Confira sobre a Saúde Financeira do Relatório de Gestão e Sustentabilidade
de 2023 da Unimed Santa Bárbara d'Oeste e Americana:

Faturamento com planos de saúde 
O ano de 2023, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), fechou com 51.081 mil beneficiários de planos de saúde, um crescimento de 1,91% em comparação a 2022. Do total de beneficiários, apenas 17,3% correspondem a planos de pessoas física ou familiar.

A Unimed Santa Bárbara d’Oeste e Americana encerrou o ano com 90.795 beneficiários, uma queda de 5,65% sobre os 96.235 beneficiários existentes ao final de 2022.  O percentual de participação das vidas em planos de pessoa física sobre o total é de 34%, o dobro da média do setor. Essa massa é corrigida pela ANS, com índice inferior ao necessário. Com a rápida incorporação ao ROL de novas tecnologias, medicações e terapias ilimitadas, foi feita nova precificação de venda para que os novos produtos sejam capazes de absorver o incremento do custo assistencial, perdendo atratividade perante a concorrência.

Como principais fatores para redução da carteira de beneficiários, tivemos a saída de uma grande empresa por mudança do município, e a diretoria efetuou um saneamento da carteira, com cancelamento de contratos altamente deficitários, após esgotadas as tentativas de reajuste.

Nota: o número de beneficiários acima, não inclui os atendidos em custo operacional e intercâmbio.
FONTE: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/numeros-do-setor/setor-fecha-2023-com-51-milhoes-de-beneficiarios-em-planos-de-assistencia-medica

Mesmo com a queda no número de beneficiários, os reajustes dos planos pessoa jurídica e a nova precificação do plano pessoa física permitiram um crescimento do faturamento da ordem de 11,2% sobre 2022.



Faturamento mensal (R$ mil)
Nota: inclui receitas com Pré-Pagamento, Custo Ocupacional, Intercâmbio e Saúde Ocupacional (0,4% do faturamento mensal)
O reajuste aprovado pela ANS nos planos individuais ou familiares foi de 9,63% a partir de maio/23. Os nossos custos assistenciais aumentaram 11,8%. O descompasso entre preço e custo é a razão pela qual as operadoras têm reduzido ano a ano sua carteira de pessoa física.

Só em 2023, essa massa caiu de 8.978.070 para 8.835.800, uma queda de 142.270 vidas.

Fonte 2023: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/numeros-do-setor/setor-fecha-2023-com-51-milhoes-de-beneficiarios-em-planos-de-assistencia-medica

Fonte 2022: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/numeros-do-setor/setor-fecha-2022-com-50-5-milhoes-de-beneficiarios-em-planos-de-assistencia-medica
Na média, entre grandes, médias e pequenas empresas (pool até 29 vidas), as negociações de reajuste com empresas alcançaram 13,55%. Além disso, estamos tendo um maior crescimento no número de beneficiários nas pessoas jurídicas do que nas físicas. Esses reajustes para correção da sinistralidade foram os responsáveis pelo crescimento do faturamento e mais que compensaram a perda de vidas.
O atendimento de beneficiários de outras Unimeds em nossa área de ação gera um faturamento significativo. Hoje as receitas de Intercâmbio com outras Unimeds são responsáveis por 23% do faturamento total.
O faturamento em custo operacional se refere ao atendimento de beneficiários de autogestões por meio de contratos com preços pós-estabelecidos.
A variação entre 2023 e 2022 foi de apenas 1,3% por conta de uma menor utilização.



Sinistralidade contábil

Na sinistralidade contábil, calculada em concordância com o formato de publicação da Demonstração de Resultados definido em normativo da ANS, nossa sinistralidade caiu de 85,3% para 83,8%. Porém, esse formato desconsidera o faturamento e as despesas relacionadas ao Intercâmbio, além de tratar as coparticipações como redutor de custo, dentre outros pontos.

Sinistralidade gerencial 
 
Por essa razão, apresentamos a sinistralidade gerencial (Custo Assistencial dividido pelo Faturamento) que incorpora as receitas e despesas relacionadas ao intercâmbio, pois também são assistenciais. Sob essa ótica, a sinistralidade aumentou de 90,0% para 90,5%, crescendo 0,5 pontos percentuais sobre 2022. Importante ressaltar que o resultado final não se altera.

Dados da ANS até o 3º trimestre/2023 demonstram que todos os segmentos (Cooperativas Médicas, Medicina de Grupo, Seguradoras e Autogestões) continuam apresentando sinistralidade contábil acima do ideal (75%), embora tenha ocorrido uma melhora de 2 pontos percentuais no 3°trimestre de 2022, com 88,17%.


Resultado operacional

 
Como se observa no gráfico, o resultado operacional (Faturamento deduzido dos Custos Assistenciais, Despesas Comerciais e Administrativas) ficou positivo, praticamente zerado. Contudo, comparado a 2022, houve um reequilíbrio das contas.

Isso significa que o principal negócio da Operadora, que são os planos de assistência à saúde, ainda merecem ajustes para aumentar a margem operacional, de modo que a Cooperativa não dependa do resultado de suas aplicações financeiras para gerar sobra líquida.


Resultado financeiro líquido (R$ mil)
 
As reservas contingenciadas em aplicações financeiras no período de baixa sinistralidade e o aumento substancial da taxa SELIC, propiciaram incremento no Resultado Financeiro (receita de juros das aplicações financeiras deduzidas das despesas com juros de empréstimos).

Também contribuíram para a formação do resultado líquido os ganhos gerados pelos investimentos em outras sociedades, principalmente na Unimed Participações (Unipart).

O resultado líquido da Cooperativa em 2023, foi de R$ 5.245,9 mil, 303,2% acima do de 2022.
Entretanto, pelas normas contábeis e em atendimento à legislação cooperativista e tributária, há necessidade de segregação do resultado em atos cooperativos e atos não cooperativos.

No exercício de 2022, os atos cooperativos geraram uma perda de R$ 550,4 mil e foi absorvida pela Reserva de Sobras. A quantia obtida com atos não cooperativos teve destinação obrigatória ao RATES (Reserva para Assistência Técnica, Educacional e Social).

No exercício de 2023, o resultado de atos cooperativos foi de R$ 182,9 mil e o de atos não cooperativos R$ 5.063,0 mil. Para deliberação da AGO, ainda serão deduzidas as reservas legais e somada a verba utilizada do FATES, elevando a sobra a ser destinada para R$ 562.520,52.
Aplicações financeiras
As aplicações financeiras cresceram 5,4% com relação às vinculadas a ANS e 7,8% em relação ao Caixa Livre. São muito importantes para manter a liquidez da Cooperativa e, como se observou em 2022 e 2023, gerar receitas adicionais, lembrando que o cenário para 2024 é de queda gradativa da SELIC.

O aumento de caixa, apesar do resultado operacional baixo, ocorre porque as provisões técnicas e de contingências judiciais afetam o resultado contábil e o passivo circulante (contas a pagar no curto prazo), mas não impactam diretamente o Fluxo de Caixa, pois não representam saídas efetivas.

Contudo, os eventos assistenciais de alto custo ocorridos nos últimos meses de 2023, somados aos investimentos com compra de equipamentos e reformas derrubou o índice de liquidez corrente de 1,50 para 1,39, ainda acima do limite mínimo de 1,20.

Capital regulatório
A RN ANS 569/2022 estabeleceu uma relevante mudança nas regras de capital regulatório. Substituindo a metodologia de Margem de Solvência, que aferia o valor mínimo de Patrimônio Líquido Ajustado em função do montante de Eventos Indenizáveis (custos assistenciais), a agência implantou, a partir de 2023, um modelo adotado internacionalmente denominado Capital Baseado em Risco (CBR).

O novo modelo reduziu a necessidade de capitalização, e é mais aderente à realidade econômico-financeira de cada Operadora de Plano de Saúde. O cálculo contempla 5 riscos, a saber: risco de subscrição, risco de crédito, risco operacional, risco legal e risco de mercado. Todos calculados por fórmulas pré-determinadas e com base nas informações contábeis.


Em 31/12/2023, a nossa Operadora tinha suficiência de patrimônio líquido de R$ 28.920.789.


 
Esse relatório possui dois períodos de reporte: um para apreciação dos médicos cooperados na Assembleia Geral Ordinária (AGO), realizada em 18 de março de 2024, e outro após a publicação do Balanço Social auditado pelo organismo independente, em data a definir.
 
Conteúdo revisado em 18/03/2024