Medicina do futuro coloca o paciente como protagonista do cuidado

Dr. Pedro Schestatsky fala sobre o impacto da tecnologia e do estilo de vida na saúde
No dia 4/7, o neurologista, professor e pesquisador, Dr. Pedro Schestatsky, participou da programação oficial do 40º Suesp, realizado no Guarujá. Autor do livro “Medicina do Amanhã”, Schestatsky compartilhou reflexões que vão além da tecnologia, alertando que os pacientes estão cada vez mais empoderados em relação aos cuidados com a saúde.

Como fio condutor de sua apresentação, o palestrante trouxe o conceito da Medicina dos 5 Ps: preventiva, proativa, preditiva, parceira e personalizada. Segundo ele, esses pilares representam uma ruptura com o modelo tradicional, focado apenas no tratamento de doenças, e apontam para uma medicina que antecipa riscos, envolve o paciente nas decisões e adapta os cuidados às suas características únicas.

Genética e estilo de vida 

Schestatsky destacou o impacto da genética e do estilo de vida na saúde, citando o chamado “efeito Angelina Jolie”, em referência à decisão da atriz, em 2016, de remover mamas e ovários após a descoberta de uma mutação genética. “Genes não são sentenças, são elos frágeis”, afirmou o médico, ressaltando que o conhecimento genético pode orientar, mas não determina o destino do paciente.

O palestrante também apontou o intestino como o órgão mais importante do corpo humano na atualidade. “Todas as doenças são causadas, pioradas ou perpetuadas pelo intestino”, disse Schestatsky, citando estudos que relacionam a diversidade microbiana intestinal à mortalidade após transplantes de células-tronco. Exames de fezes, segundo ele, oferecem insights valiosos sobre a saúde geral do paciente.

IA na medicina

A medicina do futuro, segundo Schestatsky, será cada vez mais tecnológica. Ele apresentou inovações como óculos com inteligência artificial, ecodoppler via celular e monitores contínuos de glicemia. “A tecnologia desmaterializou”, afirmou, explicando que biossensores e dispositivos portáteis estão transformando o modo como os dados de saúde são coletados e analisados.

Ele também defendeu consultas mais longas e humanizadas. “A cada minuto extra de consulta, há uma redução de 16% na readmissão hospitalar”, afirmou, reforçando a importância do tempo de escuta e diálogo com o paciente.

A palestra foi coordenada pelo Dr. Carlos Roberto Nogueira dos Santos, diretor de Gestão Operacional da Unimed Fesp.