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Voltar “A gente é muito mais que o câncer”
A cada semana, Gabriela Dallacosta, de 32 anos, percorre o caminho entre Marmeleiro, no Paraná, e Chapecó para uma nova sessão de quimioterapia. A viagem faz parte de uma rotina que mudou desde o diagnóstico de câncer de mama, mas que ela procura preencher com atividades, encontros e planos para o futuro. Na oncologia da Unimed Chapecó, o tratamento foi ressignificado com pequenos rituais: a conversa com a equipe, a poltrona de massagem e o milk shake proteico, preparado entre os cuidados que acompanham cada sessão.
A história de Gabriela começou a mudar em dezembro de 2025, quando ainda morava no Rio de Janeiro, onde trabalhava como atriz. Durante um jantar, percebeu um pequeno nódulo na mama. Atenta à própria saúde, procurou atendimento médico já no dia seguinte e realizou uma ultrassonografia. Na ocasião, recebeu a orientação de acompanhar a alteração, considerada possivelmente benigna.
A sensação de que algo não estava certo, porém, permaneceu. Ela continuou observando o próprio corpo e percebeu que o nódulo parecia estar crescendo. Decidiu, então, refazer o exame. Dessa vez, a recomendação foi realizar uma biópsia. Alguns dias depois, veio a confirmação de carcinoma invasivo grau 2. “Eu nunca negligenciei a minha saúde. Sempre escutei que um diagnóstico precoce salva vidas e realmente foi o que me ajudou”, conta.
A confirmação trouxe medo e incertezas, especialmente diante de um futuro que ela ainda não conhecia. Com o diagnóstico, também surgiu a necessidade de decidir onde faria o tratamento. Como parte da família mora no interior do Paraná, a atriz optou por ficar mais perto dessa rede de apoio.
Ao pesquisar os serviços disponíveis na região, um dos critérios que considerou foi a possibilidade de utilizar a touca Paxman, um sistema de resfriamento do couro cabeludo utilizado durante determinados tratamentos quimioterápicos, com o objetivo de reduzir a queda de cabelo. A estrutura de atendimento e a integração à Rede Einstein de Oncologia e Hematologia que encontrou na Unimed Chapecó também pesaram na escolha.
Preservar a identidade durante o tratamento
Para Gabriela, o cabelo representa uma questão que vai além da aparência. A possibilidade de reduzir a queda capilar durante a quimioterapia ajuda ela a enfrentar a doença sem sentir que precisa deixar de lado a própria identidade. “Não é só o cabelo. É você poder seguir sua vida da forma mais normal possível, sem que as pessoas definam você pela doença. A gente é muito mais que o câncer”, afirma.
A experiência também mudou a forma como ela encara os dias de quimioterapia. Em vez de associar cada visita apenas à doença, Gabriela passou a incorporar outros momentos à rotina. “Eu não falo que estou indo fazer quimioterapia. Eu falo que estou indo fazer aqui minha terapia num lugar maravilhoso, que eu converso com as meninas, que eu tomo meus milk shakes. Aqui a gente tem um cardápio próprio que tem coisas gostosas, proteicas e saudáveis.”
A rotina inclui ainda outros recursos de suporte, como medicamentos para prevenir náuseas e reações alérgicas, laserterapia para ajudar na prevenção e no manejo da mucosite, acompanhamento nutricional e suporte psicológico. Depois da quimioterapia, ela volta para casa e adapta o ritmo às necessidades do corpo. Quando se sente bem, mantém atividades como academia, dança e visitas à avó, de quem também ajuda a cuidar.
“Meu maior conselho é que as pessoas não se entreguem à doença. Procurem uma equipe médica em que se sintam seguras para tirar dúvidas e vivam da forma mais próxima possível daquilo que faz sentido para elas, respeitando os limites de cada momento”, afirma.
Cuidado por inteiro
A experiência de Gabriela também passa pela relação construída com a equipe médica. Para ela, ser ouvida, ter espaço para fazer perguntas e receber orientações de acordo com sua realidade são aspectos importantes para lidar com as incertezas do diagnóstico.
A médica oncologista e cooperada da Unimed Chapecó, Dra. Emeline Moreira Cabral, explica que o atendimento oncológico envolve diferentes profissionais. “Temos uma equipe multidisciplinar que consegue acolher os pacientes desde o início do tratamento, monitorando os efeitos colaterais e buscando mais conforto no controle dos sintomas e das possíveis toxicidades”, explica.
Essa atenção também considera que o diagnóstico de câncer de mama não representa uma experiência única. O tipo de tumor, suas características e o estágio da doença orientam as decisões terapêuticas. Por isso, o acompanhamento individualizado é fundamental para definir a conduta mais adequada a cada paciente.
Importância do diagnóstico precoce
A trajetória de Gabriela se conecta a uma das principais mensagens do Outubro Rosa: a importância da atenção à saúde das mamas, da realização dos exames recomendados e da busca por avaliação médica diante de alterações.
Segundo a Dra. Emeline, é essencial que as mulheres estejam atentas a mudanças como nódulos na mama ou na axila, alterações no aspecto da pele, vermelhidão persistente, inversão do mamilo e outras modificações incomuns. Ao perceber qualquer um desses sinais, é importante procurar avaliação profissional, mesmo que exames anteriores não tenham apontado alterações.
A investigação pode envolver exames de imagem e biópsia. Quando há confirmação da doença, são avaliadas as características do tumor para identificar o subtipo e definir o tratamento mais adequado. “Hoje, cada vez mais, a gente consegue diagnosticar as pacientes precocemente e, mesmo naquelas que têm um diagnóstico mais avançado, temos inúmeras linhas de tratamento. A oncologia é uma das áreas da medicina que mais evolui, trazendo novas perspectivas de tratamento para os nossos pacientes”, afirma.
Além dos exames e do acompanhamento médico, manter hábitos de vida saudáveis é uma das formas de contribuir para a redução do risco de câncer de mama. “Ter uma alimentação equilibrada, rica em fibras e alimentos naturais, praticar atividade física regularmente, manter um peso saudável e evitar o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas são medidas que ajudam a reduzir as chances de desenvolver a doença ao longo da vida. Também é fundamental manter os exames de rotina em dia, conforme a orientação médica”, orienta a Dra. Emeline.
A campanha Outubro Rosa reforça a importância da informação e do acompanhamento médico em todas as etapas, desde a atenção aos primeiros sinais até o tratamento. A história de Gabriela mostra como esse percurso também é atravessado pelas experiências individuais, pela rede de apoio e pelas condições de acolhimento encontradas ao longo do caminho. Mesmo diante das mudanças impostas pelo diagnóstico, ela segue fazendo planos e preservando os momentos que lhe fazem bem, lembrando que, como ela mesma diz, “o câncer é uma doença, não uma sentença.”
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