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Beber leite faz bem para a saúde?

Beber leite faz bem para a saúde?

O leite é uma das principais fontes alimentares de cálcio, mas pode causar problemas para pessoas com intolerância à lactose ou alergia à proteína. Entenda a diferença

Beber leite faz bem para a saúde?

1º Dezembro 2019

Ele está na geladeira da maioria dos brasileiros. Segundo levantamento divulgado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o consumo médio de leite em 2018 foi de 166,4 litros por habitante - cerca de dois copos por dia.

E a Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) recomenda: afinal, é o alimento que oferece a melhor biodisponibilidade (capacidade de absorção) de cálcio - mineral fundamental para a saúde óssea e também para funções musculares e cardíacas. Em 200 ml de leite tem-se 246 mg de cálcio, 192 mg de fósforo, além de zinco, selênio e magnésio; 78 g de retinol e 380 g de riboflavina.

 

Mas o leite é bom para todo mundo?

família bebendo leite

Pessoas alérgicas não podem consumir leite e seus derivados. Porém, ainda é muito comum a confusão entre alergia à proteína do leite (APLV) e intolerância à lactose. Vamos entender a diferença?

A intolerância à lactose é uma questão gastrointestinal. É a dificuldade de digestão da lactose, um tipo de açúcar encontrado no leite. A literatura médica estima que cerca de 70% dos adultos sofram de algum nível de intolerância que pode ser leve, moderada ou total.

Os médicos alergistas advertem: não existe alergia à lactose. A intolerância acontece, principalmente, por falta ou redução da produção da enzima lactase (responsável pela digestão da lactose) no organismo. Os sintomas são dores abdominais, diarreia, flatulência e abdômen distendido.

Ainda assim, a SBAN não recomenda o corte total dos produtos lácteos, apenas a redução. Mesmo os intolerantes conseguem absorver uma quantidade mínima de leite. A quantidade tolerada varia conforme o indivíduo. Por isso, se você sente algum desconforto e relacionou com o consumo de laticínios, procure um gastroenterologista.

Já a APLV é um problema mais grave que, em casos mais extremos, pode até levar à morte. É uma alergia alimentar desencadeada pelas proteínas do leite principalmente as caseínas, alfa-lactalbumina e beta-lactoglobulina.

Os sintomas são variados, podendo ser de placas vermelhas pelo corpo, coceira, inchaço nos lábios e olhos, vômitos e/ou diarreia após ingestão de leite e até a anafilaxia (reação de hipersensibilidade aguda potencialmente fatal). A especialidade que diagnostica e trata é de alergia. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), entre 50% e 70% das pessoas apresentam sintomas cutâneos, 50% a 60% gastrointestinais e 20% a 30% sintomas respiratórios.

A alergia ao leite pode começar em qualquer idade, mas é mais comum em crianças de até três anos. Não há dados oficiais sobre o número de casos, mas o relatório do Ministério da Saúde (MS) apontou que 0,4% das crianças atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi diagnosticada com APLV.

Nesse caso, todos os leites e derivados precisam ser cortados da dieta e o médico deverá orientar a suplementação. Para crianças portadoras de APLV em aleitamento materno, a orientação é que os produtos lácteos sejam eliminados da dieta da mãe. Assim, evita-se o fator alergênico e preservam-se os benefícios da amamentação.

 

APLV tem cura?

Diferentemente de outras alergias alimentares, a APLV pode diminuir ou desaparecer com o passar do tempo, precisando ser testada sob supervisão médica em clínica ou mesmo em um hospital. Já a intolerância à lactose tende a ser uma condição permanente.

 

Alternativas para quem não toma leite

mulher procurando leite

As prateleiras dos supermercados exibem cada vez mais alternativas de produtos para pessoas veganas, com intolerância à lactose ou alergia ao leite. Converse com seu médico, principalmente, em caso de alergias, antes de colocar esses produtos no seu carrinho.

Leites vegetais são extratos de sementes e cereais. Opções caseiras ou industrializadas são uma boa opção para variar as receitas, mas têm valores nutricionais, e preços, diferenciados. Podem ser feitos a partir de amêndoas, arroz, castanhas, soja, etc.

Produtos zero lactose: na indústria, a enzima lactase é adicionada ao leite e promove a quebra da lactose. O processo deixa o leite um pouco mais doce, mas não exclui nutrientes. Indicados para pessoas com intolerância, porém não deve ser consumido pelos alérgicos.

Leite A2: apresenta menor quantidade de uma das funções proteicas da caseína, a beta A2. No, entanto, a Asbai alerta: o processo não torna o leite hipoalergênico e não é indicado para pacientes com hipersensibilidade ao leite de vaca.

Existem fontes vegetais ricas em cálcio, como folhas verde-escuras, grão-de-bico, chia, gergelim, sardinha, etc. Porém, a absorção do mineral no organismo pode variar bastante. Converse com seu médico ou nutricionista sobre a melhor forma de equilibrar sua alimentação.

 

Necessidade diária de cálcio, conforme a idade

FAIXA ETÁRIA

Recomendação diária (mg/dia)

  0-6 meses

  200

  7-12 meses

  260

  1-3 anos

  700

  4-8 anos

  1.000

  9-18 anos

  1.300

 19-50 anos

  1.000

  51-70 anos

  1.000 (homens) e 1.200 (mulheres)

  >70 anos

  1.300

 

 Descobriu que tem intolerância à lactose? Veja dicas neste link:

https://www.unimed.coop.br/viver-bem/alimentacao/descobriu-que-tem-intolerancia-a-lactose-


Texto: Agência Babushka | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria, Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), EMBRAPA, Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) e Comissão nacional de Incorporação de Tecnologia do SUS (CONITEC).

Conteúdo aprovado pelo responsável técnico-científico do Portal Unimed.


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