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Voltar Doação de órgãos: um gesto que transforma vidas

Doação de órgãos: um gesto que transforma vidas

A doação de órgãos é um dos maiores atos de solidariedade e amor ao próximo. Por meio dela, pessoas que enfrentam doenças graves e irreversíveis têm a oportunidade de receber um transplante e retomar sua qualidade de vida.
14 de julho, 2026

Um único doador pode beneficiar dezenas de pessoas por meio da doação de órgãos e tecidos, proporcionando esperança para pacientes que aguardam por uma nova chance de viver. No Brasil, mais de 85 mil pessoas aguardam por um transplante de órgãos ou tecidos, sendo a maior parte na espera por um rim (45,4 mil pacientes) e por uma córnea (36,6 mil pacientes). Em 2025, o país alcançou um recorde histórico de mais de 31 mil transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), consolidando um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo. Ainda assim, a demanda permanece muito superior à oferta de órgãos, reforçando a importância da conscientização sobre a doação.


No Rio Grande do Sul, estado reconhecido nacionalmente pela excelência de seu sistema de transplantes, mais de 2.900 pessoas aguardam por um órgão ou tecido, com destaque para a necessidade de transplantes de rim, córnea, fígado e pulmão. A eficiência da Central Estadual de Transplantes faz do estado uma referência nacional, mas a lista de espera demonstra que ainda há muitas vidas dependendo da solidariedade da população.

A distribuição dos órgãos ocorre por meio de uma lista única, pública e transparente, coordenada pelo Sistema Nacional de Transplantes. A prioridade não é definida apenas pelo tempo de espera, mas principalmente por critérios técnicos, como compatibilidade entre doador e receptor, gravidade clínica, urgência do caso e características imunológicas, garantindo justiça e segurança em todo o processo.

Apesar dos avanços conquistados, um dos principais desafios continua sendo a recusa familiar. No Rio Grande do Sul, aproximadamente 49% das famílias ainda não autorizam a doação de órgãos após a confirmação da morte encefálica de um familiar. Isso significa que praticamente metade das oportunidades de doação deixa de se concretizar, reduzindo significativamente o número de transplantes e prolongando a espera de milhares de pacientes.


Por isso, a decisão de ser doador deve ser compartilhada com a família. No Brasil, mesmo que uma pessoa manifeste em vida o desejo de doar seus órgãos, a autorização para a doação somente pode ser concedida pelos familiares após o diagnóstico de morte encefálica. Conversar sobre esse desejo é a forma mais eficaz de garantir que a vontade do potencial doador seja respeitada.

Dúvidas frequentes sobre doação de órgãos

A doação de órgãos pode salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças graves. É um ato de generosidade que pode ter um impacto significativo na vida de outras pessoas. Fale com sua família sobre sua vontade de ser um doador de órgãos é um passo importante para garantir que sua decisão seja respeitada.


O que é morte encefálica ou cerebral?
A morte encefálica, também conhecida como morte cerebral, é a perda irreversível das funções do cérebro, incluindo o tronco cerebral. É um estado em que o cérebro não funciona mais e não há possibilidade de recuperação.

O que é doação de órgãos?
A doação de órgãos é o processo de doar órgãos ou tecidos de um indivíduo para outro que precisa de um transplante.

Quem pode ser doador de órgãos?
Qualquer pessoa pode ser doadora de órgãos, desde que se aceite da família e a equipe médica avalie o estado de saúde do potencial doador e todos os fatores relevantes para os órgãos e tecidos, visando encaminhar os receptores conforme compatibilidade da lista de espera, de acordo com o Ministério da Saúde.

Quais órgãos podem ser doados?
Entre os órgãos estão inclusos rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino delgado, córneas, pele e ossos.

A doação de órgãos é segura?
Sim, a doação de órgãos é um processo seguro e regulamentado. Os profissionais de saúde seguem protocolos rigorosos para garantir a segurança do doador e do receptor.

Eu posso me declarar doador?
Sim, você pode se declarar como doador. No entanto, é a família que define sobre a doação. Manifestar sua vontade pode ajudar a guiar essa decisão.

Quando é abordada a doação de órgãos?
Após o diagnóstico de morte encefálica, para doação de múltiplos órgãos. Córneas podem ser doadas também em casos de morte por parada cardiorrespiratória.

A família do doador é consultada sobre a doação?
Sim, a família do doador é consultada sobre a doação de órgãos, e é ela quem autoriza ou nega a doação e pode sinalizar caso tenha restrição específica à captação de algum órgão específico.

A família do doador pode escolher o receptor?
Nos casos de doação pós-morte não. O receptor é anônimo e segue rigorosamente a lista de espera e compatibilidade para transplante, não sendo possível indicar quem irá receber. Nos casos de doação entre vivos ela ocorre entre parentes de até quarto grau ou cônjuges; entre pessoas não aparentadas, é exigida autorização judicial.

Pode ocorrer doação entre vivos?
Sim, a doação de órgãos em vida pode ocorrer, por exemplo, de um rim, parte do fígado, parte do pulmão ou medula óssea, após avaliação médica e compatibilidade e mediante aceite de consentimento informado e livre para a doação por parte do doador e que não o prejudique.

A retirada dos órgãos causa deformidades no corpo ou alguma restrição para o momento de despedida?
A retirada de órgãos é feita por um procedimento cirúrgico por médicos capacitados que não causa deformidades no corpo, podendo a família realizar os rituais de despedida sem restrições.

A doação de órgãos atrasa a liberação para os rituais de despedida?
A doação de órgãos é um princípio de imensa solidariedade que beneficia toda a sociedade como um todo. A equipe agirá de forma ágil e acolhedora com a família em resposta a um ato tão nobre, retardando ao mínimo possível o tempo de espera para liberação do seu familiar.

Cada conversa sobre doação pode representar uma nova oportunidade de vida. Ao informar sua família sobre o desejo de ser doador, você contribui para reduzir a lista de espera e oferece esperança a milhares de brasileiros que aguardam pela chance de continuar vivendo.


Fonte:
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/snt/lista-de-espera-e-transplantes-realizados-no-brasil-no-ano-recorrente
Registro brasileiro de transplantes de 2025: https://site.abto.org.br/