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A mudança de nomenclatura foi adotada internacionalmente para evitar estigmatização.
Trata-se de uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos. A infecção pode ocorrer por contato direto com animais silvestres infectados, bem como por contato próximo com pessoas infectadas. Atualmente, a principal forma de transmissão ocorre entre humanos, por meio de contato direto com lesões de pele, secreções, fluidos corporais ou exposição prolongada a secreções respiratórias.
Desde 2022, a doença passou a receber maior atenção internacional devido ao surto global. O Brasil mantém vigilância epidemiológica ativa para monitoramento e controle de casos, conforme diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.
O que é a mpox?
A mpox é uma infecção viral caracterizada principalmente pelo surgimento de lesões na pele, que podem ser acompanhadas por sintomas sistêmicos. Existem diferentes clados (linhagens) do vírus. O Clado II foi responsável pela maior parte dos casos no surto global de 2022. Já o Clado I, incluindo o subtipo 1b identificado na África Central, está historicamente associado a quadros potencialmente mais graves.
Como ocorre a transmissão?
A transmissão ocorre principalmente por:
• Contato direto com lesões de pele, crostas ou fluidos corporais (secreções respiratórias, saliva, sangue e fluidos genitais) • Contato íntimo, incluindo relações sexuais • Exposição prolongada a secreções respiratórias • Contato com objetos contaminados (roupas, toalhas, lençóis e utensílios)
A transmissão pode ocorrer desde o início dos sintomas até que todas as lesões estejam cicatrizadas, com queda completa das crostas e regeneração da pele.
Período de incubação
O período de incubação varia de 5 a 21 dias, podendo, em alguns casos, ocorrer entre 3 e 16 dias.
Sinais e sintomas
Os sintomas iniciais podem incluir:
• Febre • Dor de cabeça • Dores musculares • Calafrios • Fraqueza • Aumento dos linfonodos (ínguas)
As manifestações cutâneas são a principal característica clínica da mpox.
As lesões progridem, em geral, ao longo de aproximadamente 12 dias, evoluindo sequencialmente pelos seguintes estágios:
Máculas → Pápulas → Vesículas → Pústulas → Crostas
• Máculas: manchas planas na pele • Pápulas: lesões elevadas e sólidas • Vesículas: lesões com conteúdo líquido claro • Pústulas: lesões com conteúdo purulento (amarelado) • Crostas: fase final, quando as lesões secam e formam crosta
Após a formação das crostas, estas se desprendem e ocorre a reepitelização da pele. Quando todas as crostas desaparecem e a pele está íntegra novamente, a pessoa deixa de transmitir o vírus.
As lesões podem ser dolorosas ou pruriginosas e variar em número, de poucas até múltiplas, podendo surgir no rosto, palmas das mãos, plantas dos pés, tronco, boca, olhos, órgãos genitais e região anal.
Em alguns casos, as lesões podem se assemelhar às observadas na varicela (catapora). Por isso, o diagnóstico diferencial deve considerar outras condições, como Varicela e herpes-zóster, Herpes simples, Sífilis primária ou secundária, Molusco contagioso, infecções bacterianas de pele e reações alérgicas. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas desaparecem em poucas semanas.
Letalidade
Na maioria dos casos, a mpox apresenta evolução leve a moderada, com recuperação espontânea.
A taxa de mortalidade em áreas endêmicas varia de 0 a 11%, afetando principalmente crianças. Atualmente, nos países não endêmicos com detecção da doença, a taxa de mortalidade é de 0,022%. O risco de evolução grave e óbito é maior em pessoas imunossuprimidas, com complicações infecciosas da doença.
Grupos com maior risco de complicações
Apresentam maior risco de formas graves:
• Pessoas imunossuprimidas, especialmente com HIV não controlado • Gestantes • Crianças pequenas • Pessoas com doenças crônicas que comprometam o sistema imunológico
Embora o surto de 2022 tenha afetado majoritariamente homens adultos, a mpox pode acometer qualquer pessoa exposta ao vírus.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico e confirmado por teste molecular (PCR) a partir de amostras coletadas das lesões. O sequenciamento genético pode ser realizado para fins de vigilância epidemiológica.
Tratamento
A maioria dos casos é tratada com suporte clínico, incluindo:
• Controle da dor e da febre • Hidratação • Prevenção de infecções secundárias
Em casos graves ou em pacientes imunossuprimidos, pode ser indicado antiviral específico, como o Tecovirimat, conforme protocolos oficiais e disponibilidade no sistema de saúde.
Vacinação contra mpox
O Brasil utiliza vacina originalmente desenvolvida contra a varíola humana, que oferece proteção cruzada contra a mpox.
A vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém não faz parte do calendário vacinal de rotina. A aplicação é direcionada a grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, incluindo:
• Pessoas vivendo com HIV com imunossupressão • Profissionais de laboratório que manipulam orthopoxvírus • Pessoas com exposição de risco a casos confirmados, conforme avaliação epidemiológica • Usuários de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) também podem se vacinar.
Como prevenir?
As principais medidas preventivas incluem:
• Evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença • Não compartilhar objetos pessoais • Higienizar frequentemente as mãos • Utilizar equipamentos de proteção individual ao cuidar de pessoa infectada: - Luvas descartáveis ao tocar lesões, roupas ou objetos da pessoa infectada - Máscara cirúrgica ao permanecer no mesmo ambiente por tempo prolongado
Pessoas com suspeita ou confirmação devem manter isolamento até a completa cicatrização das lesões.
Conclusão
A médica de família e Comunidade Dra. Sarah Sant´Anna, Diretora técnica da área de Atenção Integral à Saúde da Unimed Cerrado, afirma que a mpox é uma doença viral que exige vigilância contínua, mas cujo controle é possível por meio de diagnóstico precoce, isolamento adequado, vacinação para grupos prioritários e adoção de medidas preventivas.
Fique atento ao apresentar sintomas compatíveis, é fundamental procurar avaliação médica e informar histórico de contato recente com caso suspeito ou confirmado.
A informação baseada em evidências é essencial para proteger a saúde individual e coletiva.
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