Iago Muraro destaca empatia e humanização como diferenciais das marcas

Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial e do crescente aumento do acesso à informação, as marcas precisam fortalecer sua capacidade de gerar conexões genuínas com as pessoas. Para falar sobre o tema, o 41º Suesp convidou o pesquisador e especialista em marketing, Iago Muraro, que ministrou a palestra “Gestão de marca em tempos turbulentos: humanizar além do óbvio”, na manhã desta sexta-feira (3/7).
 
Na palestra, coordenada pelo Dr. Paulo de Sá Leite Martins, presidente da Federação Intrafederativa Vale do Paraíba Paulista, Muraro apresentou conceitos e estudos sobre comportamento do consumidor, reputação de marca e inteligência artificial, defendendo que a empatia deve estar no centro das estratégias organizacionais.
 
Segundo ele, em tempos de incerteza, os consumidores buscam marcas capazes de transmitir confiança, segurança e proximidade. “Empatia é o grande motor de negócio, é a grande alavanca de marca que eu, como gestor, tenho para fortalecer o aspecto social na ponta”, afirmou o palestrante.
 
Para ele, a humanização de marca vai além da adoção de uma linguagem mais próxima ou de elementos visuais amigáveis. O processo seria sustentado por dois pilares: o antropomorfismo, que consiste em atribuir características humanas às marcas, e a presença social, relacionada à percepção de que a empresa realmente se importa com as pessoas e com seu contexto de vida.
 
O especialista destacou, ainda, que pesquisas internacionais apontam ganhos relevantes de lealdade quando as empresas conseguem desenvolver conexões autênticas com seus públicos. Segundo ele, as pessoas tendem a permanecer mais tempo consumindo marcas que demonstram atenção genuína às suas necessidades e valores.
 
Muraro também chamou atenção para o risco da chamada “deslegitimização das marcas”, fenômeno que acontece quando empresas tentam se associar a causas sociais sem demonstrar compromisso real com elas. Os consumidores avaliam constantemente a autenticidade das ações corporativas e tendem a rejeitar iniciativas percebidas como oportunistas.
 
“Quem é a Unimed além de ser um plano de saúde? Qual é o nosso papel no mundo? Precisamos responder perguntas que não são apenas comerciais, mas existenciais”, provocou.

Muraro reforçou que o futuro da gestão de marcas passa pela combinação entre tecnologia, inteligência de dados e relações genuínas. “Precisamos de inteligência para cuidar, humanidade para transformar, mas, além disso, precisamos de empatia”, concluiu.