Unimed Missões/RS promove reflexão sobre ética e responsabilidade com uso da IA no ambiente de trabalho

Iniciativa do Comitê Local de Privacidade reuniu especialistas no Hospital Regional Unimed Missões para capacitar equipes sobre conformidade e governança de dados

Evento teve a participação de cinco especialistas para abordar os diferentes aspectos sobre a LGPD e o uso da inteligência artificial no dia a dia. Crédito: Comunicação e Marketing Unimed Missões/RS

No cenário atual, onde a Inteligência Artificial (IA) se integra cada vez mais a rotina corporativa, a reflexão sobre o uso responsável e ético torna-se imperativa. Essa foi a tônica do "Workshop LGPD: O uso consciente da IA no ambiente de trabalho", realizado em 17 de julho, no Hospital Regional Unimed Missões, pelo Comitê Local de Privacidade.

Durante a abertura, o diretor da Unimed Missões/RS, Dr. Fabiano Rolim Batista, enfatizou a importância da compreensão aprofundada e da adesão às normativas que regem a proteção de dados e o uso de tecnologias. Em uma realidade de crescente digitalização, essa premissa conecta-se diretamente à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), cuja complexidade exige sistemas robustos e qualificação contínua das equipes. Nesse cenário, a governança de dados consolida-se como um pilar estratégico que une educação e vigilância, assegurando que a inteligência artificial opere sob preceitos éticos e proteja a reputação da organização.

Como bem pontuou Jonas Ferreira, Data Protection Officer (DPO) da Unimed Missões/RS e especialista em Governança, Gestão de Riscos, Compliance, Integridade, Privacidade e Proteção de Dados, "a IA acelera o processo, mas a tomada de decisão precisa ter a validação humana". Essa afirmação ressoa como um lembrete essencial de que, apesar do avanço tecnológico, a responsabilidade e a ética permanecem intrinsecamente ligadas à intervenção de indivíduos. O evento destacou a necessidade de um equilíbrio entre a eficiência proporcionada pela IA e a garantia dos diretrizes de privacidade e proteção de dados.

Ao reforçar que a "IA não substitui o cuidado humano", especialmente no sensível contexto da saúde, Ferreira argumentou que a solidez de qualquer sistema depende, fundamentalmente, do aculturamento das pessoas. Para o especialista, a ética e o comprometimento são comparáveis à responsabilidade assumida em um contrato, de modo que a prática diária desses valores fortalece a cultura organizacional e a torna um reflexo das ações cotidianas. Essa perspectiva converge para o que Ferreira denomina como "uso consciente" da tecnologia: um conceito que supera a aplicação técnica para se enraizar na conduta individual e coletiva.

Anderson de Godoy, Team Leader de Red Team na Integrasul controle e imunidade virtual, também em uma reflexão, ressaltou que a "utilização com responsabilidade e ética" são os princípios basilares para a aplicação da IA. A experiência do palestrante o leva a afirmar que é essencial compreender as vulnerabilidades e o potencial de mau uso da IA para, assim, desenvolver estratégias de proteção eficazes. Conhecer as fragilidades do sistema é um passo importante para fortalecer as defesas e garantir que a tecnologia seja empregada de maneira segura e íntegra.

Complementando as perspectivas, Daniel Rusch, Analista de Processos com foco em inteligência artificial, automação e inovação, no Sicredi; José Carlos Scherer, Assessor Administrativo no Sicredi; e Everton da Silva Ferreira, Assessor de Inteligência de Negócio Unicred, convergiram na visão da IA como uma ferramenta. Daniel salientou que a IA é "mais uma ferramenta (não a única) para realizar as tarefas do dia a dia", e que é preciso ter o entendimento de que "não se resolve tudo com ela". A necessidade de "doses corretas e saber administrar para usar de forma adequada" ressalta a importância da moderação e da estratégia.

José Carlos reforçou que "o ser humano vai estar dentro desse processo", desmistificando a ideia de que a IA substituirá completamente a força de trabalho. Ele prevê uma "evolução de forma estruturada, ética e com responsabilidade", onde a IA atua como um recurso para otimizar, e não anular, a participação humana. Everton corroborou, afirmando que a IA "não é magia", mas sim uma ferramenta em que "se dá a direção e ela vai seguir o comando". Essa analogia simples ilustra a dependência da IA da orientação humana, reforçando a ideia de que a inteligência artificial é um instrumento poderoso, mas que a eficácia e a segurança dependem diretamente da competência e da consciência de quem a opera.

O workshop demonstrou que a integração da IA no ambiente de trabalho demanda uma metodologia abrangente, na qual a tecnologia atua como um catalisador para a eficiência, desde que operada sob a égide da responsabilidade individual, da ética e do aculturamento. Ao consolidar essa visão, a LGPD supera a mera regulamentação e firma-se como um guia essencial para a construção de um futuro digital mais seguro e confiável.