Composição dos centros de custos

Os centros de custos correspondem às unidades organizacionais da instituição onde os recursos são consumidos, registrados, acompanhados e analisados. Em ambiente hospitalar, essa estrutura é fundamental para permitir a adequada apuração dos custos, o controle gerencial e a avaliação do desempenho econômico das diferentes áreas. Em termos práticos, cada centro de custo representa um setor, serviço ou departamento para o qual os gastos podem ser identificados e posteriormente atribuídos, direta ou indiretamente, conforme sua natureza.

Historicamente, a administração das instituições de saúde desenvolveu-se a partir da lógica dos chamados centros de responsabilidade, normalmente divididos em centros de custos e centros de receita. Nesse modelo, a contabilidade departamental passou a fornecer informações individualizadas sobre os gastos e, quando aplicável, sobre as receitas geradas por cada unidade organizacional, permitindo avaliar a contribuição de cada área para o resultado global da instituição. No contexto hospitalar, essa abordagem tornou-se especialmente relevante diante da complexidade operacional, da multiplicidade de serviços e da necessidade de mensurar com maior precisão o custo assistencial.

De forma objetiva, o centro de custo pode ser entendido como o departamento hospitalar ao qual são vinculados determinados gastos, sendo essa estrutura essencial para o controle do custo do paciente, para a mensuração do custo dos serviços prestados e para a consolidação do custo hospitalar total. A correta definição dos centros de custos permite separar com maior clareza onde os recursos são consumidos, facilitando tanto a apuração de custos diretos quanto a distribuição dos custos indiretos.


10.1 Classificação dos centros de custos
De modo geral, os centros de custos hospitalares podem ser classificados em três grandes grupos:
a) Centros produtivos ou assistenciais.
São aqueles diretamente relacionados à prestação do cuidado e à geração do serviço final oferecido ao paciente. Em muitos casos, são também os setores que mais diretamente se vinculam à geração de receita institucional. Neles, os custos são apurados para posterior cálculo do custo unitário de diárias, procedimentos, exames, consultas ou atendimentos.
Exemplos:
  • Centro Cirúrgico
  • UTI Adulto, Pediátrica ou Neonatal
  • Pronto Atendimento
  • Internação
  • Ambulatório
  • Hemodinâmica
  • Diagnóstico por Imagem
  • Laboratório de Análises Clínicas
b) Centros auxiliares ou de apoio
São os setores que não realizam diretamente a assistência final ao paciente, mas oferecem suporte técnico e operacional indispensável ao funcionamento dos centros produtivos. Seus custos normalmente são posteriormente rateados para os centros assistenciais, conforme critérios previamente definidos.
Exemplos:
  • Lavanderia
  • Nutrição e Dietética
  • CME – Central de Material e Esterilização
  • Farmácia Central
  • Higienização e Limpeza
  • Manutenção
  • Almoxarifado
  • Engenharia Clínica

c) Centros administrativos.
São os setores responsáveis pela gestão institucional, planejamento, controle, supervisão e suporte corporativo. Embora não participem diretamente da assistência, são indispensáveis para o funcionamento global da organização. Seus custos também costumam ser apropriados por rateio aos demais centros de custos.
Exemplos:
  • Recursos Humanos
  • Financeiro
  • Contabilidade
  • Faturamento
  • Compras
  • Tecnologia da Informação
  • Diretoria Administrativa
  • Governança e Qualidade

10.2. Importância da correta composição dos centros de custos
A adequada estruturação dos centros de custos é decisiva para garantir maior precisão na apuração dos custos hospitalares. Quando os setores são corretamente classificados, a instituição consegue identificar com mais segurança:
a) Onde os recursos estão sendo consumidos;
b) Quais áreas concentram maior custo operacional;
c) Quanto cada serviço efetivamente custa;
d) Quais centros de apoio impactam mais fortemente a assistência;
e) Como distribuir os custos indiretos de maneira mais coerente.

Além disso, a composição adequada dos centros de custos melhora a qualidade das informações gerenciais, fortalece a análise de produtividade, apoia a formação de preços, contribui para estudos de viabilidade econômica e fornece base mais confiável para a tomada de decisão estratégica.

Exemplo prático de composição: Em um hospital, a UTI Adulto pode ser classificada como centro produtivo, pois presta assistência direta ao paciente e gera diárias hospitalares. A CME, por sua vez, é um centro auxiliar, pois processa materiais esterilizados utilizados em setores como centro cirúrgico e pronto atendimento. Já o Recursos Humanos é um centro administrativo, pois presta suporte institucional a toda a organização, sem atuar diretamente na produção assistencial.

Nesse modelo, os custos próprios da UTI são apurados diretamente, enquanto os custos da CME e do RH podem ser posteriormente distribuídos à UTI e a outros setores produtivos por meio de critérios de rateio adequados.

É importante ressaltar, especialmente para setores do tipo SADT que atendem pacientes do hospital e pacientes externos, que do custo alocado nele, o que deve ser considerado como “operacional hospitalar” é somente o que se refere ao atendimento dos pacientes do hospital e não dos pacientes externos.

Contabilmente cada um deles pode ser um centro de custo “matriz, ou geral” formado por 2 “centros de custo filiais” – um hospitalar e outro de pacientes externos. Os custos podem ser alocados no geral e distribuídos entre as filiais de acordo com um critério de rateio, que pode ser o número de pacientes ou o número de exames, de pacientes internados e externos, dependendo do SADT. Ao referenciar o custo do SADT hospitalar, utilizar somente a parcela de custo correspondente a ele, não onerando o hospital com o custo relacionado ao atendimento de pacientes externos.