MPOX: O que é, sintomas, prevenção, letalidade e vacinação - Unimed Cerrado

MPOX: O que é, sintomas, prevenção, letalidade e vacinação

A mpox, também conhecida como varíola símia (antiga varíola dos macacos), é uma doença viral causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae, a mesma da antiga varíola humana.
26 de fevereiro, 2026


 

A mudança de nomenclatura foi adotada internacionalmente para evitar estigmatização.

Trata-se de uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos. A infecção pode ocorrer por contato direto com animais silvestres infectados, bem como por contato próximo com pessoas infectadas. Atualmente, a principal forma de transmissão ocorre entre humanos, por meio de contato direto com lesões de pele, secreções, fluidos corporais ou exposição prolongada a secreções respiratórias.

Desde 2022, a doença passou a receber maior atenção internacional devido ao surto global. O Brasil mantém vigilância epidemiológica ativa para monitoramento e controle de casos, conforme diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

O que é a mpox?

A mpox é uma infecção viral caracterizada principalmente pelo surgimento de lesões na pele, que podem ser acompanhadas por sintomas sistêmicos.
Existem diferentes clados (linhagens) do vírus. O Clado II foi responsável pela maior parte dos casos no surto global de 2022. Já o Clado I, incluindo o subtipo 1b identificado na África Central, está historicamente associado a quadros potencialmente mais graves.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão ocorre principalmente por:

•    Contato direto com lesões de pele, crostas ou fluidos corporais (secreções respiratórias, saliva, sangue e fluidos genitais)
•    Contato íntimo, incluindo relações sexuais
•    Exposição prolongada a secreções respiratórias
•    Contato com objetos contaminados (roupas, toalhas, lençóis e utensílios)

A transmissão pode ocorrer desde o início dos sintomas até que todas as lesões estejam cicatrizadas, com queda completa das crostas e regeneração da pele.

Período de incubação

O período de incubação varia de 5 a 21 dias, podendo, em alguns casos, ocorrer entre 3 e 16 dias.

Sinais e sintomas

Os sintomas iniciais podem incluir:

•    Febre
•    Dor de cabeça
•    Dores musculares
•    Calafrios
•    Fraqueza
•    Aumento dos linfonodos (ínguas)

As manifestações cutâneas são a principal característica clínica da mpox.

As lesões progridem, em geral, ao longo de aproximadamente 12 dias, evoluindo sequencialmente pelos seguintes estágios:

Máculas → Pápulas → Vesículas → Pústulas → Crostas

•    Máculas: manchas planas na pele
•    Pápulas: lesões elevadas e sólidas
•    Vesículas: lesões com conteúdo líquido claro
•    Pústulas: lesões com conteúdo purulento (amarelado)
•    Crostas: fase final, quando as lesões secam e formam crosta

Após a formação das crostas, estas se desprendem e ocorre a reepitelização da pele. Quando todas as crostas desaparecem e a pele está íntegra novamente, a pessoa deixa de transmitir o vírus.

As lesões podem ser dolorosas ou pruriginosas e variar em número, de poucas até múltiplas, podendo surgir no rosto, palmas das mãos, plantas dos pés, tronco, boca, olhos, órgãos genitais e região anal.

Em alguns casos, as lesões podem se assemelhar às observadas na varicela (catapora). Por isso, o diagnóstico diferencial deve considerar outras condições, como Varicela e herpes-zóster, Herpes simples, Sífilis primária ou secundária, Molusco contagioso, infecções bacterianas de pele e reações alérgicas. 
Na maioria dos casos, os sinais e sintomas desaparecem em poucas semanas.

Letalidade

Na maioria dos casos, a mpox apresenta evolução leve a moderada, com recuperação espontânea.

A taxa de mortalidade em áreas endêmicas varia de 0 a 11%, afetando principalmente crianças. Atualmente, nos países não endêmicos com detecção da doença, a taxa de mortalidade é de 0,022%. O risco de evolução grave e óbito é maior em pessoas imunossuprimidas, com complicações infecciosas da doença.

Grupos com maior risco de complicações

Apresentam maior risco de formas graves:

•    Pessoas imunossuprimidas, especialmente com HIV não controlado
•    Gestantes
•    Crianças pequenas
•    Pessoas com doenças crônicas que comprometam o sistema imunológico

Embora o surto de 2022 tenha afetado majoritariamente homens adultos, a mpox pode acometer qualquer pessoa exposta ao vírus.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e confirmado por teste molecular (PCR) a partir de amostras coletadas das lesões.
O sequenciamento genético pode ser realizado para fins de vigilância epidemiológica.

Tratamento

A maioria dos casos é tratada com suporte clínico, incluindo:

•    Controle da dor e da febre
•    Hidratação
•    Prevenção de infecções secundárias

Em casos graves ou em pacientes imunossuprimidos, pode ser indicado antiviral específico, como o Tecovirimat, conforme protocolos oficiais e disponibilidade no sistema de saúde.

Vacinação contra mpox

O Brasil utiliza vacina originalmente desenvolvida contra a varíola humana, que oferece proteção cruzada contra a mpox.

A vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém não faz parte do calendário vacinal de rotina. A aplicação é direcionada a grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, incluindo:

•    Pessoas vivendo com HIV com imunossupressão
•    Profissionais de laboratório que manipulam orthopoxvírus 
•    Pessoas com exposição de risco a casos confirmados, conforme avaliação epidemiológica
•    Usuários de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) também podem se vacinar. 

Como prevenir?

As principais medidas preventivas incluem:

•    Evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença
•    Não compartilhar objetos pessoais
•    Higienizar frequentemente as mãos
•    Utilizar equipamentos de proteção individual ao cuidar de pessoa infectada:
- Luvas descartáveis ao tocar lesões, roupas ou objetos da pessoa infectada
- Máscara cirúrgica ao permanecer no mesmo ambiente por tempo prolongado

Pessoas com suspeita ou confirmação devem manter isolamento até a completa cicatrização das lesões.

Conclusão

A médica de família e Comunidade Dra. Sarah Sant´Anna, Diretora técnica da área de Atenção Integral à Saúde da Unimed Cerrado, afirma que a mpox é uma doença viral que exige vigilância contínua, mas cujo controle é possível por meio de diagnóstico precoce, isolamento adequado, vacinação para grupos prioritários e adoção de medidas preventivas.

Fique atento ao apresentar sintomas compatíveis, é fundamental procurar avaliação médica e informar histórico de contato recente com caso suspeito ou confirmado.

A informação baseada em evidências é essencial para proteger a saúde individual e coletiva.
 

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