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Dez 2016 | Jan 2017 • N

o

26 • Ano 6 • REVISTA UNIMED BR

Vejo em Édipo e Dionísio aqui-

lo que representa a mim mes-

mo. Alguns produtos culturais

(filmes, livros, exposições etc.)

oferecem essa possibilidade de

tocar a alma.”O grande proble-

ma, para Magaldi, é estarmos

vivendo numa sociedade que

perdeu a noção estética, ou seja,

o belo perdeu o seu valor. E, on-

de o belo perde sua importância,

põe-se em risco os valores éti-

cos; um conceito encontrado na

filosofia de Nietzsche. “Eu olho

esteticamente uma mazela hu-

mana e não me incomodo com

isso. Mas, ao estimularmos o in-

divíduo a pensar esteticamente,

fazemos com que ele resgate a

própria ética”. O cenário políti-

co brasileiro é um bom exemplo

disso. Representantes sem noção

estética alguma culminam em

governantes sem ética, os quais,

mesmo sendo capazes de enxer-

gar os problemas sociais, não se

abstêm de atitudes ilícitas.

Isso significa que quanto mais

acesso à arte determinada popu-

lação tiver, mais ela terá conhe-

cimento de si, mais noção estéti-

ca ela terá e, consequentemente,

mais ética ela será. Por esse mo-

tivo, políticas públicas de incen-

tivo às artes são tão essenciais a

um governo que pensa no bem e

num futuro ético e próspero pa-

ra o seu povo.

Aliados para uma vida

menos estressante

Bem como orar, meditar ou sim-

plesmente acender um incenso,

estar envolvido com atividades

artísticas são práticas interessan-

tes no que tange à expressão do

nosso inconsciente. A arte conse-

gue nos conectar não apenas com

nosso eu mais profundo – no caso

de sermos os autores – mas tam-

bém com conflitos e dramas que

são representados pelas obras de

grandes artistas, ou seja, o mo-

mento criativo é capaz de nos tirar

umpouco de foco e diminuir con-

sideravelmente a ansiedade. Mas

atenção! Esses desenhos de colo-

rir que vêmprontos ajudammuito

pouco ou quase nada. “O trabalho

mais livre, criativo, desenvolvido

pela pessoa é bem diferente. Você

tem liberdade de criação. Agora

esses desenhos com espaços tão

pequenos e tantos detalhes para

pintar podem deixar uma pessoa

ainda mais ansiosa”, contestou

Regina. Eles podem até ajudar a

tirar o foco de um momento an-

gustiante, porém é momentâneo.

Sempre que possível, prati-

que uma atividade física. Tanto

o fazer artístico como a prática

esportiva requerem a presença

do indivíduo naquilo que es-

tá envolvido. Ao jogar futebol, a

pessoa concentra-se na bola, no

jogo. O mesmo acontece quando

ela estiver pintando. E a presença

é essencial para não estar com a

cabeça no passado ou no futuro.

Para Amana, “a prática conco-

mitante de atividade física e da

arteterapia pode somar forças no

caminho do autoconhecimento.”

Possibilite às crianças o acesso

a atividades artísticas, nas quais

elas sejam livres para criar, sem

cerceamento ou direcionamento.

Dessa forma, estamos garantin-

do a elas, desde muito pequenas,

caminhos que levam ao auto-

conhecimento. E uma socieda-

de que a criação artística livre e

espontânea é a mesma em que

encontraremos a ética. A escola

precisa garantir isso, mas a famí-

lia também pode estimular.