Dia Mundial sem Tabaco: após dez anos da popularização, estudos comprovam que vape só faz mal

29 de maio, 2026


 

Colorido, doce, tecnológico, “instagramável”. O cigarro eletrônico foi apresentado à nova geração como um símbolo de modernidade. Mas, dez anos após a explosão do consumo dos vapes entre adolescentes e jovens, os alertas da ciência ficaram difíceis de ignorar.

No Dia Mundial sem Tabaco 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) chama atenção justamente para isso: como a indústria da nicotina continua reinventando produtos para atrair novos consumidores — principalmente crianças e adolescentes.

O tema deste ano é “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco.” A questão é que a estratégia da indústria mudou, mas o perigo, não.

Perfume para que não toma banho

Esqueça a imagem antiga do cigarro tradicional. Hoje, muitos dispositivos eletrônicos parecem itens de tecnologia ou acessórios de moda. Alguns têm cheiro de frutas, gosto de bala, embalagem colorida e formatos discretos que cabem no bolso da calça ou no estojo escolar.

Segundo a OMS, aromatizantes e aditivos ajudam a mascarar a aspereza da nicotina, facilitando a iniciação precoce e aumentando o potencial de dependência. Os chamados “sais de nicotina” permitem concentrações elevadas da substância sem causar irritação imediata, o que pode fazer muitos usuários consumirem mais do que percebem.

E os números preocupam:

• Pelo menos 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos utilizam cigarros eletrônicos no mundo.
• Em países com dados disponíveis, crianças e adolescentes têm, em média, nove vezes mais chance de usar vape do que adultos.
• No Brasil, 18,5% dos estudantes entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro.

Os dados fazem parte de levantamentos apresentados pela OMS e pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Parecia “menos pior”, mas é grave

Quando os vapes chegaram ao mercado, muita gente acreditou que eles seriam apenas uma alternativa “menos prejudicial” ao cigarro tradicional. Hoje, os estudos já apontam um cenário bem mais preocupante.

Em apenas um ano, os Estados Unidos registraram um surto de lesões pulmonares associadas ao uso de cigarros eletrônicos, conhecido como EVALI.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC):

• Cerca de 2.807 pessoas foram hospitalizadas.
• 68 morreram em decorrência das complicações associadas ao uso de vapes.

Além disso, pesquisas já relacionam o consumo frequente de cigarros eletrônicos a:

• Inflamação pulmonar
• Piora da capacidade respiratória
• Aumento da frequência cardíaca
• Dependência severa de nicotina
• Maior risco cardiovascular
• Alterações no desenvolvimento cerebral de adolescentes.

Tudo bem que fazem dez anos desde a popularização explosiva do consumo, mas o vape ainda é relativamente novo, e é aí que mora o principal alerta dos especialistas: a ciência ainda está descobrindo quais serão os impactos após 20, 30 ou 40 anos de uso contínuo, sendo que nos primeiros dez, só há coisa ruim a dizer.

E o cigarro tradicional?

Embora os vapes estejam no centro das discussões atuais, o cigarro convencional continua sendo uma das maiores causas evitáveis de morte no mundo.

A fumaça do tabaco contém milhares de substâncias tóxicas e cancerígenas. O consumo está associado a doenças como câncer de pulmão, infarto, AVC, enfisema pulmonar e bronquite crônica.

Segundo a OMS, o tabaco mata milhões de pessoas todos os anos em todo o planeta.

Informação também é proteção

A campanha do Dia Mundial sem Tabaco deste ano propõe justamente “desmascarar” estratégias que transformam dependência química em produto atrativo. E talvez o dado mais importante seja este: quanto mais cedo acontece o primeiro contato, maior a chance de dependência ao longo da vida.

Falar sobre vape hoje não é exagero nem moralismo. É saúde pública baseada em evidências científicas.

Aqui tem gente. Aqui tem vida. Aqui tem Unimed.