O impacto da interoperabilidade no futuro da saúde

Debate discutiu desafios e soluções para a integração de dados dos sistemas de saúde

“Dados que cuidam: interoperabilidade como pilar da saúde do futuro” foi o tema da mesa de debates na tarde de quinta-feira, 3/7, no 40º Suesp. 

Os especialistas convidados para a discussão foram: Marco Bego, Chief Innovation Officer na InovaHC; Luis Fernando Joaquim, sócio na Deloitte; Marcia Ogawa Matsubayashi, membro do Conselho de Inovação da Universidade de São Paulo e do InovaHC; Mauricio Cerri, superintendente de Tecnologia e Inovação da Unimed do Brasil e Reinaldo Manzini, superintendente de Estratégia, Performance e Tecnologia da Unimed Fesp. Os presidentes das Intrafrederativas Vale do Paraíba e Sudeste Paulista, Dr. Julio Cesar Teixeira Amado e Dr. Claudino Guerra Zenaide, respectivamente, foram os mediadores da mesa.

Para introduzir o assunto da programação, Reinaldo Manzini apresentou um resumo clínico, trabalhado por inteligência artificial pela Interall. O arquivo foi produzido por um algoritmo de linguagem e processamento natural a partir de dados de prontuário, exames clínicos e de imagem, além de pontos de atenção e recomendação. “Isso já é realidade! A tecnologia está aí, pronta e a nosso serviço”, comemorou. 

O debate foi iniciado com um paralelo entre o Intercâmbio, um diferencial competitivo do Sistema Unimed, e a interoperabilidade dados. Mauricio Cerri pontuou que, conceitualmente, o Intercâmbio é uma operação de interoperabilidade de dados: “uma troca de informações de sistemas distintos com todo o processo de segurança e padronização”. 

Obstáculos e avanços
Questionados se a ausência de avanços do processo atualmente no Brasil é um problema técnico ou cultural, Luis Fernando Joaquim declarou que acredita ser cultural, uma vez que ainda há muita resistência, conflito e desconfiança nos acordos sobre a temática. “É um paradigma ainda a ser quebrado”, pontuou. 

Foram destacadas a necessidade de padronização dos sistemas, a garantia de segurança da informação e a construção de confiança entre os diversos envolvidos.

InovaHC 
Representando o Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP, Marco Bego e Marcia Ogawa Matsubayashi explicaram como vêm atuando na frente de interoperabilidade de dados clínicos de diferentes sistemas hospitalares e laboratoriais. “Estamos utilizando a infraestrutura do sistema financeiro, colocando a camada de tradução para a saúde e aproveitando os recursos de segurança que já existem”, explicou.

Para explorar parcerias público-privadas em interoperabilidade, a Unimed do Brasil se comprometeu a participar do projeto junto com o HC.  Essa colaboração, segundo os debatedores, é fundamental para acelerar a implementação de soluções interoperáveis e garantir a democratização da digitalização da saúde. 

Os participantes enfatizaram, ainda, o papel crescente da inteligência artificial e de outras tecnologias na facilitação dessa troca de dados, além da necessidade do engajamento dos médicos na operação do sistema.