Aquarela da Saúde de Maio: mês de conscientização contra os vícios

Na busca por bem-estar e qualidade de vida, muitas vezes nos deparamos com desafios que podem comprometer nossa saúde física e mental. Entre eles, os vícios se destacam como uma problemática complexa, que vai muito além do consumo de substâncias como álcool e tabaco. O uso excessivo de cigarros eletrônicos e a dependência de telas (smartphones, computadores, videogames) também se enquadram nessa categoria, impactando negativamente diversos aspectos da nossa rotina e saúde.

É necessário entender que o vício, em suas variadas formas, não é um sinal de fraqueza ou falta de vontade. Trata-se de uma condição que envolve mecanismos neurobiológicos, psicológicos e sociais, que tornam a superação um processo desafiador que, na maioria das vezes, requer apoio profissional. Entenda:


Álcool e Tabaco

Apesar de serem substâncias lícitas, são altamente viciantes e prejudiciais à saúde. O álcool, em longo prazo, pode levar a doenças hepáticas como a cirrose, problemas cardiovasculares, diversos tipos de câncer (como o de esôfago e fígado), além de transtornos neurológicos e psiquiátricos, incluindo dependência.

O tabaco, por sua vez, é um dos principais causadores de câncer de pulmão, enfisema pulmonar, bronquite crônica, doenças cardíacas e vasculares, além de estar associado a outros tipos de câncer e problemas de saúde. Ambos também podem impactar negativamente a saúde mental e a qualidade de vida de indivíduos e de seus familiares.


Cigarros Eletrônicos (vapes/pods)

Embora comercializados como alternativas "mais seguras", os cigarros eletrônicos (vapes/pods) se tornaram uma preocupante tendência, especialmente entre o público jovem. A facilidade de acesso, os sabores atraentes e a percepção equivocada de menor risco contribuem para essa popularização.

A inalação dos aerossóis desses dispositivos expõe os usuários a uma série de substâncias perigosas, incluindo a nicotina, que é altamente viciante e pode prejudicar o desenvolvimento cerebral em adolescentes e jovens adultos, afetando a atenção, o aprendizado e o controle de impulsos. Além da nicotina, os aerossóis contêm metais pesados, substâncias aromatizantes como o diacetil (ligado a problemas pulmonares graves) e partículas ultrafinas que danificam as vias respiratórias.

O uso precoce de cigarros eletrônicos aumenta o risco de desenvolvimento de doenças respiratórias como bronquite e asma, além de potenciais impactos no sistema cardiovascular. A normalização do uso desses dispositivos entre os jovens também levanta preocupações sobre uma possível porta de entrada para o consumo de cigarros tradicionais e outras drogas no futuro.


Dependência de Telas

O uso excessivo de telas, como as de smartphones, tablets, computadores e televisão, tem se tornado muito comuns em um mundo cada vez mais digitalizado. O uso descontrolado desses dispositivos pode acarretar em diversos malefícios, principalmente para crianças e adolescentes, mas também para adultos.

O sedentarismo induzido pelo uso prolongado contribui para o aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A exposição à luz azul emitida pelas telas, especialmente à noite, pode interferir na produção de melatonina, um hormônio crucial para a regulação do sono, levando a insônia e outros distúrbios do sono. Além disso, o uso constante de dispositivos eletrônicos pode causar dores musculoesqueléticas, como dores no pescoço, ombros e costas devido a posturas inadequadas.

No âmbito da saúde mental, o uso excessivo de telas tem sido associado ao aumento da ansiedade, depressão e sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A exposição constante a conteúdos online pode levar a comparações sociais prejudiciais, cyberbullying e uma sensação de isolamento social, paradoxalmente, apesar da conectividade virtual. O desenvolvimento de habilidades sociais e de comunicação também é prejudicado quando o tempo dedicado às interações face a face é substituído pelas interações virtuais.


A importância do apoio multidisciplinar: nutrição e psicologia como pilares da recuperação

Superar um vício, em qualquer de suas formas, é uma jornada que exige um olhar atencioso e integral sobre o indivíduo. Nesse sentido, o acompanhamento de profissionais como nutricionistas e psicólogos desempenha um papel fundamental:

Nutricionistas

Avaliação e plano alimentar personalizado: o nutricionista pode avaliar o estado nutricional do paciente, que muitas vezes é afetado pelo vício (desnutrição, deficiências vitamínicas, ganho ou perda de peso excessiva). Com base nessa avaliação, elabora um plano alimentar equilibrado e individualizado, visando fortalecer o organismo e fornecer os nutrientes necessários para a recuperação.

Estratégias alimentares para lidar com o vício: a alimentação pode ser uma ferramenta importante no manejo da ansiedade e no desejo de utilizar substâncias ou telas. O nutricionista pode orientar sobre alimentos que promovem a saciedade, ajudam a regular o humor e evitam picos de glicemia que podem desencadear a vontade de recorrer a meios prejudiciais.

Psicólogos e o cuidado com a saúde mental e emocional

Identificação das causas subjacentes: o psicólogo auxilia o paciente a identificar os gatilhos emocionais, os padrões de pensamento e as situações que contribuem para o desenvolvimento e a manutenção do vício.

Desenvolvimento de estratégias de enfrentamento: através da terapia, o paciente aprende estratégias saudáveis para lidar com o estresse, a ansiedade, a frustração e outras emoções que antes eram "aliviadas" pelo vício. Isso inclui técnicas de relaxamento, mindfulness, resolução de problemas e reestruturação cognitiva.

Fortalecimento da motivação e da resiliência: o psicólogo trabalha para fortalecer a motivação do paciente para a mudança e desenvolver sua resiliência para lidar com os desafios e as recaídas que podem ocorrer ao longo do processo de recuperação.

Trabalho com a rede de apoio: em muitos casos, o psicólogo também pode envolver a família e outros membros da rede de apoio do paciente no processo terapêutico, oferecendo orientações e facilitando a comunicação entre eles.

Se você ou alguém que você conhece está enfrentando dificuldades com algum tipo de vício, saiba que não está sozinho. Procure ajuda profissional e inicie o caminho para uma vida mais saudável e plena.


Fontes: Instituto Vencer o CâncerMinistério da SaúdeMinistério da Justiça e Segurança Pública

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