Outubro Rosa: um mês para lembrar e o ano inteiro para cuidar

Dra. Eulália, mastologista e cooperada da Unimed Maranhão do Sul, explica por que o diagnóstico precoce faz diferença, quando começar os exames e como vencer o medo e a falta de tempo
Texto: Jessica Santos
20 de outubro, 2026

O câncer de mama é o tipo mais frequente entre as mulheres brasileiras, depois do câncer de pele não melanoma. Segundo o INCA, são esperados cerca de 78,6 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, o que representa aproximadamente 30% de todos os cânceres diagnosticados em mulheres. A estimativa é cerca de 5 mil casos anuais maior que a do triênio anterior. Isso não significa que o cenário seja de alarme, e sim que o acompanhamento regular importa cada vez mais. Quando a doença é descoberta cedo, há mais possibilidades de tratamento, e os tratamentos podem ser menos agressivos.

 

Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou a orientação para o SUS. Mulheres de 40 a 49 anos passaram a ter acesso à mamografia mesmo sem sintomas, sob demanda e em decisão compartilhada com o profissional de saúde, que explica os benefícios e as desvantagens do exame. O rastreamento ativo, com mamografia a cada dois anos, foi ampliado e agora vai até os 74 anos (antes, o limite era 69). A mudança tem fundamento: segundo o Ministério, cerca de 23% dos casos estão na faixa dos 40 aos 49 anos e quase 60% entre os 50 e os 74.

 

Existem ainda recomendações de sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia, que orienta a mamografia anual a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual. Por isso, a conversa com o médico continua sendo o melhor ponto de partida, já que o plano de cada mulher considera idade, histórico familiar e outros fatores.

 

Cuidar da saúde no dia a dia também faz parte da prevenção. Manter atividade física regular, um peso saudável e evitar o consumo de álcool são hábitos associados à redução do risco. Eles ajudam, mas não substituem os exames: a mamografia não impede a doença, ela identifica alterações antes de aparecerem os sintomas.

Para explicar como tudo isso funciona na prática, conversamos com a Dra. Eulália Estel, mastologista e médica cooperada da Unimed Maranhão do Sul.

 

Entrevista com a Dra. Eulália Estel

 

1. O que é o Outubro Rosa?
É um movimento de conscientização sobre o câncer de mama. Mas não devemos esquecer que esse cuidado deve acontecer durante todo o ano, e não somente em outubro.

2. Por que é tão importante descobrir cedo?
Porque, quanto mais cedo a gente faz o diagnóstico do câncer de mama, maiores são as possibilidades de tratamento. Também fica mais fácil o acompanhamento e, principalmente, é possível fazer cirurgias menos agressivas.

3. Quando devo começar a fazer exames?
Primeiro, precisamos dividir as pacientes em dois grupos: as de risco habitual, que são a população geral, e as de alto risco, definidas pelo histórico familiar e por calculadoras de risco.

Nas pacientes de risco habitual, devemos começar aos 40 anos, com mamografia anual, de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia. Rastreamento é o exame feito em quem está totalmente assintomática. Antes dos 40, a ultrassonografia não funciona como rastreamento do câncer de mama. Ela deve ser pedida antes dessa idade apenas se a paciente tiver alguma queixa ou nódulo. Depois dos 40, uma ultrassonografia não tem validade sem a comparação com a mamografia. Por isso, sempre se pede primeiro a mamografia e, se necessário, em algumas situações, a ultrassonografia de mama. Talvez, no futuro, tenhamos um rastreamento personalizado, mas por enquanto essas são as diretrizes para as pacientes de risco habitual.

Já a população de alto risco é bem individualizada. Começamos mais cedo e, em algumas situações, fazemos ressonância magnética antes das mamografias, às vezes por volta dos 25 anos. Isso depende do risco de cada paciente e é avaliado pelo mastologista, de acordo com os critérios de risco. Lembrando que a mamografia, mesmo nas pacientes de alto risco, não deve ser feita antes dos 30 anos.

4. O que posso observar no dia a dia?
Eu sempre oriento as pacientes a conhecerem as próprias mamas, porque você conhece as características da sua mama melhor do que qualquer pessoa, até mesmo do que um mastologista. Assim, qualquer alteração mínima pode ser percebida, e você chama a atenção do seu mastologista para isso.

5. Tenho medo de fazer o exame. O que você diria?
É um medo natural. Todos nós temos medo de um diagnóstico. Mas é preciso ter consciência de que, quanto mais cedo a gente diagnostica, maiores são as chances e melhores são as opções de tratamento. Então devemos perder esse medo e pensar dessa forma.

6. E quem não tem tempo?
Isso é muito natural, no dia corrido da mulher, com mil afazeres. Mas a gente precisa ter o compromisso do autocuidado e, para isso, arrumar um tempo para nós. Todas devemos fazer isso.

Qual é o seu recado para quem está lendo?
Aproveite o Outubro Rosa e marque uma data para você mesma. Se você se sentir insegura, procure uma amiga e vá acompanhada.

 

Marca a sua data

Converse com o seu médico, entenda o que é indicado para você e convide alguém para ir junto. A Unimed Maranhão do Sul cuida de você.

Dra. Eulália Estel - mastologista | CRM-MA 3170 | RQE 1527, cooperada da Unimed Maranhão do Sul.