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Agosto Dourado reforça a importância da rede de apoio para o sucesso da amamentação

Especialistas destacam como família, profissionais de saúde e empresas podem criar condições para que mães amamentem com segurança e acolhimento
13 de agosto, 2026

A amamentação costuma ser apresentada como um processo natural, mas sua continuidade também depende das condições encontradas pela mulher desde o nascimento do bebê. Informação adequada, acompanhamento profissional, divisão das responsabilidades familiares e apoio no retorno ao trabalho podem ajudar a superar dificuldades e tornar essa experiência mais tranquila. O tema ganha visibilidade no Agosto Dourado que reforça a campanha nacional de amamentação que se estende por todo o mês.

A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam que o leite materno seja o único alimento oferecido à criança durante os primeiros seis meses de vida, sem água, chás, sucos ou outros leites. Depois desse período, devem ser introduzidos alimentos adequados e saudáveis, mantendo-se a amamentação até os dois anos ou mais. Além de fornecer os nutrientes necessários ao bebê, o leite materno contribui para a proteção contra diarreias, infecções respiratórias e alergias e favorece o desenvolvimento da criança.

Para a pediatra e vice-presidente da Unimed Sul Capixaba, Grazielle Grillo, a responsabilidade pela amamentação não deve recair exclusivamente sobre a mãe. Segundo ela, o suporte precisa começar ainda durante a gestação, com orientações sobre a pega, a produção do leite e as dificuldades que podem surgir após o parto. “Quando a mulher encontra acolhimento, orientação profissional e pessoas dispostas a dividir as tarefas da rotina, ela consegue se dedicar à amamentação com mais tranquilidade. A rede de apoio não amamenta no lugar da mãe, mas cria condições para que ela possa continuar”, explica.

Dentro de casa, companheiros, avós e outros familiares podem colaborar com cuidados como preparar refeições, organizar o ambiente, cuidar das tarefas domésticas e acolher as inseguranças da mãe sem julgamentos. Grazielle destaca que dores persistentes, feridas nas mamas, dificuldade de pega, dúvidas sobre a produção de leite ou ganho insuficiente de peso do bebê devem ser avaliados por profissionais de saúde. A orientação precoce ajuda a identificar a causa do problema e evita que a mulher interrompa a amamentação por falta de assistência.

O apoio também precisa continuar quando termina a licença-maternidade. A retirada periódica do leite durante a jornada contribui para a manutenção da produção, permitindo que ele seja armazenado e oferecido ao bebê enquanto a mãe estiver fora. O Ministério da Saúde orienta que a mulher comece a extrair e armazenar o leite antes do retorno ao trabalho e mantenha a ordenha nos períodos em que estiver distante da criança.

Na Unimed Sul Capixaba, colaboradoras que amamentam contam com a sala de apoio à amamentação. Os ambientes possuem poltronas e freezer e foram preparados para oferecer privacidade, conforto e segurança. A estrutura começou a funcionar no Hospital Materno-Infantil e também foi implantada no edifício-sede da Operadora, em Cachoeiro de Itapemirim. O objetivo é apoiar a retirada e o armazenamento.

De acordo com Kayssian Patrício, Coordenadora de Recursos Humanos da cooperativa, a iniciativa busca acolher as colaboradoras em uma fase marcada por mudanças na rotina pessoal e profissional. “A volta ao trabalho pode gerar preocupação para quem deseja continuar amamentando. Quando a empresa disponibiliza um local adequado e orienta as lideranças sobre esse momento, demonstra que maternidade e carreira podem ser conduzidas com respeito e apoio. Hoje, além de acompanhar essa iniciativa como profissional de Gestão de Pessoas, também vivencio essa experiência como mãe e usuária desse espaço. Poder contar com essa estrutura no retorno ao trabalho faz diferença para que eu consiga continuar amamentando com mais tranquilidade e segurança”, afirma.

A colaboradora Schayra Damázio utilizou a sala de amamentação para retirar e armazenar o leite durante o expediente. Para ela, encontrar uma estrutura adequada no ambiente de trabalho trouxe mais segurança para continuar oferecendo o leite materno ao filho. “Ter um espaço reservado, limpo e confortável me permite fazer a ordenha com calma e preservar esse alimento para o meu bebê. Saber que a empresa compreende essa necessidade torna o retorno ao trabalho mais acolhedor”, relata.

Além das estruturas voltadas às colaboradoras, a Unimed Sul Capixaba oferece acompanhamento às gestantes, mães e bebês por meio das equipes do Hospital Materno-Infantil. As orientações começam durante a gestação e continuam na maternidade e nas consultas pediátricas, ajudando as famílias a compreenderem que cada experiência de amamentação é diferente e pode demandar apoio específico.

Para Grazielle, campanhas como o Agosto Dourado também devem contribuir para reduzir a culpa materna. “A mãe precisa receber informação segura e assistência, nunca cobranças. Existem situações clínicas que podem dificultar ou impedir a amamentação, e cada família precisa ser orientada de forma individualizada. O mais importante é que a mulher se sinta respeitada e acompanhada em todas as etapas do cuidado”, conclui.

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