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A Modernização e seus “vícios”

A Modernização e seus “vícios”

A Modernização e seus “vícios”

A Modernização e seus “vícios”

A Modernização e seus “vícios”


Atualmente homens e mulheres estão desempenhando vários papéis simultâneos, seja no campo profissional ou no pessoal. A super dinamização dos dias atuais e as exigências de múltiplos compromissos mostram pessoas em atividades aceleradas frente às tarefas do dia a dia. Pessoas cheias de compromissos e deveres que acabam demonstrando um alto nível de agitação. Agitação esta, que pode afetar o ser humano de forma significativa, gerando consequências prejudiciais se não for devidamente reconhecida e tratada.

Um aspecto a citar se refere às possíveis “fugas”. Na ânsia de conseguirem sanar quadros de ansiedade e depressão, as pessoas podem desenvolver compulsões alimentares, vícios como cigarro, álcool ou outras drogas, uso abusivos de determinados medicamentos, etc. E hoje já se fala também nos famosos vícios modernos como a utilização constante de celular, dependência da televisão, compras compulsivas pela internet, o uso abusivo por tempo indeterminado de internet, entre outros.

Por trás deste cenário de dependência, podemos observar claramente seres humanos submetidos e presos às facilidades de acesso a essas ferramentas. A grande disponibilidade destes meios ultra modernos , a rápida evolução da tecnologia, a modernização, e as ondas de moda cada vez mais seguidas compulsivamente fazem deste ser humano uma vítima do sistema.

Pensar na questão dos comportamentos compulsivos viciantes da atualidade, nos avanços tecnológicos e nos fatores decorrentes da modernização, nos leva a pensar no quanto esta dinâmica acelerada na qual estamos vivendo vem nos afetando, mas também em como estamos lidando com nossos sentimentos e problemas da vida.

Fica claro o quanto estamos deparados a um ciclo onde stress, carência, ansiedade, cansaço, irritações, e angústias somados aos problemas pessoais podem gerar conflitos emocionais. Estes conflitos impulsionam à busca de meios para sanar tais sentimentos, aí então podem aparecer os comportamentos que se tornam vícios.

As pessoas não se dão conta do quanto tais comportamentos podem estar comprometendo seus relacionamentos afetivos, seu lado social, o lazer, o auto cuidado (como a prática de atividades físicas, a prevenção de doenças, etc.) e acabam sendo aprisionadas cada vez mais a estes meios.

A internet é sem dúvida muito útil, repleta de infinitas possibilidades de crescimento em vários sentidos, porém, pode ser um fator alienante das pessoas principalmente quando usada em celulares em ambientes sociais, onde se observa claramente pessoas reunidas mas cada uma em seu mundo particular. A internet coloca-nos conectados a pessoas de todo o mundo, mas deixa-nos distantes das pessoas próximas a nosso convívio. Diante disso, relacionamentos vão se tornando cada vez mais superficiais e a comunicação humana cada vez mais comprometida, o que possivelmente leva novamente a angústia, frustrações e vazios dando continuidade ao ciclo.

O advento da internet pode ainda levar a facilitar outro comportamento compulsivo que é a compra virtual. Comprar através de sites que disponibilizam compras com muita facilidade eleva o número de compradores compulsivos e isto engloba muito mais que apenas o prazer pela compra; entrando nesse contexto, um impulso para se eliminar um stress, pressões do dia a dia, a ansiedade ou a tentativa de “resolução” de problemas.

As pessoas cada vez mais possuem vida agitada, cada vez mais correm nas atividades cotidianas e cada vez mais se vêem sem tempo disponível para resolução de coisas que demandam tempo, as compras pela internet ajudam nesta questão, porém, tal atividade quando se torna compulsiva pode esconder um possível quadro de ansiedade ou depressão que necessita de tratamento.

Diante de tudo isso, podemos concluir que todos esses avanços citados são facilitadores da vida e fazem parte de um crescimento natural de uma sociedade ativa, dinâmica e que está em constante desenvolvimento e evolução, porém o ser humano precisa saber usufruir de tudo isso, estabelecendo os limites e reconhecendo possíveis dependências, estando atento à sua saúde, à sua qualidade de vida aos seus relacionamentos e principalmente atento aos sentimentos e/ou problemas emocionais camuflados nos comportamentos em geral.

A modernidade, os recursos tecnológicos devem ser meios de conexão do mundo, meios de relaxamentos, descontração, interação, socialização e facilitadores da vida, mas não podem se tornar comprometedores da saúde emocional, física, social e espiritual do ser humano.

 



Cristiane Ap. De Souza- Psicóloga