Cirurgias de aneurismas intracranianos

O aneurisma intracraniano não-roto é uma dilatação patológica adquirida nos vasos cerebrais e acomete até 3% da população adulta, com maior incidência em doentes renais policísticos e mulheres. A cirurgia de reparo do aneurisma intracraniano não-roto deve ser considerada quando o risco de ruptura em cinco anos excede o risco das complicações da cirurgia:
• Risco de ruptura aumentado em indivíduos com história familiar de aneurisma cerebral, tabagismo, hipertensão;
• Fatores de risco de ruptura relacionados ao aneurisma (crescimento 1mm de diâmetro) ou nova formação em imagem;
• Tamanho ≥ 7mm, localização (circulação posterior), lobulação;
• Presença de déficits nervos cranianos, efeito de massa e eventos tromboembólicos.
Não há superioridade de técnica microcirúrgica sobre endovascular. O uso de diversor de fluxo deve ser reservado aos casos em que não é possível qualquer outra abordagem para oclusão do aneurisma. Os aneurismas com colo largo e em circulação posterior tendem ao tratamento endovascular e o aneurisma calcificado tende ao tratamento microcirúrgico. O risco de rompimento do aneurisma após o tratamento varia entre 0,1 e 1 em cada 100 pacientes, e independentemente da técnica cirúrgica primária.

Fonte:
Etminan N. et al. European Stroke Organisation (ESO) guidelines on management of unruptured intracranial aneurysms.
Eur Stroke J. 2022 Sep;7(3):V. doi: 10.1177/23969873221099736. Epub 2022 Jun 3.

OBSERVAÇÃO: Divergências de indicação entre as diferentes técnicas cirúrgicas e OPMEs entre médicos assistentes e auditoria técnica, devem ser discutidas em junta médica.


31401171 MICROCIRURGIA VASCULAR INTRACRANIANA
Codificação utilizada para cirurgia aberta para tratamento de aneurisma (clipagem ou wrapping) ou MAV (ressecção).

Descrição dos OPMEs
• Hemostático em pó de até 3g;
• 1 dura-mater artificial ( até 7.5x7.5);
• 4 miniplacas;
• 16 miniparafusos;
• 1 kit de DVE;
• até 3 clipes temporários.

Conforme Anexo III – Regras para utilização de brocas, fresas e serras do MAME vigente, em quantidades máximas para a clipagem de aneurisma:
• 1 broca de trepanação;
• 1 broca de perfuração;
• 1 fresa;
• 1 broca de desgaste.

Nota 1: codificação para remuneração da cirurgia Convencional (aberta) do aneurisma cerebral (clipagem ou wrapping) ou ressecção de MAV.

Nota 2: na craniotomia pterional, utilizada habitualmente para aneurismas, pode ser utilizada uma unidade de cimento acrílico para reparar falha óssea decorrente da ressecção da asa do esfenoide.

Nota 3: os procedimentos abaixo listados estão inclusos no procedimento principal:
• 30404126 Ressecção do osso temporal;
• 31401260 Tratamento cirúrgico da fístula liquórica;
• 30101689 Reconstrução com retalhos de gálea aponeurótica;
• 30215048 Reconstrução craniana ou craniofacial;
• 30207070 Fratura do arco zigomático - redução cirúrgica com fixação;
• 30302102 Reconstituição de paredes orbitárias;
• 30210100 Reconstrução com rotação do músculo temporal (face).

Nota 4: para cirurgia de aneurisma ou MAV com hemorragia intracraniana, podem ser associados os códigos conforme análise técnica do caso:
• 31401309 Tratamento cirúrgico do hematoma intracraniano;
• 31401244 Terceiro ventriculostomia;
• 31401058 Derivação ventricular externa (DVE).

Nota 5: para cirurgia de aneurisma ou MAV com hemorragia intracraniana, não são pertinentes as associações com os códigos abaixo, e não serão remunerados:
• 31401104 Implante de eletrodos cerebral ou medular (com diretriz definida pela ANS - nº 37);
• 20202067 Monitorização da pressão intracraniana (por dia);
• 30101689 Reconstrução com retalhos de gálea aponeurótica;
• 31401260 Tratamento cirúrgico da fístula liquórica;
• 30215048 Reconstrução craniana ou craniofacial;
• 30207070 Fratura do arco zigomático - redução cirúrgica com fixação.

Nota 6: procedimento possui regramento no Anexo I – Protocolo Nacional 9.58 e 9.59 versão 2024.03.

Nota 7: não permite taxa de equipamento/vídeo.