Metodologias Apuração de Custeio Aplicadas à Saúde: absorção e ABC

Sistema é um conjunto de etapas coordenadas entre si. Assim, um sistema de custos envolve uma metodologia que coleta, processa, interpreta e analisa dados para obter o custo do serviço ou produto.

Elizeu Martins (2000,) pontua que “sistema não é somente um conjunto de normas, fluxos, papéis, rotinas”. Para ele, “o sucesso do sistema está diretamente ligado ao pessoal que o alimenta e o faz funcionar”. Ou seja, depende fundamentalmente da coleta de informações. Recomenda-se iniciar com rotinas simples e dados fáceis de se obter, aperfeiçoando gradativamente a metodologia com treinamentos e prática.

Entre as diversas metodologias de apuração de custos, nenhuma isoladamente resolve todas as necessidades comuns a uma empresa. Portanto, deve-se escolher o sistema de custeio (ou combinar as metodologias entre si) a partir do objetivo principal da empresa e das informações pretendidas por gestores e tomadores de decisão. Assim, recomenda-se o custeio por absorção para formação de preço, sendo o único aceito pelos princípios contábeis; o custeio variável para desenvolver informações nos processos decisórios; o custeio padrão para controles; o custeio ABC para medir custos com foco nos processos.

As diferentes abordagens – custeio por absorção, custeio direto e custeio baseado em atividades, custeio padrão – não têm características mutuamente excludentes, ou seja, é possível a adoção simultânea das alternativas, cada uma com um conjunto de informações específicas às funções de controle e planejamento das operações de uma empresa hospitalar (Matos, 2005).


4.1. Custeio por Absorção Hospitalar
Nesta metodologia, o objetivo é que cada atendimento, diária ou procedimento "absorva" uma parcela de todos os gastos do hospital, desde a gaze utilizada até o serviço de hotelaria e manutenção.

No caso de gestão de custos hospitalares é importante que a absorção esteja relacionada com a atividade hospitalar:
  • Não é em razão de um serviço de saúde se encontrar fisicamente no edifício hospitalar que seu custo deva ser absorvido pelo hospital;
  • Uma Clínica de Terapia ABA, por exemplo, não se relaciona com a atividade fim do hospital. Se seu custo for absorvido pelo hospital, carregará o resultado da apuração com um custo que não se relaciona com internação de pacientes. Se isso ocorrer com esta clínica e som outros serviços que se encontram no edifício hospitalar, mas não se relacionam com a atividade hospitalar, o resultado apurado não será adequado para comparação com outros hospitais que não possuem estas clínicas em suas instalações físicas;
  • Um SADT, como um Laboratório de Análises Clínicas por exemplo, também não deve ter seu custo totalmente absorvido pelo hospital se realizar exames para pacientes que não são internados, os chamados pacientes externos. Se o SADT realiza parte da sua produção para pacientes internados do hospital, e outra parte para outros pacientes, a absorção do seu custo pelo hospital deve ser correspondente a parcela que se refere apenas aos pacientes internados. Um rateio proporcional em função da quantidade de pacientes atendidos pelo hospital e externos, por exemplo, deve ser aplicado para que o hospital tenha seu custo apurado de uma forma que mais corresponda a realidade.

4.2 Fluxo de Apropriação Técnica
a) Custos Diretos (Assistenciais): São os insumos consumidos diretamente no cuidado ao paciente. 
Exemplos: Medicamentos (OPME), materiais descartáveis, honorários médicos e equipe de enfermagem alocada exclusivamente ao setor.
b) Custos Indiretos (CIF Hospitalar): São os gastos necessários para manter a estrutura assistencial funcionando, mas que não são mensuráveis por paciente individualmente sem um critério de rateio. 
Exemplos: Esterilização (CME), higienização hospitalar, manutenção de equipamentos de imagem e energia elétrica da unidade.
c) Critérios de Rateio (Direcionadores de Valor): Os critérios de rateio em custos hospitalares são métodos utilizados para distribuir os custos indiretos entre os diversos centros de custo, serviços ou unidades assistenciais de um hospital. O objetivo é garantir maior precisão na apuração dos custos hospitalares, apoiar a tomada de decisão gerencial, precificação de serviços, controle orçamentário e avaliação de desempenho institucional.

Alguns exemplos comuns incluem: Por Dia/Paciente: O custo da hotelaria é dividido pelo número de leitos ocupados. Por Minuto/Hora de Procedimento: O custo fixo do Centro Cirúrgico é rateado pelo tempo de permanência em sala.


4.3 Metodologia: Custeio por Absorção Hospitalar
O Custeio por Absorção na saúde consiste na apropriação de todos os custos (diretos e indiretos, fixos e variáveis) aos objetos de custeio finais — que podem ser o paciente-dia, o procedimento cirúrgico ou a passagem pelo pronto-atendimento.

Nesta metodologia, os custos "fluem" dos departamentos de apoio para os centros de resultado, garantindo que o valor final do serviço contemple a infraestrutura completa da instituição.

O Custeio ABC (Activity-Based Costing) na saúde é a metodologia que permite a maior precisão na gestão hospitalar, pois ela abandona a lógica de "rateios médios" e foca no consumo real de recursos através das atividades realizadas durante a jornada do paciente.

Diferente do método por absorção, que foca em centros de custos, o ABC estabelece que:
  • Pacientes (Objetos de Custo) consomem Atividades.
  • Atividades consomem Recursos.

Essa abordagem permite identificar o custo de protocolos clínicos específicos (ex: Linha de Cuidado de doença coronariana aguda) com precisão, revelando onde há desperdício ou ineficiência nos processos assistenciais.
Comparação entre a visão tradicional de custos e o custeio baseado
em atividades (ABC). Adaptado de Kaplan e Cooper (1998).
VISÃO TRADICIONAL DE CUSTOS
Serviços ou produtos
Consomem recursos
SISTEMA DE CUSTOS (CUSTEIO POR ATIVIDADE)
Serviços ou produtos
Serviços ou produtos
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