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No café da manhã, na marmita ou no jantar, o ovo faz parte da rotina de muitos brasileiros. Versátil e nutritivo, ele também pede cuidados: mesmo quando a casca está limpa e sem rachaduras, pode haver contaminação por salmonela, bactéria capaz de causar infecção intestinal. Por isso, a aparência do alimento não dispensa o cozimento adequado, conforme alerta o Ministério da Saúde.
O Dia Mundial do Ovo, celebrado em 9 de outubro neste ano, é uma oportunidade para conhecer os benefícios desse ingrediente e os cuidados que ajudam a consumi-lo com segurança. A data é comemorada na segunda sexta-feira de outubro.
O valor nutricional começa pelas proteínas. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o ovo apresenta uma combinação de aminoácidos essenciais próxima das necessidades humanas. Em linguagem simples, fornece pequenas estruturas que o organismo utiliza para formar suas próprias proteínas e que precisam ser obtidas pela alimentação. Também pode contribuir para a saciedade, a sensação de estar satisfeito após comer.
Clara e gema têm contribuições diferentes. A Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) informa que a clara contém principalmente água e proteínas, enquanto a gema concentra nutrientes como vitaminas A, D e E, colina, ferro e fósforo. As duas partes, portanto, participam do valor nutricional do alimento.
Para aproveitar esses nutrientes com segurança, é preciso prestar atenção ao caminho entre a compra e o prato.
A salmonela pode ser transmitida pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Embora frequentemente associada aos ovos crus ou malpassados, também pode estar presente em carnes, leite e vegetais contaminados. A infecção provocada pela bactéria é chamada de salmonelose.
Na cozinha, outro risco é a contaminação cruzada: microrganismos presentes em um alimento cru podem chegar a uma preparação pronta por meio das mãos, dos utensílios ou das superfícies. Usar um recipiente que recebeu ovo cru para colocar comida pronta, sem lavá-lo antes, é um exemplo de situação que deve ser evitada.
Alguns cuidados ajudam a reduzir esses riscos:
Observe antes de comprar • Escolha ovos com casca limpa e íntegra, confira a validade e dê preferência a estabelecimentos que mantenham o produto em local fresco ou refrigerado.
Guarde na geladeira • A Embrapa orienta conservar os ovos refrigerados, na embalagem original.
Cozinhe completamente • A orientação da agência sanitária dos Estados Unidos, a FDA, é preparar os ovos até que a clara e a gema estejam firmes. Receitas que levam o ingrediente também precisam ser bem cozidas.
Tenha atenção às receitas sem cozimento • Para maioneses, mousses e outras preparações que utilizariam ovo cru, use versões pasteurizadas, conforme a indicação do produto. A pasteurização é um tratamento térmico destinado a eliminar microrganismos causadores de doenças.
Cuide das mãos e dos utensílios • Lave as mãos antes e depois de manusear ovos crus e higienize recipientes, bancadas e equipamentos usados no preparo. Mantenha alimentos crus separados dos que já estão prontos para consumo.
Quando ocorre uma infecção por salmonela, os sintomas mais comuns incluem diarreia, febre e cólicas abdominais. Também podem aparecer náuseas, vômitos e dor de cabeça. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os sinais geralmente começam entre seis horas e seis dias após a infecção e costumam durar de quatro a sete dias. Isso significa que o alimento envolvido nem sempre foi consumido na refeição imediatamente anterior ao mal-estar.
A perda de líquidos merece atenção. Boca seca, muita sede, pouca urina e tontura podem indicar desidratação. Sangue nas fezes, febre alta ou diarreia e vômitos que persistem por mais de dois dias também são motivos para procurar atendimento.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com a imunidade comprometida precisam de atenção especial. O Ministério da Saúde orienta avaliação precoce para os grupos mais vulneráveis e informa que antibióticos não são recomendados de rotina nos casos leves ou moderados em pessoas saudáveis. A necessidade do medicamento deve ser definida pelo médico; manter a hidratação é parte central do cuidado.
Da escolha no mercado ao cozimento completo, são cuidados cotidianos que permitem aproveitar o valor nutricional do ovo com mais segurança.
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