Voltar Cuidado com a saúde mental exige evitar o uso excessivo de telas

Cuidado com a saúde mental exige evitar o uso excessivo de telas

O uso excessivo de telas – das crianças até os idosos – vem funcionando como um gatilho e também agravante em muitos casos relacionados à saúde mental.
13 de outubro, 2025

Viver saudável, esse é o plano. Para atingir a meta, a Unimed Grande Florianópolis definiu como foco atuar na prevenção em saúde, gerando qualidade de vida e protegendo as pessoas antes do adoecimento. O objetivo envolve todas as faces do cuidado e, neste mês, prioriza a atenção à saúde mental, contemplando o alerta do Setembro Amarelo e de olho no que a própria população brasileira define como urgência. Pesquisa da Health Service Report 2024 revela que 54% dos brasileiros já consideram os problemas de saúde mental o principal desafio médico do país, índice que ultrapassa, pela primeira vez, mais da metade da população do Brasil.

O uso excessivo de telas – das crianças até os idosos – vem funcionando como um gatilho e também agravante em muitos casos relacionados à saúde mental. Isso está registrado no estudo inédito realizado pela SCP – Sociedade Catarinense de Pediatria, em parceria da ACM – Associação Catarinense de Medicina, que resultou no Mapa de Risco da Saúde das Crianças e Adolescentes, lançado em abril de 2025. A pesquisa, que vem sendo considerada modelo no país, demonstra que cerca de 50% da população infantil do estado fazem uso de tela (celular, computador etc.) de 3 a 4 horas por dia. As consequências desse tempo exagerado para a faixa etária são imediatas e se refletem em outras dados preocupantes do estudo: 30% das crianças catarinenses são inativas e 44% têm peso inadequado.

No adulto, os números são ainda muito mais alarmantes, tendo em vista que a maioria das atividades profissionais exige o uso de computador ou telefone celular. Pesquisa da Global Overview Report – DataReportal chega a registrar que o brasileiro usa as telas, em média, cerca de 9 horas por dia, o que representa mais da metade do tempo que ele fica acordado. O mesmo estudo indica que o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de uso de telas, ficando atrás apenas da África do Sul. O Censo Brasileiro confirma os dados, ao identificar que já existe mais de 1 smartphone (90% com acesso à internet) para cada brasileiro.

A médio e longo prazo, toda essa exposição prevê consequências de grande impacto, especialmente no aumento do número de casos de ansiedade, irritabilidade, fadiga, queda no rendimento acadêmico ou profissional, fragilidade nas relações familiares e sociais, dependência digital e até o agravamento de transtornos já existentes, como ansiedade e TDAH.

 

Maior equilíbrio para reduzir riscos

 

O mundo ainda está descobrindo os efeitos mais nocivos das muitas horas em frente das telas, mas já é certo que o exagero está ligado a uma maior prevalência e gravidade de sintomas psiquiátricos. O médico cooperado, psiquiatra e membro do corpo clínico do Hospital Unimed Grande Florianópolis, Dr. João Felipe Wanrowsky Fissmer, avalia que as evidências de alterações neurobiológicas compartilhadas entre sintomas depressivos e uso excessivo de smartphones, como mudanças na conectividade funcional de redes cerebrais relacionadas ao processo de recompensa, reforçam a plausibilidade biológica dessa associação. “O uso noturno de smartphones, em particular, está associado a pior qualidade do sono, o aumento do estresse e a sintomas depressivos. Em adolescentes, o tempo de tela elevado está relacionado a maior risco de sintomas depressivos, baixa autoestima e aumento do risco suicida”.


 

É certo que a revolução tecnológica, o processamento digital, a internet, as conexões remotas e a aceleração da Inteligência Artificial estão mexendo com a sociedade a com a mente. Mas o médico avalia que, muito mais do que simplesmente criticar positiva ou negativamente o uso da tecnologia, é indispensável encontrar o maior equilíbrio possível na relação com as máquinas. “Precisamos compreender melhor essa interação humano x tecnologia através de um maior compromisso individual e coletivo sobre o tema. Mais do que apenas entender do assunto, o grande diferencial está em se perceber e se conhecer o suficiente para fazer escolhas assertivas”.

Por fim, o Dr. João Fissmer avalia o papel do psiquiatra nesse contexto.  “O indivíduo que está com qualquer grau de dificuldade em se gerenciar merece ser auxiliado a efetivamente encontrar o seu particular bem-estar. O profissional da Psiquiatria precisa estar conectado com o cenário tecnológico que hoje envolve o ser humano. Inclusive o atendimento psiquiátrico e psicológico remoto (online) estão cada vez mais disponíveis, aproximando de forma prática e segura os pacientes da assistência especializada”.

 

Prevenção começa em casa e com as crianças

 

O uso desregulado de telas é um dos principais fatores para o aumento dos problemas da saúde mental entre crianças e adolescentes. A afirmação é da pediatra cooperada da Unimed Grande Florianópolis, Dra. Ana Camila Flores Farah. A médica identifica que o excesso de telas nas crianças pode causar irritabilidade, alterações do sono, atraso de linguagem e dificuldade de concentração. Nos adolescentes, o impacto aparece na autoestima, devido à comparação constante em redes sociais, além do risco de cyberbullying e até de dependência digital. “Isso afeta a qualidade de vida das crianças de várias formas: rendimento escolar, capacidade de socialização, disposição física e até no crescimento saudável, já que o sedentarismo e o mau sono se tornam frequentes. O bem-estar emocional também é prejudicado, aumentando a vulnerabilidade a transtornos mentais”.


 

A pediatra defende que a prevenção começa em casa, com limites saudáveis para o uso das telas, incentivo a atividades físicas e convivência social, diálogo aberto e rotina equilibrada. Para ela, é essencial haver espaço para falar sobre emoções nas escolas, garantindo um ambiente acolhedor. E, de forma geral, pais e educadores devem ser preparados para identificar sinais de alerta. “O exemplo também é fundamental. Pais que conseguem equilibrar o próprio uso de telas ensinam mais pelo comportamento do que pelas palavras. É importante acompanhar de perto a vida digital dos filhos, conversar sobre conteúdos, estabelecer rotinas de sono, estudo e lazer, além de oferecer experiências reais, como esportes, leitura e momentos em família”.

A hora de procurar a ajuda do pediatra é quando se constata mudança marcante no comportamento da criança — como tristeza persistente, isolamento, queda no desempenho escolar, irritabilidade excessiva ou falas ligadas à morte. “O pediatra é o primeiro ponto de apoio. Ele avalia o quadro, orienta a família e, se necessário, encaminha para psicólogos ou psiquiatras infantis. Esse acompanhamento precoce faz toda a diferença”.

 


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