em Feira de Santana, ou sou o profissional que preenche estes requisitos e me coloco à disposição para esclarecimento adicionais no endereço hiperidrose@ig.com.br e no site WWW.pneumologiafeirense.com.br

 

 

Antonio Wanderley é médico, membro fundador e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, membro titular do departamento de Endoscopia Respiratória da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e membro fundador e tesoureiro da Sociedade Feirense de Pneumologia.

 


Rose Leal