Nexialismo: a habilidade do futuro

Walter Longo apresenta competência essencial para liderar em meio à transformação digital 
Na era pós-digital, para liderar organizações em ambientes cada vez mais complexos, interdependentes e baseados em ecossistemas, é necessário desenvolver uma competência primordial: o nexialismo. Essa foi a análise de Walter Longo, publicitário e administrador especialista em inovação e transformação digital, durante sua palestra na programação do segundo dia do 41º Suesp. 

Segundo ele, vivemos em um período de disrupção acelerada que exige revisão de comportamentos, cultura e modelo de gestão. “Mais importante do que desenvolver armas digitais é desenvolver uma alma digital”, afirmou. Enquanto armas digitais são ferramentas tecnológicas, a alma digital é uma nova forma de pensar, liderar, colaborar e gerar valor.

É a partir dessa contextualização que ele introduz o conceito de nexialismo. O termo vem do latim nexus, que significa conexão. Longo explicou que diferentemente dos especialistas e generalistas, o profissional nexialista é aquele que combina curiosidade, visão sistêmica e humildade intelectual. É alguém que não necessariamente sabe todas as respostas, mas sabe onde buscar conhecimento. “O território do nexialista é a interseção entre pluralidade e profundidade de conhecimento. Ele pensa na conexão entre o todo e o detalhe”, disse.

Para ele, esse tipo de profissional questiona paradigmas e identifica oportunidades de inovação. Conectado a isso, parte da palestra foi dedicada à transformação dos negócios em ecossistemas, com exemplos de empresas que revisitam e ampliam seus propósitos constantemente. O publicitário sugere que o cooperativismo está naturalmente preparado para esse cenário, visto que o diferencial competitivo está justamente no modelo de negócio e na cultura colaborativa.

“O cooperativismo já possui os atributos organizacionais mais valorizados na era pós-digital. O desafio não é mudar sua essência, mas modernizar sua gestão para potencializar essa vantagem competitiva”, levantou. 

O palestrante concluiu destacando que o gestor do futuro precisa desenvolver o nexialismo, ou seja, visão ampla, capacidade de conexão e protagonismo. “Só um gestor ou líder que compreende múltiplos contextos é capaz de construir ponte entre áreas e conceitos que são vistos, percebidos e vividos por nós de maneira constante”, finalizou. 

A palestra foi coordenada pelo presidente da Intrafederativa Unimed Centro Paulista, Dr. Carlos Albertou Joussef.