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REVISTA UNIMED BR • N
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26 • Ano 6 • Dez 2016 | Jan 2017
Atitude
Nise colocou alguns artistas para
produzirem no meio dos pacien-
tes internados – e deixou mate-
rial à disposição –, até que um ou
outro começou a se aproximar
e a querer produzir também. As
primeiras criações foram extre-
mamente assustadoras, resultado
direto de psiques em completo
desequilíbrio. Os artistas que ali
estavam tornaram-se uma espé-
cie de arte-educadores ou me-
diadores entre as técnicas e as
expressões do inconsciente dos
doentes psiquiátricos, já que tan-
to para Jung como para Freud as
expressões artísticas humanas
refletem o nosso inconsciente. À
medida que iam produzindo, as
obras ganhavam fluidez. “Com o
aprimoramento das criações, eles
passavam a aperfeiçoar a si mes-
mos, e os trabalhos ganhavam
uma estética mais harmoniosa”,
explica Magaldi.
A arte no processo de
autoconhecimento
Ao criar, os seres humanos abrem
uma brecha para o autoconhe-
cimento, a fim de reorganizar, lá
dentro, aquilo que está de cabeça
para baixo. Da mesma forma que
aconteceu com os pacientes psi-
quiatrizados de Nise da Silveira
– e o próprio Carl Jung –, também
ocorre com você, caro leitor, ou
com uma criança. Por isso, tan-
tos profissionais optam por levar
a arte aos seus consultórios. “En-
quanto numa psicoterapia con-
vencional a fala é o caminho pa-
ra a elaboração dos conflitos e o
acesso a conteúdos mais incons-
cientes, na arteterapia o processo
criativo auxilia na dissolução des-
ses enfretamentos internos”, diz a
psicóloga Amana Perrucci.
A arte, muitas vezes, acaba sendo
um recurso para alcançar con-
teúdos inconscientes que esca-
pam à linguagem verbal. Ao ra-
cionalizar demais, alguns indi-
víduos têm dificuldade de se
expressar verbalmente. Para a
psicóloga Regina Santos, a impor-
tância de colocar seus pacientes
em contato com a arte encontra-
se justamente no fato de que, por
meio das manifestações artísticas,
os pacientes de maneira geral se
censuram muito menos. “Temos
domínio da linguagem verbal, por
isso, controlamos o que vamos di-
zer, fazemos escolhas. Ao criar, o
paciente pode acessar uma emo-
ção que não conseguiria caso es-
tivesse apenas falando.”
Uma criação espontânea, li-
vre e que não seja direciona-
da por um terapeuta também
tem o potencial de nos colocar
em contato com o produto do
nosso inconsciente. Pintar, bor-
dar, tocar um instrumento são
atividades que, mesmo sendo
desenvolvidas, muitas vezes,
individualmente, trazem efeitos
benéficos, na mesma medida
que orar, meditar ou até acen-
der um incenso. “São experiên-
cias expressivas para diminuir
a ansiedade, abaixar a tensão e
sair de cena”, explica Magaldi.
A questão é que, na ausência do
terapeuta, essas atividades não
conseguem ser elaboradas. O
arteterapeuta, nesse caso, apa-
rece como alguém que ajuda a
ressignificar o conteúdo psíqui-
co do indivíduo e a facilitar o
autoconhecimento.
Ainda segundo Magaldi, o sim-
ples fato de estarmos em contato
com a arte já nos dá a chance de
despertar potenciais curativos
em nós mesmos. “À medida que
estou vendo o drama, a tragé-
dia, estou vendo a mim mesmo.
Glória Pires interpreta Nise da Silveira no filme
Nise - O Coração
da Loucura
Vantoen P. Jr.




