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REVISTA UNIMED BR • N

o

26 • Ano 6 • Dez 2016 | Jan 2017

Você é um grande defensor

da felicidade como uma

força capaz de fazer as

pessoas crescerem e

melhorarem. O que acha

que nos traz felicidade?

Precisamos acreditar mais em

nós mesmos e transformar es-

sa crença num pouco mais

de energia em favor dos nos-

sos propósitos. É simples! Por

exemplo, a pessoa vai ao traba-

lho e tende a odiar o que faz e

a querer ir embora. Então, esta-

mos transformando o ambiente

de trabalho num local onde a

pessoa queira estar, para que se

sinta tão bem quanto em famí-

lia. Isso cria momentos para que

se divirta e trabalhe com menos

peso, produzindo mais e sendo

mais eficiente, de modo que tu-

do seja melhor para ela e a em-

presa. Eu chamo isso de conver-

gência de propósitos.

Levando em consideração

que as pessoas realmente

passam mais tempo no

trabalho do que em família ou

em momentos de lazer, como

essa convergência acontece?

E de que forma promovê-la?

Primeiro, a pessoa precisa en-

tender o papel dela, enquanto a

empresa tem de observar qual

é o seu papel com relação ao

colaborador. Quando alguém

entra numa organização, nor-

malmente é submetido à Mis-

são, Visão e Valores. Na nova

filosofia, a gente duvida de que

é preciso ter esses conceitos.

É necessário, na verdade, um

propósito, uma razão de ser. A

empresa vai dizer qual é a dela,

mas o indivíduo vai ter espaço

para compartilhar qual é a sua

própria. Ambos conhecerão as

duas visões e vão trabalhar em

comum acordo para convergir.

Atualmente, há quem se

queixe de que temos de ser

felizes o tempo todo. Você

acha que isso é possível?

Não sei se é possível ou não. Acho

desnecessário. Precisamos fazer

com que as pessoas encontrem

formas para que tenham o maior

número possível de momentos

de felicidade. Mudar um pouco

a equação tradicional de que na

empresa eu sou triste, mas preciso

do salário. É preciso fazer comque

o colaborador queira ser feliz no

trabalho. E consiga. A soma des-

ses momentos de felicidade vai

melhorar a vida de modo geral.

E o que devemos fazer

quando não estamos

felizes, mas a vida continua

acontecendo ao nosso redor?

Infelizmente, temos muitos mo-

mentos assim. Devemos entrar

num círculo virtuoso, não vi-

cioso, no qual visualizaremos

um pouco mais adiante. Se você

tem um propósito, consegue ir

além, não sofre tanto. Isso ajuda

a combater esses momentos de

tristeza. Existe uma frase, que

gosto bastante, que é: “quem tem

um ‘porquê’ enfrenta qualquer

‘como’”. É importante que as pes-

soas percebam que terão mo-

mentos de tristeza e infelicidade,

mas, se tiverem um propósito,

vão conseguir sair disso mais rá-

pido e fortalecidas.

Quando você começou

sua trajetória profissional,

existia uma meta? Ou, como

dizem, foi aproveitando as

oportunidades?

Tinha sonhos, mas nunca tão

grandes quanto o que realmente

aconteceu. Geralmente é o con-

trário, no entanto a realidade foi

muito melhor do que o sonho.

Durante muito tempo, fui cria-

do de forma muito amorosa, ca-

rinhosa, mas que remetia a se

contentar com pouco. Isso não é

ruim, porém me limitava. O que

mudou a minha vida, sobretudo,

foi que passei a acreditar mais

em mim mesmo.

O ciclo da filosofia de gestão tem

o acreditar como primeiro pon-

to, a base de tudo. Acreditei, pra-

tiquei e melhorei, o que é uma

consequência natural. Só evoluí

bastante quando compartilhei, o

que foi a grande sacada. Fez com

que pudesse evoluir do “eu” pa-

ra o “nós” e construir uma base

muito mais sólida, que aumen-

tou meu nível de consciência de

tudo o que eu poderia ter e ser.

Ser alguém que faz algo para a

sociedade e tem um legado ma-

ravilhoso fez sentido na vida e

me tornou mais leve.

Em algum momento você

pensou que não conseguiria

alcançar seus objetivos

pessoais e profissionais?

Vários momentos! A sociedade

nos impõe barreiras e gosta de

fazer isso com as pessoas. É mui-

to mais fácil você diminuir al-

guém do que enfatizar, valorizar

e até reconhecer.

Eu sempre recorria àqueles que

pudessem me ajudar. Um grande

amigo sempre foi meu tutor, in-

clusive hoje tem uma empresa de

consultoria e faz em larga escala

o que sempre fez por mim. Eu lhe

recorria para pedir opiniões, su-

gestões, e ele me dava uma luz.

A solução já estava em mim, mas

ele iluminava aquele “lugar”.

Nós compartilhamos com os

outros e eles conosco. Pense:

quem pode compartilhar com

você tendo um interesse genuí-

no? Aproveite!