Cooperativismo

Cooperar significa somar esforço e trabalho para atingir um mesmo fim. A cooperação é uma prática ancestral da humanidade em prol de sua própria sobrevivência ou de uma comunidade, uma civilização, um país ou, ainda, de uma classe social ou profissional. Segundo antropólogos e historiadores, a formação de grupos, que não teriam sobrevivido sem o sentido de cooperação, visava proteger interesses econômicos e garantir a subsistência dos núcleos sociais.

O sistema Unimed

No final da década de 1960, a medicina assistencial no Brasil atravessava um momento de grande efervescência pela perplexidade que as transformações estruturais da Previdência Social traziam. Houve a unificação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs) no Instituto Nacional de Assistência Médica de Previdência Social (INPS), que mais tarde viria a se transformar no Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps), extinto em 1990 para dar lugar ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Além da queda no padrão de atendimento, as mudanças levaram ao surgimento de seguradoras de saúde, à mercantilização da medicina e à proletarização do profissional médico, que ficava impedido de exercer com liberdade e dignidade sua atividade liberal. Em resposta, surgiu a primeira cooperativa de trabalho na área de medicina do país e das Américas: a União dos Médicos – Unimed, fundada na cidade de Santos (SP), em 1967.

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Do lado esquerdo, foto antiga do primeiro prédio da Unimed Santos. Do lado direito, fachada moderna do mesmo prédio atualmente.

A nova experiência cooperativista nasce da iniciativa do ginecologista obstetra Edmundo Castilho e de um grupo de médicos que queria evitar a intermediação das empresas, respeitando a autonomia dos profissionais e o atendimento em consultório. Também desejavam oferecer a mesma qualidade de assistência aos diferentes níveis existentes nas empresas. O conceito era complementar o trabalho do INPS. Cubatão, Guarujá, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande e São Vicente estavam entre os outros municípios que constituíam base da ação da cooperativa, que depois passou a se chamar Unimed Santos.

O rápido sucesso da Unimed Santos estimulou o surgimento de diversas cooperativas médicas, inicialmente no interior de São Paulo, e, depois, em todo o país.
Edmundo Castilho e sua equipe organizaram uma agenda de visitas às cidades interessadas em constituir suas próprias unidades, realizaram palestras, forneceram orientações e mobilizaram profissionais e associações médicas em torno da iniciativa.

O potencial do cooperativismo médico ganhou força e fez com que outras Unimeds fossem criadas, em estados como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Brasília.

Na década de 1970, surgem as Federações Unimed - as chamadas cooperativas de segundo grau, formadas por no mínimo três Singulares, visando padronizar procedimentos operacionais e estimular a troca de experiências entre as cooperativas de um mesmo estado. Em 28 de novembro de 1975 foi criada a Confederação Nacional das Cooperativas Médicas - Unimed do Brasil, entidade máxima do Sistema Unimed, que congrega todas as federações e singulares.

Hoje, o Sistema Unimed está presente em 84% do território nacional, formado por cerca de 340 cooperativas médicas e aproximadamente 118 mil médicos cooperados.
Os princípios do cooperativismo são as linhas orientadoras através das quais as cooperativas levam os seus valores à prática.


Os sete princípios do cooperativismo são:

01

Adesão livre e voluntária

São associações de pessoas com interesses e objetivos comuns. São organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a utilizar seus serviços e assumir responsabilidades como associados.

02

Gestão democrática pelos cooperados

As cooperativas são organizações democráticas, controladas pelos seus associados, que participam ativamente na formação de suas políticas e na tomada de decisões.

03

Participação econômica

Os cooperados contribuem equitativamente para o capital de suas cooperativas e o controlam democraticamente. Pelo menos parte desse capital é propriedade comum da cooperativa.

04

Autonomia e independência

As cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua, geridas pelos seus membros.

05

Educação, formação e informação

As cooperativas devem promover a educação e a formação dos seus associados, representantes eleitos e dos trabalhadores, de forma que possam contribuir de maneira mais eficaz para o desenvolvimento das mesmas.

06

Intercooperação

As cooperativas servem de forma mais eficaz aos seus membros e dão mais força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto com suas co-irmãs por intermédio das estruturas cooperativistas locais, regionais, estaduais, nacionais e internacionais.

07

Interesse pela comunidade

As cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentado de suas comunidades, por meio de políticas aprovadas pelos seus associados.
OCB  - Organização das Cooperativas Brasileiras.

Conteúdo revisado em 11/03/2022