Mesa traz perspectivas sobre modelo de saúde centrado no indivíduo e no cuidado integral

Com o tema “Humanização na prática: o cuidado integral como estratégia de saúde", a mesa de debates do dia 3/7 no 41º Suesp trouxe Gabriel Garcez, vice-presidente de saúde na Conexa, Gabriela de Sousa Almeida, gerontóloga e supervisora do NAS (Núcleo de Atenção à Saúde) da Unimed Fesp, e Dra. Claudia Regina de Deus Reinaldo, pediatra e gerente também do NAS. A mesa foi coordenada pelo diretor de Gestão Operacional da Unimed Fesp, Dr. Carlos Roberto Nogueira dos Santos. 

Os profissionais compartilharam diferentes visões sobre como a saúde suplementar pode migrar do foco na doença para um formato centralizado na individualidade, com promoção da saúde ao longo da vida.

Tecnologia a favor do cuidado humanizado
Gabriel Garcez abriu sua fala com um contexto sobre a estruturação do sistema de saúde para atuar apenas quando a doença já está instalada. Hoje, segundo ele, o desafio é antecipar riscos para uma ação certeira. E para isso, a tecnologia pode ser uma grande aliada, coletando dados objetivos e contínuos, como qualidade do sono, variabilidade da frequência cardíaca, entre outros. 

Ele destacou que dispositivos como relógios inteligentes, anéis e pulseiras podem ser úteis para identificar alterações precoces. “Quando faço esse monitoramento visando melhorar a qualidade de vida e longevidade desses pacientes, há, também, um impacto de redução de internações e redução de custo total daquele paciente por ano”, disse. 

Também sobre longevidade, o vice-presidente da Conexa refletiu sobre um paradoxo: "estamos vivendo mais, mas passamos mais tempo da vida com menor qualidade." Por fim, defendeu que a tecnologia deve complementar, e não substituir, o cuidado humano. 

Sustentabilidade baseada em cuidado contínuo
Gabriela de Sousa Almeida, supervisora do NAS da Unimed Fesp, refletiu sobre o cuidado ao longo de toda a trajetória de vida e como o modelo de saúde atual (focado em responder à doença) torna-se progressivamente mais caro e menos sustentável.

"Nosso cuidado não deve estar direcionado para controlar parâmetros, mas sim para o projeto de vida daquele paciente", afirmou. Com isso, introduziu o conceito de "poupança do cuidado", baseado na construção de reservas funcionais, de autonomia e de suporte durante toda a vida.

Singularidade 
A gerente do NAS da Unimed Fesp, Dra. Claudia Regina de Deus Reinaldo, apresentou a transformação da área que, há quase 10 anos, trabalha para abandonar o paradigma tradicional de assistência centrada na doença. A atuação do NAS é focada em cuidar de pessoas.

"Cuidar como eu gostaria de ser cuidada não faz sentido quando falamos de cuidado integral e personalizado", provocou. Segundo ela, essa lógica ignora as diferenças individuais e pode inviabilizar uma assistência realmente personalizada.

Dra. Claudia explicou como o NAS foi estruturado para ser um ponto único de contato com o beneficiário para toda sua jornada; compartilhou como é o funcionamento da área e dos programas que administra, como o de Gestação Saudável, NAS Cuida, Brincar & Viver, entre outros. Também apresentou importantes indicadores, como a redução de 31% na utilização de pronto-socorro entre pacientes acompanhados.