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O consumo regular de bebidas alcoólicas é parte da rotina de mais da metade dos brasileiros. Mais do que isso, grandes datas festivas como o Carnaval já têm o álcool e outras drogas como parte de seu imaginário. Nesse cenário, o Dia Nacional de Combate ao Uso de Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é uma oportunidade para conscientizar a população sobre os riscos tanto do abuso de álcool como do consumo de substâncias lícitas e ilícitas. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde presente no “Relatório de status global sobre álcool e saúde e tratamento de transtornos por uso de substâncias”, 58,1% da população brasileira acima de 15 anos consome bebidas alcoólicas regularmente e ao menos 35,3% afirmam ter episódios de “beber pesado”, quando o consumo é superior a 4 cervejas, taças de vinho ou doses de destilado.
No caso das drogas ilícitas, um levantamento feito em parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) constatou que 4,9 milhões de pessoas fazem uso de substâncias consideradas ilegais, com a cocaína respondendo por 3,1% dos casos. Entre os jovens, a proporção de brasileiros que fazem uso de drogas ilícitas é de 7,4%, a maioria homens.
É notório o potencial nocivo do consumo excessivo de álcool e drogas para o organismo. Entre os principais impactos da bebida alcoólica em excesso, os especialistas da área da saúde listam doenças hepáticas, cardiovasculares, transtornos mentais, dependência e o comprometimento das funções cognitivas.
Já no caso de drogas ilícitas como a cocaína e o crack, médicos pontuam o desencadeamento de alterações neurológicas graves, doenças cardiovasculares e dependência química. Cabe ressaltar que, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), o Brasil é o maior mercado mundial de crack, representando 20% do consumo da droga no mundo todo.
Além disso, a população brasileira também registra o consumo de outras substâncias como o ecstasy e o LSD. Conhecidas como drogas sintéticas por serem resultado de processos químicos, essas substâncias podem causar alucinações, alterações no ritmo cardíaco e danos permanentes ao cérebro.
Infelizmente, o debate acerca do consumo de bebidas alcoólicas e drogas ainda é bastante tímido e dificultado por uma série de tabus. Diante disso, é natural que mitos e desinformação ganhem espaço, mas é importante esclarecer alguns pontos chave como a questão da dependência.
De fato, existem pessoas que mesmo após algum contato com álcool ou outras substâncias não desenvolvem uma relação de dependência, contudo, especialistas alertam que o risco aumenta de forma proporcional à frequência do consumo. Além disso, acredita-se que os jovens sejam mais suscetíveis aos efeitos das drogas por terem um organismo em desenvolvimento e eles compõem a principal fatia de pessoas em contato com essas substâncias.
Mais do que isso, é necessário ressaltar que a dependência é considerada uma doença e, como tal, possui tratamento eficaz em uma combinação entre acompanhamento médico, terapias e apoio psicológico. No entanto, para antes disso é necessário ampliar os esforços de prevenção, especialmente entre crianças e adolescentes, por meio de conversa aberta e educativa.
Não existe uma solução simples para prevenir o uso abusivo de substâncias lícitas e ilícitas. Na verdade, profissionais de saúde recomendam uma combinação entre educação e informação sobre os riscos para reduzir a probabilidade de consumo, diálogo familiar aberto para fortalecer a confiança e diminuir a vulnerabilidade dos jovens, bem como acompanhamento médico e psicológico para ajudar a identificar sinais precoces de dependência. De fato, o combate ao uso de drogas e ao alcoolismo exige ações integradas entre família, sociedade e serviços de saúde. Prevenir é a melhor estratégia para garantir qualidade de vida e bem-estar para todos.
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