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Dez 2016 | Jan 2017 • N

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26 • Ano 6 • REVISTA UNIMED BR

ética e estética

caminhando lado a lado

Os benefícios de expressar-se artisticamente

começam num processo de autoconhecimento e

culminam numa sociedade mais ética. Saiba o por quê

U

m século atrás, nascia em Maceió uma mulher que sa-

beria exatamente o significado da palavra transgressão.

Nise da Silveira se formou em medicina, numa época

em que o simples acesso ao ensino universitário para as mulhe-

res ainda era considerado um tabu. Sua atuação em psiquiatria

sempre foi tão contrária às diretrizes de sua época, que a an-

tipsiquiatria era o que ela praticava, na verdade. E, então, for-

mou-se a antítese do mundo daquela época: mulher, médica,

nordestina e (anti)psiquiatra.

Fez carreira na psiquiatria contestando os tratamentos tradi-

cionais a que eram submetidos os doentes mentais, opondo-

se categoricamente aos confinamentos em hospitais psiquiá-

tricos, ao isolamento social, aos eletrochoques e à lobotomia.

Em vez disso, introduziu tintas, telas e argila no Centro Psi-

quiátrico do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.

“Ela foi uma precursora disso tudo aqui no Brasil. Através da

experiência artística de (Carl) Jung, Nise começou a colocar ar-

tistas para produzirem no meio dos doentes mentais. Um pin-

tava, outro esculpia. Depois deixavam os materiais expostos”,

afirma o fundador do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa,

Waldemar Magaldi Filho.

Conforme explicou Magaldi, Carl Jung – pai da psicologia analí-

tica – começou a entender a arte com sua finalidade terapêutica

a partir de suas próprias experiências. “Ele começou a produzir

sozinho, no canto dele. De forma natural, explorava formas cir-

culares. As mandalas representavam uma busca para botar em

ordem a psique, a mente, a alma”.  Nise, então, se interessou pe-

las práticas artísticas utilizadas pelo suíço. “Pegando essa expe-

riência de Jung, ela trouxe a arte para um contexto de doentes

refratários, a quem a medicação não causava pacificação algu-

ma em suas almas”, esclarece.

Nise da Silveira